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Convidado especial: Natalino Salgado Filho, "O prefácio da esperança".

"Torço para que todo o conhecimento acadêmico se debruce sobre as incontáveis nuances impostas a indivíduos, famílias, empresas, profissionais da saúde, governos que vivem, em todos os níveis, os males de uma pandemia"

21/04/2021 13h38
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Natalino Salgado Filho
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O prefácio da esperança

Natalino Salgado Filho*

Os gregos creditaram o poder de prefaciar o futuro a Jano, sem, contudo, esquecer o passado. Sua estátua o reproduz como alguém que tem nas mãos uma chave e uma vareta, como aquele que abre portas e aponta caminhos. Não à toa o primeiro mês do ano recebeu o nome que homenageia essa figura mitológica.

Passado pouco mais de um ano, depois que o COVID19 apareceu, a Pandemia ainda grassa pelo planeta Terra. Em contrapartida, de certa forma nos sentimos um pouco mais experientes para lidar com os decretos governamentais que restringem a circulação, que prorrogam as aulas on-line, que afetam o comércio, o trânsito, a vida. Ansiamos todos pelo diferente, que há de chegar, enquanto ainda nos acostumamos com o novo, que o passado trouxe.

Talvez estejamos todos perplexos, em alguma medida, com a experiência da pandemia, como uma longa e dura provação. Nosso país tem sofrido de tal maneira, que será necessário bastante tempo para aquilatarmos toda a história. Certamente, por meio de muitas pesquisas, que serão realizadas, teremos um panorama que acrescente consequências à dura realidade do número de óbitos.

Torço para que todo o conhecimento acadêmico se debruce sobre as incontáveis nuances impostas a indivíduos, famílias, empresas, profissionais da saúde, governos que vivem, em todos os níveis, os males de uma pandemia. Precisamos aprender tudo que pudermos com essa hecatombe, pois, como grande parte de pesquisadores muitas vezes previram, viver uma crise sanitária tão grave nunca foi uma questão de “se”, mas de “quando”.

Ao longo dos anos e início do século XXI, o cinema catástrofe, a literatura fantástica e até mesmo as revistas de curiosidades usaram diversas vezes o pano de fundo de uma pandemia virótica, para nos alertar sobre a possibilidade de um cenário idêntico. Mas, nenhum deles, por mais apocalíptico, chegou perto da realidade vivida por nossa geração. 

Involuntariamente, somos levados a lidar com dados e como eles nos chegam por muitos meios e, às vezes, até mesmo por meio de conversas banais, podemos sofrer um processo de desinformação.  Mas, quando instituições sérias e credíveis nos informam, passamos a considerar a extensão da realidade e sua gravidade. A Fiocruz, por exemplo, registrou que, apenas de 7 a 13 de março, a peste ocasionou uma média de 71 mil novos casos, com a dolorosa consequência de cerca de 1,8 mil óbitos por dia.

A despeito desse quadro indubitavelmente sombrio, há esperança. E boa parte dela repousa nas vacinas, aliadas ao conhecimento científico e à mais delicada capacidade de lidar com a fragilidade humana. É inconteste que precisaremos manter todos os protocolos necessários para garantir a minimização do contágio, para que possamos crer em uma saída.

Volto à mesma Fiocruz, para ser portador de boas novas. Na última quarta-feira, dia 17, a mesma instituição anunciou a entrega do primeiro lote de vacinas com pouco mais de um milhão de doses. Até o final de março, serão três milhões e oitocentas mil. A BioManguinhos/Fiocruz iniciou uma segunda linha de produção que será capaz de produzir um milhão de doses diárias.  Por outro lado, o Instituto Butantã, em São Paulo, produzirá em torno de 180 milhões de doses, até o final do ano, para vacinação da população. 

No Maranhão, também há boa notícia. Na última quarta-feira, dia 17, o Hospital Universitário da UFMA (HU-UFMA) abriu mais 10 leitos de UTI para pacientes de COVID, que se somaram aos 10 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI). O HUUFMA também conta com os 20 leitos de enfermaria.

Estamos como o povo hebreu diante da Terra Prometida. O deserto, que parece ser infinito, um dia chegará ao fim. Ainda há desafios a serem enfrentados na travessia, mas podemos antever as bonanças do sagrado espaço diante dos nossos olhos. A população precisa fazer a sua parte. Acredito, realmente, que parte dos nossos hábitos, na pandemia, serão incorporados ao cotidiano, porque é preciso vigilância por um bom tempo.  Sejamos esperançosos e perseverantes. E, como alerta Drummond, “o mundo é tão grande, não nos afastemos, vamos de mãos dadas”. Um dia, a pandemia será apenas triste registro histórico.

 

Natalino Salgado Filho

Médico Nefrologista, Reitor da UFMA, Titular da Academia Nacional de Medicina, Academia de Letras do MA e da Academia Maranhense de Medicina.

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