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Geral LITERATURA

Editor Edmilson Sanches apresenta "De Graça", novo livro da escritora caxiense Graça Assunção

"Não fosse gente, Graça Assunção seria pássaro... Pois como voa!...".

12/03/2021 19h15
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Edmilson Sanches
Graça Assunção
Graça Assunção

DE GRAÇA

(Prefácio ao livro de mesmo título da psicóloga, assistente social e escritora caxiense, residente em São Luís (MA), Maria da Graça Barros de Assunção [Graça Assunção], publicado em março/2021 pela Editora Estampa, de Imperatriz – MA, com revisão e supervisão editorial de Edmilson Sanches*. Contatos com a Autora: [email protected])

 

Não fosse gente, Graça Assunção seria pássaro...

Pois como voa!...

Voa para o mais distante dos espaços  --  o interior humano, o dentro de si mesmo.

Assistente Social, ela conviveu com necessidades exteriores.

Psicóloga, ela cuidou de carências interiores.

Não é de estranhar que seja o ser humano a fonte e o destino de suas reflexões  --  como neste livro e nos muitos que há em estado de caderno, diversos deles, de mais de 350 páginas cada, um dos quais confiado a mim.

Não é de estranhar que, de modo recorrente, Graça Assunção insista em dizer, a um humano recipiendário, algo sobre esperança e dor, fé e amor. E também sobre conhecer e planejar, cair e levantar. Sempre resistir, continuamente insistir, nunca desistir... para, com leveza e foco, (e)ternamente existir.

Não é sem razão o tanto que Graça Assunção recomenda em seus textos: “Voe!”  --  ...colocando a energia do carinho e da esperança no lugar da imperiosidade verbal, a flexão imperativa afirmativa de voar. Pois “os grandes pensamentos vêm do coração”, como em suas “Reflexões e Máximas” fraseou o Marquês de Vauvernagues  -- que não era outro senão o escritor francês Luc de Clapiers  (1717-1747).

Por dever de ofício, como assistente social e psicóloga, Graça Assunção teve intimidade, intensidade com os percursos e percalços humanos. Sensível, porosa, permeável, ela com certeza mais aprendeu que ensinou, mais recebeu que (se) doou. Ela, que não é de complicar a vida, aperfeiçoou a difícil arte de ser simples, inclusive na expressão de seus pensamentos. E há, ou se revelam, razões para isso. Afinal, nas palavras do grande filósofo francês François-Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire (1694-1778), “os pensamentos de um autor devem entrar em nossa alma como a luz em nossos olhos, com prazer e sem esforço [...]”. 

*

Alguns autores já pensaram contra livros  -- ou leitura -- de pensamentos. O escritor e dramaturgo francês Jules Lemaître (1853-1914) monocraticamente decretou: “Os pensamentos e máximas são um gênero esgotado e um gênero fútil”. O muito talentoso jurista, diplomata, historiador e jornalista brasileiro Joaquim Nabuco (1849-1910), nordestino de boa cepa pernambucana, mandou ver: “Não há nada mais fatigante do que ler pensamentos”. E ainda: “O pensamento solto pode ser o registro de um relâmpago que vos atravessou o espírito, ou de um estado interior passageiro”. Para Nabuco, os pensamentos têm de estar em uma obra  -- romance, ensaio... --, mas “nunca desagregados”. Escrevendo em francês, o grande Nabuco deixou essas e outras máximas em um livro intitulado... “Pensamentos”, de 1906 (“Pensées Détachées et Souvenirs”, ou “Pensamentos Destacados e Recordações”). Sobre este livro, Machado de Assis, em carta a Nabuco em 19/08/1906, escreveu: “[...] páginas de pensamentos e recordações”. 

 

Capa.

Mas, pelo visto e lido, em “defesa” do pensamento tem gente de qualidade em maior quantidade. Ralph Waldo Emerson, escritor e filósofo norte-americano (1803-1882), disse simplesmente: “O pensamento é a semente da ação”. 

O imenso escritor francês Victor Hugo (1802-1885), estadista e ativista dos direitos humanos, sublinhou: “Pensar já é ser útil [...]” (esta “pedrada” está em um livro de nome “Montão de Pedras”, ou, francoparlante, “Tas de Pierres” . 

Nietzsche (1844-1900), germano-prussiano, dois séculos depois subverteu ou  --deixem passar... -- descartou Descartes (1596-1650) e ao gálico “Penso, logo existo” pospôs o germânico “Existo, logo penso”. (E poderiam vir: “Penso, logo desisto / insisto / persisto / resisto”; “Existo, logo coexisto” ; etc.).

Entre os brasileiros, o carioca Machado de Assis (1839-1908) afirmava: “As frases feitas são a companhia cooperativa do espírito”.  

O mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) reconhecia que “há certo gosto em pensar sozinho. É ato individual, como nascer e morrer”. 

O professor e dramaturgo romeno Eugène Ionesco (1909-1994) via  -- enxergo-o eu --  um certo “glamour” no pensar e no dizer: “Pensar contra o seu tempo é heroísmo, Mas dizê-lo é loucura”. Deve estar dizendo que é uma saudável doideira...

Por mais que tentem decretar o fim dos pensamentos como gênero literário, não o conseguirão. Livros inteiros costumam-se tornar-se poucas frases.

Obras sagradas são lembradas por versículos.

Discursos inteiros são revividos em poucos trechos.

Grandes sinfonias se comprimem em um conjunto de notas.

Hinos ganham força no estribilho.

Músicas são evocadas por um refrão.

Moral da estória: histórias são resumidas à sua moral.

*

Do “A” de “amor” ao “Z” de “zelo”, soletrando o “B” de “beleza”, o “C” de “cuidado”, o “D” de “divino”, o “E” de “esperança”, o “F” de “fé” e “foco”...  --  Graça Assunção incursionou por todo um abecedário de virtudes e incompletudes, sentimentos e emoções, aconselhamentos e sugestões, o pessoal e o profissional, tudo comprimido em pílulas feitas de palavras e boa vontade, para serem tomadas na hora em que se quiser, na quantidade que puder, sem contraindicações mas com possíveis efeitos colaterais, todos positivos...

...Até porque “Graça Assunção” não é só um nome  --  mas saudável predestinação. 

É graça, graciosidade; é subida, ascensão. 

Portanto, tudo dom. 

Dádiva.

Que ela, em sua escrita, coloca à nossa disposição.

Tudo vindo de uma mulher realizada  --  mas que conhece carências...

Mulher feliz  --   mas que sabe de ausências...

Tudo aqui vem dessa mulher.

Este livro vem dela.

De Graça.

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Edmilson Sanches.

 

* EDMILSON SANCHES – Editor

[email protected]

Administração - Comunicação - Desenvolvimento - História – Literatura

PALESTRAS, CURSOS, CONSULTORIA.

 

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