A falta que a "Negona" nos faz
A "Negona" continua presente em mim
Domingo, 9, não será um domingo qualquer, tampouco um domingo de nenhum pé de cachimbo.
Assim, peço permissão aos leitores, para falar um pouco de mim, falando da parte que já se foi, mas continua presente no DNA, incluindo as atitudes diárias e a falta de "frescuras". Aquela parte que ia direto ao assunto, sem "arrodeios" e ou mimimis.
Vou falar da minha "Negona"!
Hoje, entre beijos, bênçãos, almoços e presentes, muitos comemoram o Dia das Mães – uma festa pagã que a maioria discorda quando já não tem mais o que comemorar. Aprendi na escola, antes de Paulo Freire, que isso tem o nome de "hipocrisia".
Pois, na parte que me toca a lembrança, ainda está viva na memória, aquela figura de 1,79m tocando com força nos punhos da minha rede, ainda sem a claridade do dia. Depois, aprendi que o nome daquele momento era "madrugada". Carinhosamente, chamado de "madrugadinha", ou antes mesmo que o galo cantasse.
- José, acorde. Tá na hora de tomar o purgante!
E era um purgante mesmo, na pior acepção da palavra. Eram duas colheres de sopa do intragável óleo de rícino!
Zulive! Me causa arrepios ainda hoje, só em lembrar.
Tomava o purgante e a bacia colocada debaixo da rede para aparar o mijo durante a noite, já havia sido substituída pelo penico. Era só descer da rede e fazer o serviço. Poucas horas depois, o penico estava cheio de "macarrão vivo"!
Affffmaria! Zulive, de novo!
Mas, aquele solavanco no punho da rede, dado por aquelas mãos fortes, era mais um aviso divino entre tantos que filhos e filhas podem usufruir das mães. É a necessária limpeza do corpo dos vermes absorvidos pela liberdade de andar descalço no quintal.
Melhor ainda que o intragável óleo de rícino, é a lamparina acesa colocada no caminho de cada um – filho ou filha – para iluminar a melhor direção nas coisas da vida.
O nome da criatura que faz isso, que te deu óleo de rícino, que te iluminou o caminho e que te mandou "esfregar bem as orelhas" durante o banho, é "Mãe"!
No meu caso específico, tive a liberdade de chama-la de "Negona", para ter sempre em resposta aquele sorriso largo, como se estivesse recebendo um buquê das mais lindas rosas e margaridas.
Que falta me faz, hoje, a minha "Negona"!
II
Todas as "negonas" deveriam ser eternas. Mas, "eternas" não apenas nas nossas lembranças – mas, que a gente as pudesse vê-las e tocá-las, sempre.
Pois, quando me vem à memória no usufruto do silêncio emoldurado pela poesia da vida, aquele perfume inconfundível que aquela "não-Negona" deixava quando entrava na Redação e, por mágica, se tornava mais forte e desejado, quando saía e ia embora.
Nesse domingo pagão – mas, necessário para a nossa existência – quero dividir os buquês de rosas e margaridas; a mesa farta da comemoração; e um caloroso beijo no coração, com Mhario. Não um Mhario qualquer. Com um Mhario Lincoln que, como eu também já não tem mais uma "Negona".
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