“A história da foto”
Capítulo 18
Nilmar
Convidado especial: Roger Dageerre
Era uma vez uma senhora, bisneta da irmã de Maria Bonita, cunhada de Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião. Era a bisavó dela que cuidava da casa enquanto Maria Bonita acompanhava o bando de Lampião. Ela, a bisneta da irmã de Maria Bonita, procurou uma delegada de polícia civil para revelar algumas informações sobre o casal do cangaço. A delegada estava ocupada, mas percebeu que aquela senhora não estava brincando e que o assunto parecia ser sério.
Não era bem um depoimento, mas sim uma história que talvez nunca tivesse sido revelada antes e, por isso, deixou que a bisneta da irmã de Maria Bonita contasse as novidades. Para saber se ela estava falando a verdade, perguntou onde e quando eles nasceram. Ela disse que Virgulino nasceu mesmo no dia 4 de julho de 1898, no povoado Vila Bela, hoje Serra Talhada, em Pernambuco. Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Déa, e que depois ficou famosa como Maria Bonita, nasceu dia 8 de março de 1911, no povoado Malhada da Caiçara, município de Santo Antônio de Glória, hoje Paulo Afonso, na Bahia.
Ela contou que a sua bisavó foi trabalhar para Maria Bonita a pedido de sua madrinha Maria Sucena da Purificação, mãe de Lampião. Antes de morrer, contou que o Capitão, como era também conhecido, era um justiceiro e devoto de Padre Cícero, como contam os escritores da Literatura de Cordel. Mas o apelido que ganhou – Lampião – não foi porque atirava em sequência, mas porque tinha medo de escuridão e obrigava um de seus capangas a andar à noite com um lampião aceso. Também morria de medo de barata. Dizia que se pisasse numa barata seria capaz de morrer vomitando sangue.
Maria Bonita, a verdadeira corajosa, pois era ela quem matava todas as baratas que apareciam na casa, usava sandálias de couro para esmagá-las, enquanto Lampião subia nos móveis morrendo de medo. Maria Bonita tinha pavor de cobra, por isso não andava sem Virgulino, porque ele atirava na cabeça de toda cobra que aparecia no caminho deles. Maria Bonita cuidava das armas, munições e o que contam é que o bando conseguia armamento porque os fazendeiros da região forneciam as armas para Lampião expulsar os invasores. O bando usava faca e carabina 44, depois passou a receber rifles Winchester de aço que os donos das fazendas doavam para o serviço ficar bem feito, não era roubado da polícia como contam nas histórias de Cordel.
Antes de conhecer Maria Bonita, Virgulino era do bando de Sinhô Pereira e, em 1922, matou o informante que entregou o seu pai à polícia. Em 1930, se juntou a Maria Bonita, na Bahia. Foram vinte anos viajando com seu bando de cangaceiros, todos montados a cavalo e em trajes de couro, chapéus, sandálias, casacos e cintos de munição.
O dia 28 de julho de 1938, em Grota de Angicos, Sergipe, ficou conhecido como o dia da traição. A polícia soube onde o bando estava escondido porque um integrante, que se apaixonou por Maria Bonita, contou à polícia onde eles estavam. Traiu o bando só porque ela não quis saber dele, pois amava muito Lampião. Foi muito rápida a ação da polícia. O Capitão e mais onze cangaceiros foram alvejados, morreram na hora e tiveram as cabeças decepadas. Maria Bonita foi baleada, mas não morreu no momento. Ainda com vida, teve também a cabeça decepada. Tudo aconteceu por conta de ciúmes doentios. Se o cangaceiro não tivesse se apaixonado pela mulher errada, talvez a luta final fosse menos desleal e cabeças não teriam sido exibidas como troféus. A neta da Irmã de Maria Bonita reconheceu que não era correto comandar o cangaço e que seria mais justo se fossem presos e condenados como determina a lei, mas que “olho por olho e dente por dente” é a melhor forma de se fazer justiça. E todo bandido tem que saber que o crime não compensa...
Roger
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