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Edomir Martins de Oliveira: O casamento comunitário

colunistas convidadas.

09/04/2021 09h47 Atualizada há 4 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: edomir martins de oliveira
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Capítulo 52

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da Academia Poética Brasileira. 

 

CASAMENTO COMUNITÁRIO 

  Aproximavam-se as eleições e um candidato, em suas andanças pelo Tribunal de Justiça, encontrou-se com um amigo que lhe informou que em seu município iria haver um casamento comunitário. O candidato "esperto" viu nessa notícia uma grande oportunidade política. Procurou se informar bem para ver como poderia tirar vantagens em cima desse fato, para sua campanha que estaria iniciando brevemente e, agora, bem informado, retornou ao seu município.

  Como as pesquisas indicavam empate técnico entre ele e outro candidato de reputação ilibada, lançou sua campanha em torno do casamento comunitário gratuito, antes que fosse anunciado pelos cartórios. Havia muito eleitor vivendo em regime apenas de união estável pois não tinham como pagar as despesas com o casamento. Viu, nessa oportunidade, a forma mais certeira de se distanciar do seu adversário político.

O candidato procurou focar no "sonho do casamento”; e além da oficialização do matrimônio no cartório, prometia também a realização de casamento religioso, com as noivas entrando de véu e grinalda, e de uma grande festa para que os noivos pudessem celebrar o tão sonhado momento.

A tríade "cartório", "igreja" e "festa" virou o alvo principal de sua campanha. O candidato colocou os seus cabos eleitorais para divulgarem isso em todos os povoados e bairros do município, pois sentia que o sonho de tantos desfavorecidos ia se converter em inúmeros votos. O alvoroço tomou conta da cidade e era o assunto em todas as rodas e, assim, o candidato "esperto" subiu nas pesquisas de intenção de voto.

Inflado pelo SUCESSO de sua "grande ideia" e já almejando se eleger em primeiro lugar, resolveu incluir um kit casamento e um kit enxoval. O primeiro, se tratava de um auxílio para alugar vestido, véu, buquê, paletó e sapatos; e o segundo, para comprar dois jogos de lençóis e dois jogos de toalhas novos.

O Coordenador de campanha e alguns auxiliares advertiam o candidato que ele não deveria fazer essas promessas, pois a prefeitura não poderia custear essas despesas. E ele respondia dando boas gargalhadas: - E daí?? Até lá já estarei eleito mesmo. Nesses encontros, o candidato pediu aos vereadores do seu grupo político que esclarecessem ao povo que tudo era gratuito graças ao seu esforço.

Outdoors espalhados pela cidade diziam: “Realize o seu sonho: casamento comunitário com cartório, igreja, festa, kit casamento e kit enxoval”, e ao lado das imagens que representavam esse "pacote de casamento" a fotografia do candidato do partido e do número a ser votado. 

O concorrente, candidato de reputação ilibada, destacava em discursos cheios de indignação que o seu adversário estava se valendo de benefícios que não foram criados por ele e de promessas que não poderiam ser cumpridas. Que a população abrisse o olho, pois as promessas do adversário nada mais eram do que mentiras e falácias. Mas quase ninguém  mais lhe escutava. 

Ilustração: ML

Definitivamente, agora parecia tarde. A distância entre os candidatos havia aumentado muito, com a inclusão dos “kits casamento”. As pesquisas confirmavam a eleição do candidato "esperto". O povo já o aclamava como eleito e ele virou uma lenda na cidade, quando em seus discursos inflamados dizia: - O meu esforço em trazer esse presente para vocês não tem qualquer viés político. A minha intenção é "apenas" realizar o sonho de vários conterrâneos meus e, por conseguinte, de seus familiares e amigos. Mas, se quiserem colocar nas urnas o reconhecimento e seus agradecimentos por meio do voto, ficarei muito feliz. E o povo o ovacionava gritando: -Lenda! Lenda!

 Eis que chegou o dia da eleição! Conforme apontavam as pesquisas, a “lenda” foi eleita em 1o lugar O seu filho também se elegeu vereador, sendo o mais votado do município.

Houve a posse. Depois de 45 dias, a Justiça definiu a data   do casamento. E logo começaram a cobrança dos 57 casais, que se inscreveram em Cartório para o casamento, ante as promessas feitas pelo então candidato como: igreja, festa, kit casamento e kit enxoval. 

Espantados ficaram quando o prefeito começou a divulgar que havia recebido a prefeitura com sérios problemas financeiros e que não haveria como honrar os compromissos para os casamentos. A população em solidariedade, fez passeata em frente à prefeitura, com cartazes mostrando a sua indignação.  – “A LENDA nada mais era do que uma MENTIRA; sofremos um GOLPE; não vamos aceitar isso”. Um jornalista que estava de férias ali, viu no ato um furo de reportagem e denunciou à imprensa. A repercussão foi imensa. Ter o conceito de lenda reduzido para mitômano, foi algo que deixou o prefeito bastante aborrecido. E novamente, três dias depois, a população voltou a fazer passeata, mas desta feita havia mais cobertura da mídia e foi encerrada com um discurso do candidato que havia perdido a eleição. Ele fez um discurso, mostrando a importância de políticos sérios, comprometidos com o povo e o Município. Aproveitou o momento para fazer um apelo aos empresários do agronegócio para ajudarem a ser realizado o sonho dos noivos e deu um telefone de contato.

A resposta começou a chegar de forma imediata. A cada momento uma empresa ligava para fazer a sua contribuição, o que ele socializava com o grupo dos vitimados. O resultado disso foi que além de festa, igreja, kit casamento e kit enxoval, agora ampliado com mais itens, começaram também a aparecer outras. Empresas contribuíam com um bom número de eletrodomésticos, móveis e utensílios para serem sorteados. 

A cobertura da imprensa foi superimportante e várias empresas e profissionais liberais colaboravam para o grande dia. Fotógrafos, cabelereiros, maquiadores, chefes e garçons faziam parte dessa generosa equipe de voluntários que se juntaram pela boa causa. O prefeito e seus asseclas, diziam: - --Esse pessoal só quer aparecer doando essas coisas. Estão acostumando mal essas pessoas com tantos presentes. Depois vão querer que a prefeitura banque eternamente os seus devaneios”. Que tristeza!! Nesse sentido a Bíblia cita em Tiago 3:16: "Porque, onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa".

E eis que chegou o dia do casamento. A cidade teve uma festa jamais vista. A alegria era reinante. Noivos, com suas respectivas famílias e amigos, bem como empresários e voluntários agradeciam a Deus pela oportunidade de estarem ali. Sim, porque auxiliar o próximo é uma benção que traz enorme retorno e felicidade, citando-se assim uma passagem Bíblica de Romanos 15:2: "portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação".

Um do grupo de representantes dos casais agradeceu em nome de todos ao candidato derrotado, enaltecendo-o e informando que ele os fez despertar de uma letargia. Diziam: - Este candidato embora derrotado, nos causou um despertar político. Ele agradeceu dizendo: -“Hoje tivemos um exemplo de que a união faz a força. ”             

Graças as doações os noivos tiveram o prazer de desfrutar de uma enorme mesa de frios e doces, com refrigerantes e um barril de Chopp dos grandes, que permitiu uma bela comemoração e um bolo gigante. 

O Juiz, em nome da lei, declarou a todos casados, formulando os votos de feliz união conjugal, sob a proteção da lei e o convidado do prefeito, seu primo que era Padre, deu as bênçãos sacerdotais, fazendo sua homilia, invocando as bênçãos de Deus para as várias famílias constituídas legalmente; que fossem felizes e se amassem para sempre.

  Quatro anos depois, esse candidato vencido virou vencedor, se elegendo prefeito. E o antigo prefeito? Além de não ter tido 10% dos votos, não conseguiu reeleger também o seu filho como vereador.

    Fato inusitado ocorreu quando uma senhora, agora esposa, foi buscar seu marido que estava em companhia dos seus amigos, em um bar, onde estava uma conhecida que ela sempre observou que “tinha uma queda” por ele, e sempre tomava, com o grupo, as cervejinhas de fim de semana. O marido ante a visita inesperada, estranhou o comportamento da mulher que nunca estivera ali antes de casarem, ao que ela retrucou, com o sentimento de pertença que tinha agora, olhando nos olhos da inconveniente presença feminina que ali estava: - Que fosse escolher outro homem para jogar charme pois agora ele era "oficialmente" seu marido. 

 

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Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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