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Academia Vianense de Letras tem nova sede, o que representa um marco para a literatura de Viana-MA

Adm. Fátima Travassos.

29/04/2021 17h17
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Academia Vianense de Letras/Facetubes.com.br
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A presidente Fátima Travassos recebeu o novo prédio-sede da Academia Vianense de Letras, patrona ANICA RAMOS.

Textos escolhidos: original de http://avlma.com.br/

A nova sede da  Academia Vianense de Letras Patrona Anica Ramos, no município de Viana -MA. Uma grande vitória da administração Fátima Travassos.

O terreno do Prédio foi uma doação do Município de Viana em 2017, para a Academia Vianense de Letras Patrona Anica Ramos, concretizada pelo então Prefeito Municipal Magrado Barros. Logo que assumiu a Presidência da AVL, a Dra. Fátima Travassos dialogou com o então Prefeito Municipal de Viana, dada a importância da presença efetiva da Academia para a cidade, cujo pleito foi acolhido e encaminhado, pelo Prefeito, o Projeto de Lei, acompanhado de Justificativa, à Câmara Municipal, pedindo autorização para a efetivação da doação. O que foi por unanimidade aprovado e sancionada a Lei Municipal nº 457/2017 de 29/06/2017, pelo então Prefeito Municipal Magrado Aroucha Barros.

Ao centro, Fátima Travassos.

O projeto arquitetônico teve a colaboração do empresário Benito Filho, cujo projeto foi aprovado pelos acadêmicos da Academia Vianense de Letras, bem como pelos órgãos competentes junto ao município e ao CREA. O responsável técnico fiscal da obra da AVL teve a colaboração do Engenheiro Batista Luzardo Pinheiro Barros Filho.

A AVL construiu esse prédio, preservando os traços arquitetônicos do centro histórico colonial de Viana, à semelhança do antigo casarão do Patrono da AVL Ozimo de Carvalho, (uma morada construída em 1835).

O prédio resgata assim parte da história de Viana. E hoje o prédio-sede atende as necessidades para o funcionamento da AVL, com espaços próprios a sua finalidade.

As tratativas junto ao Governo do Estado tiveram início ainda em 2018. Esse projeto aprovado foi construído sob a regência da Lei de Incentivo à cultura, Lei nº 9.437/2011, regulamentada pelo Decreto nº 27.731/2011 e Resolução nº 01/2012, sob o patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado, em três etapas, no prazo de 326 dias. E o patrocínio desses recursos veio do Mateus Supermercados S/A.

O lançamento da pedra fundamental ocorreu em 26 de julho de 2019, com o início da primeira etapa do projeto de construção em 01 de agosto de 2019 e finalização em 60 dias, no dia 30 de setembro de 2019. Já a segunda etapa, teve início em 24 de janeiro de 2020 e foi finalizada em 116 dias, no dia 18 de maio de 2020.

A terceira etapa teve início também em 2020, no dia 03 de novembro, e foi concluída em 150 dias, no dia 01 de abril de 2021, com recebimento definitivo na data de ontem, 15 de abril, com a presença do Prefeito Municipal de Viana, o Sr. Carlos Augusto Furtado Cidreira, acompanhado da Primeira Dama, a Sra. Cleisane Machado Nunes Cidreira, da Secretária de Educação do Município, a Sra. Cleicy Machado, do Chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de Viana, o Sr. Nélio da Paz Muniz Barros Júnior e da assessoria de Comunicação da Prefeitura. Estiveram presentes os Acadêmicos: a Presidente Dra. Fátima Travassos, a Vice-Presidente Prof.ª Vitória Santos, a 1ª Secretária Prof.ª Laurinete Coelho, a Prof.ª Graça Cutrim, o Doutor Raimundo Franco, o empresário Geraldo Costa; além do engenheiro civil Batista Luzardo Filho e representantes da Maracu TV.

A Presidente da AVL Dra. Fátima Travassos, acompanhada por acadêmicos da AVL, fez uma visita de cortesia ao Prefeito Municipal de Viana, o Sr. Carlos Augusto Furtado Cidreira, cuja reunião foi produtiva. Após a visita, todos seguiram para o prédio-sede da AVL onde presenciaram o recebimento, pela Presidente, da obra concluída.

Prestes a completar 19 de sua fundação, a Academia Vianense de Letras Patrona Anica Ramos vive esse momento histórico de conquista da sua Sede própria que será inaugurada em data ainda a ser marcada com a Secretaria de Estado da Cultura e a Prefeitura Municipal de Viana, na cidade de Viana, passando a integrar o patrimônio artístico e cultural da cidade de Viana, a serviço da literatura e das artes, fortalecendo e desenvolvendo a cultura vianense.

Nova sede AVL.

Quem é Anica Ramos

No ano de 1895, o lar de José Pantaleão e Brígida Ramos foi enriquecido com o nascimento de uma criança do sexo feminino, que na pia batismal recebeu o nome de Ana Soriano Ramos, mais tarde conhecida simplesmente por Anica Ramos.

D. Anica Ramos foi uma mulher notável por dedicar toda sua vida à cultura de Viana. Foi por assim dizer pioneira na música, no teatro e no serviço sóciopedagógico. Católica fervorosa, muito deu de si nas atividades paroquianas não somente da Igreja de São Benedito, seu bairro, como também da Igreja da Matriz.

Seu sustento familiar provinha do atelier de costura, montado com a ajuda das irmãs. Estilista e costureira, confeccionava com esmero e perfeito acabamento roupas para as senhoras do mais fino gosto e do melhor poder aquisitivo da cidade. Para os carentes, entretanto, não cobrava nenhum tostão.

Como educadora, lecionou para centenas de crianças, alfabetizando-as com uma didática inovadora para uma época em que Viana vivia relativamente isolada do resto do Maranhão e do mundo.

Adilson aymoré Ramos.

A despeito de tantos talentos e tantos serviços relevantes prestados à comunidade, o seu maior mérito, talvez, tenha sido sua dedicação ao teatro. Dedicação esta que ultrapassou o tempo e se transformou em história. D. Anica construiu em sua própria residência, situada no Canto do Galo, um pequeno teatro, onde periodicamente encenava peças teatrais, aplaudidas por pessoas do mais requintado gosto e conhecimento da arte, O padre e escritor João Mohana, quando ainda exercia a profissão de médico em Viana, relata no livro A Grande Música do Maranhão que, em dezembro do ano de 1950, assistiu no teatro de D. Anica um belíssimo auto de Natal, apreciando as músicas e o perfeito desempenho dos atores e figurantes.

Para encenar suas peças que abrangiam dramas, histórias românticas ou as famosas pastorais e reis (autos de Natal), D. Anica selecionava os atores entre crianças e adolescentes da cidade. Possuía um faro excepcional para a descoberta de bons talentos, revelando para a sociedade local a capacidade interpretativa de muitos jovens vianenses (a título de exemplo, cite-se a professora Josefina Cordeiro, Nonato de Diosne, Emira Cordeiro, Helena Travassos e tantos outros). Todas as peças eram ensaiadas por D. Anica que era ao mesmo tempo cenógrafa, pintora, diretora, iluminadora, figurinista, animadora e maquiadora.

Como amante entusiasta do teatro, chegou certa vez, às suas expensas, pedir do Rio e São Paulo, via reembolso postal, peças teatrais de autores nacionais e estrangeiros, lançadas em primeira mão no mercado por uma determinada editora.

Foto: O artista Adilson Aymoré Ramos, sobrinho legítimo de Anica Ramos, muito feliz com essa iniciativa.

Mas sua casa não foi somente palco de teatro, atelier de costura e sala de aula. Foi igualmente um pequeno conservatório de música, no qual ela incentivava o aperfeiçoamento de jovens talentos musicais . Era costume seu copiar partituras para ofertar a músicos de pequeno poder aquisitivo não só de Viana como de outros municípios da Baixada. Anica Ramos também escrevia crônicas, poemas e paródias, as quais gostava de ler para os amigos mais chegados.

É importante lembrar que esta mulher negra, de cultura elevada, criou-se numa época era que o Maranhão ainda vivia uma fase de cultura intensa e que a cidade de Viana não ficava atrás. Atravessando um período de completa prosperidade econômica e comercial, Viana possuía fábricas, grandes engenhos, boa lavoura e excelente pecuária. É natural que o desenvolvimento cultural lhe viesse dessa forma atrelado, atraindo para nossa cidade pessoas interessadas nas letras e na música vianense, como foi o caso dos irmãos Antônio e Alexandre Rayol, que aqui fundaram um ginásio, ou mesmo do advogado baiano Oscar Argollo, que se tornaria pai de nossa famosa Dilú Mello.

A sociedade, naqueles tempos, era organizada e discreta, os crimes eram raros, não havia miséria e a moral era bem exercitada. Mesmo assim, D. Anica Ramos costumava visitar a cadeia pública, dar esmolas e fazer caridade aos mais necessitados. Na opinião da sobrinha, Denise, que reside atualmente em São Luís, sua tia tornou-se um mito por ter colaborado decisivamente para que Viana vivesse uma fase de tanto valor e de tanto humanismo na primeira metade do século passado.

D. Anica Ramos faleceu no dia 15 de agosto de 1970, estando os seus restos mortais sepultados no Cemitério Municipal de Viana. Sua antiga casa foi totalmente reformada e, para quem teve o privilégio de conhecê-la, só resta puxar pelo filme da memória, para lembrar a figura dessa mulher ímpar que, como uma estrela em noite de luar, soube doar tanto brilho à constelação cultural deste município.

Se duas coisas na vida são realmente dignas de valor, estas coisas são o caráter e o saber. D. Anica Ramos foi detentora de ambas. E por isso mesmo foi escolhida pela Academia Vianense de Letras como patrona da Cadeira n° 15.

 

Por Rosa Maria Pinheiro Gomes

 

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