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Convidados: crônica do professor Edomir Martins de Oliveira, "Casa comigo outra vez!"

Do livro, "Finalmente a noiva chegou", ainda inédito.

30/04/2021 09h11 Atualizada há 2 dias
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Por: Mhario Lincoln Fonte: edomir martins de oliveira
Capa
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Capítulo 55

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA – APB

 

CASA COMIGO OUTRA VEZ!

 

Salmos: 23:1 – "O Senhor é meu pastor e nada me faltará"

  Eles eram muito jovens quando casaram. Filhos de família de classe média bem estruturada, nunca viram os pais brigando, quando viam alguns pequenos desentendimentos entre eles, comentavam que quando casassem nem esses desentendimentos ocorreriam. A vida deles seria só de alegrias e sorrisos. Ledo engano.

Casamento é constituído de pessoas que tendem a levar para o novo lar hábitos de suas respectivas famílias, moldando-os de acordo com as suas conveniências para sua nova vida. 

Os jovens confundem o amor, sentimento profundo e duradouro, com a paixão, que é perigosa por ser intensa e rápida. E foi no auge de uma paixão avassaladora, que o jovem casal de estudantes de medicina do 4º ano, que nunca se separavam a não ser para dormir, se depararam com uma gravidez precoce. Foi um choque!! Eram inevitáveis as angustiadas perguntas do que essa gravidez iria acarretar em suas vidas profissionais em formação. Ele queria ser neurocirurgião e ela pretendia ser oftalmologista, mas colocaram o filho (a) como primeira opção, pois já o (a) amavam muito. Decidiram, portanto, casar e morar com os pais dela, que se prontificaram para fazer em sua casa a acolhida do casal e futuro netinho (a). 

Eles conversaram com seus pais que precisariam de uma ajuda pelos próximos dois anos, mas que depois disso estariam formados, e já em condições de darem plantões para terem independência financeira. Ambos achavam essa dependência dos pais muito desconfortável, muito embora tenham tido apoio total de ambas famílias, que reconheciam o potencial do casal de ter uma brilhante carreira. E é bem verdade, que depois do susto, veio o casamento e a curtição geral pela chegada do (a) primogênito (a).

No começo, completamente apaixonados, continuavam a cursar a puxada graduação de medicina, porém ela enjoava muito e não estava mais em condições de estudar de forma extremamente dedicada, como lhe era peculiar. O amado ficava muito angustiado em vê-la naquele estado, mas não podia fazer nada para ajudá-la nesse problema.

E eis que o ultrassom mostrou que teriam uma menininha, e todos na família se alegraram e comemoraram muito. As avós começaram a fazer planos para um lindo enxoval rosa, e o nome da bebê começava a ser discutido. 

A filhinha do casal chegaria no início do 5º ano da faculdade, o que já seria um problema para a mãe, pois era quando se iniciaria o chamado internato, em que as faltas são extremamente complicadas. Assim, ela decidiu que pararia a faculdade no semestre em que a filhinha nascesse para poder dar atenção a ela e para evitar a realização de um período na faculdade de forma conturbada.

Lamentavelmente, ela teve enjoos por quase toda a gravidez e, assim, não tinha a menor disposição para sair. Os colegas de turma, que apreciavam demais o casal, considerados por eles um par perfeito por ambos serem pessoas excelentes, os chamavam para irem as festinhas e encontros típicos dos universitários, porém, ela não tinha a menor energia para isso. E logo iniciaram os desentendimentos, pois ele queria muito participar desses encontros com os colegas, o que a deixava extremamente magoada. Isto porque enquanto ela ficava em casa, ele se divertia em algumas noitadas com os amigos, chegando durante a madrugada. Ela reclamava e ele pedia um pouco de compreensão a ela. Explicava-lhe que era nesses momentos com os amigos que conseguia descontrair, pois com a chegada próxima da filhinha e do seletivo para residência médica, andava muito estressado. Essas explicações não eram convincentes para limpar a sua mágoa.

Mas eis que a bebezinha chegou, linda e saudável, para alegria de todos! O choro de emoção dos pais, na sala de parto, e dos avós quando viram a netinha, foi inevitável. Momento lindo, mágico e único em que todos os sacrifícios ficaram pequenos diante da grandeza do nascimento da bebezinha. Os votos de amor foram, naquele momento, renovados pelo casal, que se comprometeram a se dedicar de corpo e alma, enquanto vivessem, à felicidade da filha.

Mas logo vieram as noites mal dormidas, as angústias frente a um choro intenso de cólicas, febrículas ou diarreias próprias dos bebês. E essas preocupações, inerentes a um casal de primeira viagem, os abalava emocionalmente. Somava-se a isso a falta de dinheiro, pois como alunos que eram, a única coisa que recebiam eram uma bolsa de valor pequeno. E assim, começaram a se acentuar as brigas e, por conseguinte, o sofrimento dos dois.

  Os desentendimentos aumentavam a cada dia, chegando a um ponto em que o casal definitivamente não estava mais feliz. E com a aprovação dele na melhor residência do país, na região sudeste, ela não via como acompanhá-lo, pois, ainda tinha que finalizar o seu curso e teria que fazer prova de residência na sua cidade, pois sem o auxílio dos pais, já aposentados e que se dedicavam muito a neta, não teria como criar a filha. E ela não abriria mão disso, sob hipótese nenhuma. E por outro lado, ele lhe dissera que não poderia abrir mão da sua residência, pois tinha alcançado o feito de passar na melhor do país, o que lhe abria portas para um brilhante futuro.

Frente a essa situação, somada aos desentendimentos constantes que enfrentavam, próprio da imaturidade de um casal de jovens de 23 anos, resolveram se separar. Foi algo muito doloroso, pois sabiam que se amavam, se admiravam como ser humano, mas não estavam mais fazendo bem um para o outro. Ele reiterou, entretanto, que apesar da distância, sempre procuraria ser um pai presente. E assim, após dois anos de casados estavam divorciados. A despedida dele da filha foi tristíssima, pois ele chorava muito e, por conseguinte, toda a família.

Foto Google/Texto ML.

Eis que os anos se passaram. Ele se tornou um reconhecido neurocirurgião e sempre deu todo o apoio para a filha, que o visitava em todas as férias e, sempre que possível nos feriados prolongados também, pois ele ficou morando no sudeste mesmo. A mãe, se tornou uma excelente oftalmologista, cuja agenda estava sempre lotada com quase um mês de antecipação. Ambos eram adorados pelos seus pacientes. Portanto, aconteceu o que os pais esperavam lá no início: os filhos se tornaram profissionais muito bem-sucedidos.

Ele se casou novamente após cinco anos de divorciado e ela após sete anos. Cada um teve um filho no novo casamento, mas sempre dando total atenção à filha. Lamentavelmente, ele ficou viúvo após dez anos de casado e ela divorciou-se novamente, pois o marido implicava com a sua dedicação ao trabalho, o que nada mais era do que ciúme pelo seu sucesso profissional, coisa que ele nunca teve.

E eis que já quase iniciando a faixa dos 40 anos, ambos se reencontraram para tratar dos 15 anos da filha. E aconteceu o inesperado!! Quando um sorriu para o outro, em um cumprimento bem amável, o amor adormecido transbordou. Como estavam belos!! Definitivamente o passar dos anos lhes dera a beleza da maturidade!! Sentaram-se para conversar e quando viram já estavam conversando por mais de 4hs, sem que tivessem sentido o tempo passar. A viagem dele, que deveria ser de dois dias, se estendeu por nove e daí por diante eles não mais se separaram.

Decidiram que casariam novamente. Tinham a convicção que se amavam muito e que a separação deles só ocorreu em razão da imaturidade própria a um casal de jovens que tinha todo um caminho por trilhar. 

Convidaram todos os colegas da turma de faculdade, amigos e familiares para o casamento. Foi celebrada uma linda cerimônia em que rolou muito choro de emoção. A festa foi belíssima e muito animada. Muitos brindes e fogos de artifícios aconteciam pela felicidade do casal. Os colegas e familiares não cabiam em si de felicidade por ver esse casal novamente junto, pois sempre acreditaram que tinham nascido um para o outro. E o mais importante: os três filhos transbordavam de felicidade com esse novo enlace matrimonial, pois tinham a mais absoluta certeza que viveriam em um lar repleto de amor, cumplicidade e harmonia, lembrando a passagem bíblica de João 14:27: "Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize".

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Edomir Martins de Oliveira
Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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