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Edomir de Oliveira conta uma história que impressiona pelos detalhes: "Noivo é abandonado em pleno altar"

crônicas

23/04/2021 10h24 Atualizada há 2 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: edomir martins de oliveira
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Capítulo 54.

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da Academia Poética Brasileira - APB 

 

NOIVO É ABANDONADO EM PLENO ALTAR

 

Jeremias – 3:21 “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”

Ela era moça de fina educação. Filha de pais que exerciam o magistério superior fora instruída na direção de tratar bem o seu semelhante, com educação e respeito. Também almejava ser professora universitária, seguindo os passos dos seus genitores. Haveria de contribuir sempre para a formação de novas gerações. Sala de aula e alunos era seu maior sonho, pois, aprenderia a lidar com temperamentos diferentes. Idealizava um namorado para compromisso, que tivesse seu mesmo tipo de comportamento. Quando encontrasse o jovem certo, saberia. Os que se apresentavam até então, ainda não a tinham conquistado.

Até que um belo dia, lhe surgiu um jovem que lhe pareceu ser a pessoa certa. Logo jogou-lhe seu charme, que foi bem recebido. Além da beleza física, era envolvente. Começaram um romance que depois se transformou em um compromisso mais sério, quando noivaram.

Esse relacionamento tinha altos e baixos, pois o rapaz apresentava, às vezes, rompantes de fúrias, com ciúmes infundados, e nesses momentos era muito grosseiro. Ela não estava acostumada com isso, pois os seus pais tinham muito respeito um para com o outro e nunca gritaram com seus filhos. Tudo era na base da conversa, pois fora o lhe ensinaram em casa, desde cedo, citando a Bíblia Sagrada, em Provérbios 15:1: - “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”.

Após esses momentos de grosseria, o noivo lhe enviava flores no dia seguinte ou caixas de bombons pedindo desculpas e dizendo que a amava muito. Explicava-lhe que toda a sua família era assim de “sangue quente” e que somente agora ele estava tentando por um freio nesse seu temperamento, pois ela lhe mostrou como isso era lamentável. Porém lhe pediu um tempo para a mudança, pois não poderia ser repentina. Essa resposta a deixava mais preocupada ainda, pois significava que ele era fruto de uma má educação, e pelo visto teria que conviver com uma família oposta aos valores da sua, que admirava muito. Seus pais sempre citavam em casa Provérbios 22:6: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele”.

Mas como estava apaixonada, ela acabava sempre desculpando o noivo e tudo voltava ao normal. Em uma ocasião, após um ataque de fúria, mandou-lhe doze buquês de flores de uma vez só. Em uma outra, colocou um outdoor na cidade dizendo que a amava perdidamente.

Os pais ficavam indignados vendo o sofrimento da filha, cada vez que ela entrava em casa aos prantos, vitimada pelas grosserias do noivo. Por eles, ela deveria acabar esse relacionamento, pois o namorado era um desequilibrado. 

Mas para grande tristeza dos pais, os noivos resolveram marcar a data do casamento. Como já haviam advertido a filha, e por várias vezes, que não concordavam com o casamento, os pais deixaram claro que não bancariam as despesas.

A filha explicou a eles que os entendia de verdade, mas que acreditava piamente que o seu noivo se recuperaria. E que eles não se preocupassem com qualquer despesa com o casamento, pois como o noivo era muito rico, fazia questão de bancar todos os custos. Porém, implorou a eles que estivessem presentes no casamento e eles aquiesceram.

E assim, começaram os preparativos para a cerimônia e recepção para 500 convidados. O noivo comprou um apartamento duplex no bairro mais nobre da cidade, onde morariam. Chamou um renomado arquiteto para fazer a ambientação que atendesse ao gosto da noiva, o que nem sempre ele acatava. Não se pode negar que essa vida de luxo e facilidades que se descortinava para ela, contribuíam para a sua empolgação, o que é entendível para uma jovem de 21 anos, que se criou com limitações financeiras próprias à classe média. Iria morar muito bem, poderia viajar sempre para o exterior, teria a casa cheia de empregados e poderia comprar o que quisesses em shoppings, sem ter que se preocupar com o preço. 

montagens: ML.

Com a proximidade da data do casamento, o noivo foi ficando bem estressado e os momentos de fúria foram voltando. Ele não era a mesma pessoa quando sentia algum tipo de pressão ou ameaça. E as grosserias não eram só com ela, pois presenciou a forma grosseira como tratava os seus empregados, o que a afetava muito.

Chegou a um ponto em que a noiva o chamou para conversar, dizendo-lhe que se não controlasse o temperamento não haveria mais casamento. Ele ficou desesperado e prometeu, mais uma vez, que isso jamais aconteceria de novo. Ela já cansada de tantas promessas de que isso não mais ocorreria, citou a ele de forma firme, a seguinte passagem Bíblica: "Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cum­pra o seu voto. É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir (Eclesiastes 5:4-5). Foi a conversa mais séria que haviam tido até então, e ele prometeu que procuraria um psiquiatra para poder controlar o seu estresse e ansiedade. Com essa proposta, as esperanças da noiva se renovaram. 

Mas, quando ela lhe falou sobre o tratamento dispensado aos seus     funcionários, ele respondeu-lhe que preferia que ela não se metesse nesse assunto, o que ela achou muito decepcionante. Definitivamente, o amor que sentia por ele não era mais o mesmo, estava diminuindo.

E eis que chegou o dia do casamento, mas a angustia se colocava bem acima da alegria. Não tinha mais certeza de que seria feliz. Foram muitas decepções nos últimos dias. Quando os pais viram a filha trajando seu belo vestido, mas sem brilho no olhar e sorriso nos lábios, entenderam que ela estava cheia de conflitos. O pai ainda lhe perguntou se não queria desistir do casamento. E ela disse que não poderia mais fazer isso a essa altura.

Quando, na Igreja, se dirigiu ao altar conduzida por um pai triste, onde o noivo a aguardava, um milagre aconteceu: como se Deus lhe tivesse tirado uma venda dos olhos, apareceu-lhe um filme de tudo que ela teria que aguentar dele e de sua família, uma vez que aquele casamento fosse consumado.

Do altar pediu desculpas a ele e aos presentes, e comunicou a todos que estava desistindo do casamento. Desejou felicidades a ele, de forma sincera, e se dirigiu à saída da igreja.

Ele, com o impacto sofrido, quis valer-se de uma estratégia, e chorando dizia-lhe que entendia seus motivos, mas haveria de se modificar daquele momento em diante. A ex - futura sogra, “sangue quentíssimo”, obstruiu a passagem da noiva, disposta a agredi-la fisicamente, tendo sido contida pelo marido, noivo e por outros convidados. Neste momento, o noivo e a mãe abriram uma inflamada discussão, onde ela dizia a ele: - “crie vergonha e pare de chorar, porque não o ensinei a ser um frouxo”, onde a mãe escutou dele que não soubera educá-lo bem, e que por isso estava sendo abandonado no altar pela sua amada. Como resposta a mãe deu-lhe um tapa, dizendo que estava fazendo agora o que deveria ter feito enquanto ainda era adolescente. 

Escutou-se um ÓÓHHHH geral na Igreja e instalou-se um barraco. A família “sangue quente” começou a discutir entre si e procurou briga com a família e convidados da noiva. A ex- futura sogra foi com dedo em riste para cima da mãe da noiva, e seus filhos, que lamentavelmente saíram a ela, começaram a gritar impropérios. De repente, a gritaria na igreja estava grande: "olha o que dá se misturar com gente à toa", "muito sonsa, isso sim", “deve estar traindo meu irmão com outro”, gritavam os sem noção. O ex- futuro sogro, o mais sensato da família, foi tentar acalmar a mulher e os filhos, mas a gritaria só aumentava: "me larga", "de que lado você está?", "você é um inútil", “cala a boca”, “não calo”. Enquanto a família brigava, e estavam cegos de raiva, a noiva aproveitou e saiu de fininho com a sua família. 

Mas a balbúrdia estava instalada na igreja para desalento do pastor; gritos de "segura ela", "que família idiota", "tira foto", "corre, corre e não perde esse lance", "bem fez a noiva se livrar de uma família de doidos", ‘olha do que a noiva escapou", ‘tem dinheiro, mas são barraqueiros’ seguiam-se em vários decibéis.

Eis que a imprensa que estava lá para a cobertura de um dos casamentos do ano, começou a cobrir o “barraco do ano”. Um repórter corajoso foi até o noivo e perguntou: - "Como o Sr. se sente abandonado no altar? Qual o motivo disso??" E o noivo foi para cima dele visando agredi-lo, porém os presentes o seguravam enquanto ele gritava: - "vão embora vampiros". E os flashes não paravam de pipocar. A sua mãe desmaiou de raiva.

No dia seguinte, um domingo, a capa do jornal da principal coluna social do estado, estampava foto do noivo querendo agredir o jornalista, com os olhos esbugalhados: “Noivo abandonado no altar tenta agredir jornalista”. E outro veículo de imprensa mostrava a mãe com uma montagem de três fotos: uma com o dedo em riste para a ex- futura sogra do noivo; a outra empurrando o marido; e a outra desmaiando. A manchete abaixo das fotos citava: mãe de noivo abandonado no altar se descontrola e dá vexame. As tiragens dos jornais estavam batendo recordes; e o assunto “barraco e noivo abandonado” perdurou por vários dias nas rodas sociais.

A ex-noiva e seus pais tiraram umas férias e viajaram por 15 dias para um resort, e depois para um hotel fazenda, a fim de aliviarem as tensões e deixarem a poeira sentar. Mas estavam muito aliviados, cientes de que foi melhor assim.

 Eis que durante a viagem, encontraram com um jovem no resort, que estava levando seus pais e avós para uns dias de lazer, e ele se encantou imediatamente pela ex-noiva. Descobriram que moravam em cidades vizinhas e logo surgiu uma rápida e grande amizade entre as famílias.

E o desfecho não poderia ser outro: os jovens se apaixonaram, para felicidade de suas famílias. Namoraram, e noivaram seis meses depois, com muita alegria para ambas famílias. Em seguida marcaram a data para o casamento, o que ocorreu seis meses após o noivado para felicidade dos noivos e ambas famílias. E como que um reloginho, seis meses depois avisaram aos pais que seriam avós, para imensa felicidade de todos.

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Edomir Martins de Oliveira
Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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