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Edomir de Oliveira conta uma história que impressiona pelos detalhes: "Noivo é abandonado em pleno altar"

crônicas

23/04/2021 às 10h24 Atualizada em 28/04/2021 às 10h53
Por: Mhario Lincoln Fonte: edomir martins de oliveira
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Capítulo 54.

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da Academia Poética Brasileira - APB 

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NOIVO É ABANDONADO EM PLENO ALTAR

 

Jeremias – 3:21 “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”

Ela era moça de fina educação. Filha de pais que exerciam o magistério superior fora instruída na direção de tratar bem o seu semelhante, com educação e respeito. Também almejava ser professora universitária, seguindo os passos dos seus genitores. Haveria de contribuir sempre para a formação de novas gerações. Sala de aula e alunos era seu maior sonho, pois, aprenderia a lidar com temperamentos diferentes. Idealizava um namorado para compromisso, que tivesse seu mesmo tipo de comportamento. Quando encontrasse o jovem certo, saberia. Os que se apresentavam até então, ainda não a tinham conquistado.

Até que um belo dia, lhe surgiu um jovem que lhe pareceu ser a pessoa certa. Logo jogou-lhe seu charme, que foi bem recebido. Além da beleza física, era envolvente. Começaram um romance que depois se transformou em um compromisso mais sério, quando noivaram.

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Esse relacionamento tinha altos e baixos, pois o rapaz apresentava, às vezes, rompantes de fúrias, com ciúmes infundados, e nesses momentos era muito grosseiro. Ela não estava acostumada com isso, pois os seus pais tinham muito respeito um para com o outro e nunca gritaram com seus filhos. Tudo era na base da conversa, pois fora o lhe ensinaram em casa, desde cedo, citando a Bíblia Sagrada, em Provérbios 15:1: - “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”.

Após esses momentos de grosseria, o noivo lhe enviava flores no dia seguinte ou caixas de bombons pedindo desculpas e dizendo que a amava muito. Explicava-lhe que toda a sua família era assim de “sangue quente” e que somente agora ele estava tentando por um freio nesse seu temperamento, pois ela lhe mostrou como isso era lamentável. Porém lhe pediu um tempo para a mudança, pois não poderia ser repentina. Essa resposta a deixava mais preocupada ainda, pois significava que ele era fruto de uma má educação, e pelo visto teria que conviver com uma família oposta aos valores da sua, que admirava muito. Seus pais sempre citavam em casa Provérbios 22:6: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele”.

Mas como estava apaixonada, ela acabava sempre desculpando o noivo e tudo voltava ao normal. Em uma ocasião, após um ataque de fúria, mandou-lhe doze buquês de flores de uma vez só. Em uma outra, colocou um outdoor na cidade dizendo que a amava perdidamente.

Os pais ficavam indignados vendo o sofrimento da filha, cada vez que ela entrava em casa aos prantos, vitimada pelas grosserias do noivo. Por eles, ela deveria acabar esse relacionamento, pois o namorado era um desequilibrado. 

Mas para grande tristeza dos pais, os noivos resolveram marcar a data do casamento. Como já haviam advertido a filha, e por várias vezes, que não concordavam com o casamento, os pais deixaram claro que não bancariam as despesas.

A filha explicou a eles que os entendia de verdade, mas que acreditava piamente que o seu noivo se recuperaria. E que eles não se preocupassem com qualquer despesa com o casamento, pois como o noivo era muito rico, fazia questão de bancar todos os custos. Porém, implorou a eles que estivessem presentes no casamento e eles aquiesceram.

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E assim, começaram os preparativos para a cerimônia e recepção para 500 convidados. O noivo comprou um apartamento duplex no bairro mais nobre da cidade, onde morariam. Chamou um renomado arquiteto para fazer a ambientação que atendesse ao gosto da noiva, o que nem sempre ele acatava. Não se pode negar que essa vida de luxo e facilidades que se descortinava para ela, contribuíam para a sua empolgação, o que é entendível para uma jovem de 21 anos, que se criou com limitações financeiras próprias à classe média. Iria morar muito bem, poderia viajar sempre para o exterior, teria a casa cheia de empregados e poderia comprar o que quisesses em shoppings, sem ter que se preocupar com o preço. 

montagens: ML.

Com a proximidade da data do casamento, o noivo foi ficando bem estressado e os momentos de fúria foram voltando. Ele não era a mesma pessoa quando sentia algum tipo de pressão ou ameaça. E as grosserias não eram só com ela, pois presenciou a forma grosseira como tratava os seus empregados, o que a afetava muito.

Chegou a um ponto em que a noiva o chamou para conversar, dizendo-lhe que se não controlasse o temperamento não haveria mais casamento. Ele ficou desesperado e prometeu, mais uma vez, que isso jamais aconteceria de novo. Ela já cansada de tantas promessas de que isso não mais ocorreria, citou a ele de forma firme, a seguinte passagem Bíblica: "Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cum­pra o seu voto. É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir (Eclesiastes 5:4-5). Foi a conversa mais séria que haviam tido até então, e ele prometeu que procuraria um psiquiatra para poder controlar o seu estresse e ansiedade. Com essa proposta, as esperanças da noiva se renovaram. 

Mas, quando ela lhe falou sobre o tratamento dispensado aos seus     funcionários, ele respondeu-lhe que preferia que ela não se metesse nesse assunto, o que ela achou muito decepcionante. Definitivamente, o amor que sentia por ele não era mais o mesmo, estava diminuindo.

E eis que chegou o dia do casamento, mas a angustia se colocava bem acima da alegria. Não tinha mais certeza de que seria feliz. Foram muitas decepções nos últimos dias. Quando os pais viram a filha trajando seu belo vestido, mas sem brilho no olhar e sorriso nos lábios, entenderam que ela estava cheia de conflitos. O pai ainda lhe perguntou se não queria desistir do casamento. E ela disse que não poderia mais fazer isso a essa altura.

Quando, na Igreja, se dirigiu ao altar conduzida por um pai triste, onde o noivo a aguardava, um milagre aconteceu: como se Deus lhe tivesse tirado uma venda dos olhos, apareceu-lhe um filme de tudo que ela teria que aguentar dele e de sua família, uma vez que aquele casamento fosse consumado.

Do altar pediu desculpas a ele e aos presentes, e comunicou a todos que estava desistindo do casamento. Desejou felicidades a ele, de forma sincera, e se dirigiu à saída da igreja.

Ele, com o impacto sofrido, quis valer-se de uma estratégia, e chorando dizia-lhe que entendia seus motivos, mas haveria de se modificar daquele momento em diante. A ex - futura sogra, “sangue quentíssimo”, obstruiu a passagem da noiva, disposta a agredi-la fisicamente, tendo sido contida pelo marido, noivo e por outros convidados. Neste momento, o noivo e a mãe abriram uma inflamada discussão, onde ela dizia a ele: - “crie vergonha e pare de chorar, porque não o ensinei a ser um frouxo”, onde a mãe escutou dele que não soubera educá-lo bem, e que por isso estava sendo abandonado no altar pela sua amada. Como resposta a mãe deu-lhe um tapa, dizendo que estava fazendo agora o que deveria ter feito enquanto ainda era adolescente. 

Escutou-se um ÓÓHHHH geral na Igreja e instalou-se um barraco. A família “sangue quente” começou a discutir entre si e procurou briga com a família e convidados da noiva. A ex- futura sogra foi com dedo em riste para cima da mãe da noiva, e seus filhos, que lamentavelmente saíram a ela, começaram a gritar impropérios. De repente, a gritaria na igreja estava grande: "olha o que dá se misturar com gente à toa", "muito sonsa, isso sim", “deve estar traindo meu irmão com outro”, gritavam os sem noção. O ex- futuro sogro, o mais sensato da família, foi tentar acalmar a mulher e os filhos, mas a gritaria só aumentava: "me larga", "de que lado você está?", "você é um inútil", “cala a boca”, “não calo”. Enquanto a família brigava, e estavam cegos de raiva, a noiva aproveitou e saiu de fininho com a sua família. 

Mas a balbúrdia estava instalada na igreja para desalento do pastor; gritos de "segura ela", "que família idiota", "tira foto", "corre, corre e não perde esse lance", "bem fez a noiva se livrar de uma família de doidos", ‘olha do que a noiva escapou", ‘tem dinheiro, mas são barraqueiros’ seguiam-se em vários decibéis.

Eis que a imprensa que estava lá para a cobertura de um dos casamentos do ano, começou a cobrir o “barraco do ano”. Um repórter corajoso foi até o noivo e perguntou: - "Como o Sr. se sente abandonado no altar? Qual o motivo disso??" E o noivo foi para cima dele visando agredi-lo, porém os presentes o seguravam enquanto ele gritava: - "vão embora vampiros". E os flashes não paravam de pipocar. A sua mãe desmaiou de raiva.

No dia seguinte, um domingo, a capa do jornal da principal coluna social do estado, estampava foto do noivo querendo agredir o jornalista, com os olhos esbugalhados: “Noivo abandonado no altar tenta agredir jornalista”. E outro veículo de imprensa mostrava a mãe com uma montagem de três fotos: uma com o dedo em riste para a ex- futura sogra do noivo; a outra empurrando o marido; e a outra desmaiando. A manchete abaixo das fotos citava: mãe de noivo abandonado no altar se descontrola e dá vexame. As tiragens dos jornais estavam batendo recordes; e o assunto “barraco e noivo abandonado” perdurou por vários dias nas rodas sociais.

A ex-noiva e seus pais tiraram umas férias e viajaram por 15 dias para um resort, e depois para um hotel fazenda, a fim de aliviarem as tensões e deixarem a poeira sentar. Mas estavam muito aliviados, cientes de que foi melhor assim.

 Eis que durante a viagem, encontraram com um jovem no resort, que estava levando seus pais e avós para uns dias de lazer, e ele se encantou imediatamente pela ex-noiva. Descobriram que moravam em cidades vizinhas e logo surgiu uma rápida e grande amizade entre as famílias.

E o desfecho não poderia ser outro: os jovens se apaixonaram, para felicidade de suas famílias. Namoraram, e noivaram seis meses depois, com muita alegria para ambas famílias. Em seguida marcaram a data para o casamento, o que ocorreu seis meses após o noivado para felicidade dos noivos e ambas famílias. E como que um reloginho, seis meses depois avisaram aos pais que seriam avós, para imensa felicidade de todos.

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Fatima GatinhoHá 5 anos São LuisMuito bom. A atitude da noiva foi muito bem acertada.
Karla Jupiaçu (Juiza Aposentada)Há 5 anos MaceióEstatística que serviu de estudo para minha tese de Direito, diz que 76% das mulheres que casaram com homens violentos (por 1 mil) acabaram mortas ou feridas gravemente (paraplégicas, olhos furados, perda de membros). O que o senhor levanta em seu texto-tese, professor Edimir é a explícita denúncia dessa violência doméstica e um grito de alerta mostrando que mulher apaixonada aguentar tudo por amor, é fiasco machista. As vezes é por pura necessidade. Mas não vale à pena. Nunca valeu!
Jurema GonçalvesHá 5 anos Bento Gonçalves RGSOs seus textos e textos de outros, dr. Edomir, tem mudado muita coisa. Veja esta: Diante do aumento de casos de violência doméstica, uma juíza do Rio Grande do Sul mudou a rotina do fórum onde trabalha para fortalecer a rede que atende mulheres vítimas desse tipo de agressão. agora, psicólogas e assistentes sociais especializadas em violência contra a mulher passaram a acompanhar os casos e ouvem a vítima antes da audiência, sem a intimidação do olhar do agressor, que não está na sala. Ótimo.
CotinhaHá 5 anos Brasília/DFEdomizinho, demorando muito chegar sexta-feira pra ler a novidade... Mas vem coisa boa poraí, não vem?
EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRAHá 5 anos São LuísEstimados leitores e comentaristas, muito obrigado pelas atenções de vocês a esta crônica. As cuidadosas análises expostas, me alegram e me animam a prosseguir. Amanhã publicaremos mais uma, se nosso Deus me permitir. Espero continuar merecendo as mesmas participações de vocês.
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Edomir Martins de Oliveira
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