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Edomir Martins de Oliveira traz um tema sensacional: "Casamento dentro do ônibus"

"O casal entendia que tudo aquilo era o prenúncio de que haveriam de ser muito felizes".

16/04/2021 07h34 Atualizada há 2 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: edomir martins de oliveira
Edomir de Oliveira
Edomir de Oliveira

Capítulo 53

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB 

 

CASAMENTO DENTRO DE ÔNIBUS

 

Não é a riqueza material que traz a felicidade, mas a riqueza moral. Quando se vive de bem com a vida, com bom comportamento social, fugindo da inveja, orgulho e vaidade, sempre se fornece para a sociedade um belo exemplo e se é muito feliz. 

Ela era filha de um motorista de ônibus, conhecido por ser um homem de muita dignidade, e que estava sempre disposto a ajudar o próximo. Era respeitado na empresa em que trabalhava, não só pelos seus colegas, mas também pelo supervisor e pelo dono da empresa, seu patrão. Tinha um casal de filhos e juntamente com a esposa, mulher digna e companheira a toda prova, cuidou deles com todo empenho para terem uma vida melhor. Educou-os com muito sacrifício. Estudaram em escolas públicas e se revelavam bons alunos. A maior prova de que estavam com base sólida de formação escolar, foi quando se habilitaram à concorrência para curso superior. Ele, para o curso de Engenharia; ela, para o curso de Direito, aprovados em Universidades Públicas.

Entenderam que tinham que trabalhar também. Submeteram-se a concurso público, foram aprovados e tomaram posse.  Trabalhavam em um turno e estudavam em outro. E foram seguindo para conquistas futuras.

A vida nos reserva muitas surpresas, mesmo. A jovem começou a receber sorrisos e olhares apaixonados de um colega de serviço, aos quais ela também correspondia sempre.  

Namoraram e já pensavam até em casar mais à frente, quando melhorassem de vida. Mas logo chegaram à conclusão de que essa melhora dependeria deles tão somente. Casariam, pois com o que ganhavam já conseguiriam se sustentar modestamente, e juntos fariam as conquistas. Prudentemente, resolveram noivar para dar tempo ao tempo. Tinham a certeza de que juntos alcançariam vitórias. Noivaram, com alegria e consentimento dos pais.

Começaram a planejar o casamento. Reconheceram que as despesas seriam elevadas, por isso tinham que pensar em uma forma econômica de casar. Ainda ganhavam salários pequenos, próprios de quem está começando. Permitiram-se lembrar que como pensavam em casar só no ano seguinte, muita coisa poderia acontecer, e eles poderiam ir organizando tudo dentro de suas disponibilidades. Como primeiro passo, decidiriam que casariam só com os familiares presentes.

A jovem entusiasmada, como toda noiva, visitou uma tia, que era ótima costureira, e perguntou-lhe se poderia fazer seu vestido de noiva. A tia, disse que o faria com muito orgulho e prazer, e seria seu presente de casamento.

Uma outra tia, que era sua madrinha de batismo, e que trabalhava com bolos e salgadinhos, disse-lhe que como o casamento seria só com a presença dos familiares, seu presente seriam os frios, refrigerantes, o bolo de noiva e uma garrafa de espumante para os noivos. O entusiasmo dos noivos crescia cada vez mais.

Duas coisas caras estavam resolvidas. Foi quando a avó, do alto dos seus 85 anos, disse-lhes que daria, como presente de casamento, a sua geladeira e uma TV, que recebera dos filhos pelo dia das mães, pois estavam em perfeito estado e ela possuía outra menor, mais antiga, que lhe servia muito bem. A geladeira era seminova e a TV estava em perfeito funcionamento, pois ela usava muito pouco. A avó destacou que só não lhes daria um belo rádio, que comprara há pouco tempo, porque gostava de ouvi-lo e estar bem informada das notícias locais e nacionais, desde sua mocidade, quando ainda nem se pensava em televisão. Grandes novelas, como “O Direito de Nascer”, um marco no rádio brasileiro, ela escutou e outras mais; se habituara a escutar rádio com muita emoção e prazer.

  Com todos estes presentes de casamento, que os próprios familiares se dispunham dar ao casal, ficava faltando muito pouco para o início de uma vida a dois.

Os pais presentearam com uma sala de jantar e os tios, com os móveis do quarto e um fogão. Agora, era só pensar em qual local casariam. Em casa dos pais não era adequado, pois ambos viviam em casas muito pequenas.

Montagem/Pinterest/ML

Então, o pai da noiva teve uma ideia: foi ao patrão, contou-lhe das dificuldades para alugar um salão de festas para o casamento da filha, e pediu permissão para que o casamento fosse feito dentro do ônibus que ele dirigia. O patrão, sensibilizado, concordou, tendo autorizado a realização do casamento em um ônibus novo e climatizado. E para homenagear esse tão valioso funcionário, que iniciou os seus serviços junto com o nascimento da empresa, resolveu dar de presente aos noivos passagens de ônibus da empresa, para onde quisessem passar a lua de mel e, também, diárias na rede hoteleira com quem tinha convênio, em hotéis 3 estrelas.

O motorista ficou muito agradecido e, em sua simplicidade, disse que tinha um amigo fotógrafo e que pediria a ele que tirasse umas fotos para serem exibidas nas redes sociais, de forma que o nome da empresa seria exaltado pela qualidade dos seus serviços e pelo bom coração de seu proprietário, que sempre pensava no bem-estar dos seus funcionários. O proprietário da empresa achou excelente a ideia, e disse que contrataria serviço de uma empresa de marketing, para uma ampla divulgação, que tivesse grande alcance na imprensa local, valendo-se das fotos.

- Mais uns presentes dos céus!!!- Disseram os noivos, quando foram informados que o dono da empresa concordara e até sugerira a hora propícia para o casamento, que deveria ser às 20 horas, pois o fluxo de passageiros era menor e poderia se estender até as 23 horas.  Quando o pai disse aos noivos sobre a viagem de lua mel patrocinada pela empresa, eles ficaram exultantes e o jantar familiar eram só brindes e muitas alegrias.

O casal entendia que tudo aquilo era o prenúncio de que haveriam de ser muito felizes.

Foram conversar com o Pastor de uma Igreja evangélica que frequentavam, que lhes deu o apoio necessário e se comprometeu em casá-los. O casamento seria religioso com efeito civil no dia desejado, no local e hora marcados. 

Na hora do casamento, o Pastor já os estava esperando, juntamente com os convidados e padrinhos, quando o noivo entrou com sua mãe. A noiva, levada pelo pai, estava precedida de uma daminha carregando as alianças. O pai a entregou ao noivo. O irmão da moça colocou um pen drive contendo a música de entrada de noiva e outras que seriam tocadas. Os familiares decoraram o ônibus, criaram um ambiente muito romântico e acolhedor. E o Pastor, com belas e apropriadas palavras, ressaltou a importância de um perfeito entendimento, pois, é o que Deus quer de nós. As coisas mais importantes da vida estão nos detalhes simples dos acontecimentos do dia a dia. A Bíblia Sagrada nos ensina no livro dos Provérbios 22:4 – “O galardão da humildade e o temor do Senhor são riquezas, e honra e vida”. 

  O Pastor, após celebrado o casamento, enalteceu a pontualidade da noiva, e falou do seu contentamento em ver uma família e convidados, tão felizes, irradiando alegria e sinceridade. Depois foram servidos os frios e docinhos aos convidados, e o tradicional bolo, que estava muito bonito, e refrigerantes. Os noivos ainda estouraram um espumante como prometera a tia e madrinha; e outras garrafas foram também   servidas aos presentes, que brindaram aos noivos, e estavam ali compartilhando da felicidade daquela família harmoniosa.

 Duas criaturas muito amigas entre si, as invejosas e caluniadoras da vizinhança, -como sempre tem-, foram tomar satisfação por não terem sido convidadas para o casamento, querendo entrar no ônibus. Os convidados impediram-nas de entrar, pois ali não eram bem-vindas; era um momento em que precisavam de energias positivas, que lamentavelmente não era o caso delas. Revoltadas, encenaram um início de barraco, mas foram abafadas neste intento, e um líder do bairro disse a elas que suas presenças não eram bem apreciadas, pois estavam sempre criando animosidades com toda a vizinhança, fazendo fofocas e espelhando calúnias. Soltando impropérios, tiveram que tomar o rumo de suas casas e as crianças, vítimas constantes de suas maldades, foram atrás delas gritando, em forma de música: não foram convidadas, não foram convidadas, não foram convidadas (hahahahahaha).

 

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Edomir Martins de Oliveira
Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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