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Convidado Especial, Edomir Martins de Oliveira: "O Golpe do Casamento". Uma história inédita.

Provérbios, 31:30: - “Enganosa é a graça, e vã, a formosura...”

02/04/2021 11h51 Atualizada há 2 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: edomir martins de oliveira
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Capítulo 51

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB 

O GOLPE DO CASAMENTO 

N.A. - Esta crônica foi baseada em uma história real.

Ele, empresário bem-sucedido, do ramo de serviços de representações, fazia sempre suas viagens para outros estados e muitas vezes tinha que ir ao interior. O negócio de representação é árduo, requerendo de quem o desempenha, muita habilidade e atenção ao que está aos seus cuidados.  

Foi em uma dessas viagens aos interiores que conheceu uma bela moça de porte esbelto e boa estatura. Era estudante, com o coração repleto de sonhos, entre os quais, vir morar na capital. Prosseguiria com seus estudos e quem sabe, encontraria até um rapaz por quem pudesse se apaixonar e casar. Era essa a sua maior ambição.

Foi se apaixonar exatamente por esse representante comercial. Mas ele era um jovem que ainda não estava pensando em casamento e apesar da simpatia que ela irradiava, não lhe deu as sonhadas esperanças, embora tivessem começado a namorar. O desejo de ser esposa daquele rapaz era tão grande, que lhe ocorreu uma ideia: se ele não quisesse casar, iria morar com ele, se conheceriam bem. Ela se dedicaria a ele como se estivesse se dedicando a um marido, o conquistaria e casariam mais à frente, embora os seus pais não concordassem com isso. 

O aplaudido autor.

Mesmo com essa disposição, o rapaz ainda não se mostrava muito animado. Mas, ante a sua beleza física, acabou se envolvendo. Combinaram que morariam juntos e se, após um ano, vissem que não haveria possibilidade de casamento, eles se separariam sem maiores problemas. Não casaria, agindo precipitadamente, deixando-se embevecer pela sua beleza, pois aprendera com seu avô, uma grande verdade, que se lê na Bíblia Sagrada, no livro de Provérbios, 31:30: - “Enganosa é a graça, e vã, a formosura...”

Seis meses depois da convivência, ela começou a ver que ele estava se afastando dela; por mais que quisesse mantê-lo ao seu lado sentia que não estava conseguindo esse intento, apesar dos seus esforços. Quando saíam, se ele encontrava alguma amiga, a cena de ciúme se fazia presente. Ele estava ficando cansado dela, pois vinha se decepcionando em várias situações com o seu comportamento, que não se mostrava compatível com a pessoa que ele acreditara que ela fosse.

Depois de uns meses, ela disse-lhe que queria visitar os pais no interior. Ele deu a maior força e explicou a ela que talvez fosse o melhor mesmo a fazer, pois a relação estava se desgastando com a rotina do dia a dia. Ela, então, pediu-lhe que se contentaria só em ele lhe dar uma declaração de amor por escrito. Ele então lhe disse que não iria dar uma declaração desse tipo, que não tinha sentido. Ela lhe explicou que essa declaração era só para mostrar às amigas, pois ela rompeu valores de sua família e moradores de sua cidade quando resolveu morar com ele, mesmo sem casamento. E disse-lhe que se não quisesse dar a declaração, que assinasse uma folha de papel em branco que ela mandaria datilografá-la, o que a deixaria muito feliz. Ele, então, para minimizar a questão do rompimento que estava prestes a acontecer definitivamente, resolveu atendê-la, sem imaginar o que estaria por vir. Assinou uma folha de papel em branco, achando apenas que seria para uma declaração de amor floreada que ela faria com o nome dele para mostrar às amigas, algo singelo que, por conseguinte, não ameaçaria a sua honra ou reputação. 

De posse dessa folha assinada, meses depois, quando soube que o rapaz estava namorando firmemente com outra moça, ela que dera um tempo para ver se ele se arrependia, viu que isso não acontecia e partiu para uma premeditada astúcia. Pediu a um irmão que batesse uma procuração que seu noivo não tivera tempo de fazer, dando-lhe a folha em branco assinada por ele, com poderes para em seu nome casar com ela. Disse ao irmão que a procuração deveria ser passada para ele, que o representaria no ato do casamento. Ele atendeu ao que a irmã solicitara. 

        Quando apresentou a procuração em cartório, o titular lhe disse que aquela procuração particular não seria documento válido para casar, e ela disse que tão logo o noivo retornasse viria ao Cartório e substituiria a procuração. Podia casá-la sem receio. 

O titular do cartório que a conhecia e a seus pais de longas datas, aquiesceu, confiando na reputação de sua família e, assim, fez correr os proclamas, até que o casamento foi celebrado. 

Ele continuou sua vida normalmente. Já estava namorando uma jovem e pensando em casar, pois estava realmente apaixonado por ela. Depois de uns meses de namoro, resolveu pedi-la em casamento, o que ela aceitou. Agora, noivo, iria tratar dos detalhes, com esta que era sua noiva.

Marcaram data para o casamento e começaram os preparativos para casamento. Ela tratou do enxoval, ele cuidou das providências que lhe eram próprias e de sua competência como noivo. Até que um belo domingo, estava com sua amada em uma praia, saboreando uns deliciosos frutos do mar, e tomando umas cervejas, quando foi cumprimentado por um amigo, que lhe perguntou se aquela bela jovem era sua esposa; foi logo acrescentando que soubera do seu casamento; não fora porque   sendo realizado no interior, ficava difícil o deslocamento.

Então, o noivo perguntou ao amigo que história era aquela de ele ter se casado no interior. Ele nunca se casara. Ao que o amigo respondeu que soubera de tudo e que ele houvera casado por procuração.

  Foi, então, que ele se lembrou que assinara aquela folha de papel em branco; e ainda custou a acreditar que ela teria mandado fazer uma procuração particular, sem consistência para um casamento, pois só uma procuração pública teria validade. Perdeu o sossego e o apetite. 

Começaria sua luta na justiça para anular o casamento, que não podia ter sido celebrado. Fora vítima de um golpe.

A noiva, então, lhe perguntou o que iria fazer e ele lhe informou que teriam de adiar os sonhos de casarem em breve, até que ele conseguisse anular o casamento do qual fora apenas uma vítima. 

       E aí passou a narrar o triste episódio em que se envolvera. Nunca lhe passou pela cabeça que aquela folha de papel assinada em branco fosse culminar com seu casamento. Que a noiva acreditasse nele, pois na verdade era a única mulher que amara. A outra fora uma aventureira e ele para se ver livre dela, assinou a folha de papel em branco, onde ela dizia ser elaborada uma declaração de amor para mostrar aos pais, quando teria um gancho para dizer que perdera o interesse em casar com ele. Estava consciente de que com aquela folha de papel ela não poderia fazer procuração para casar. 

       Foi ao interior onde tinha sido realizado o casamento, pediu certidão do feito, esperou angustiado 72 horas para lhe ser fornecida.  Quando lhe foi entregue, vira que estava mesmo criminosamente casado. 

      Quando a mulher soube de suas providências, procurou-o e foi logo lhe dizendo que como legítima esposa, ele ia pagar muito caro por tê-la rejeitado. Queria receber o que lhe cabia como esposa, com o que ele não concordou. 

      Ele, então, procurou um advogado e depois que contou sua história, pediu ao profissional do Direito que, em Juízo, tudo fizesse para anular o casamento.  

      A grande verdade é que ele lutou vários e vários meses buscando a nulidade do casamento. Quando saiu a sentença do Juiz, em seu favor, anulando o casamento, ela recorreu, inconformada, para o Tribunal, através de seu advogado, tendo igualmente perdido, pois a sentença de nulidade do Juiz foi confirmada.

     A noiva que o aguardara pacientemente durante os seis primeiros meses, estava impaciente com a demora na solução do problema do seu noivo na justiça. Mas deu o apoio que seu noivo precisava e aguardou até o final da questão.

     Quando tudo terminou, o noivo que tanto a amava, e que vinha lhe informando o desenrolar do processo, mostrou-lhe a sentença final, dando-lhe a vitória. O casamento tinha sido anulado. 

     Custou-lhe muito caro a amarga experiência. Nunca mais assinaria qualquer papel em branco, sob qualquer pretexto. A noiva que esperara por aquela ocasião, mostrou-se então muito feliz e se preparou para casar. Casaram em um lindo salão de festas, ricamente adornado, com muitos convidados, para atender a todos com uma bela recepção, acompanhada de daminhas e pajens, que enriqueceram o ambiente. Era tudo só alegria.

    O Pastor conclamou-os a estarem sempre aos pés do Senhor, buscando a presença do Altíssimo Deus, em suas vidas, e haveriam de ser muito felizes.

    Que estivessem atentos ao contido na Bíblia Sagrada, no Evangelho de João, 8:12 – “...Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida”. 

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Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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