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"Quando o Coração Chama", mais uma bela crônica do professor Edomir Martins de Oliveira

Ela disse que sabia que estava chegando sua última hora, mas que partiria em estado de graça, pois realizara seu sonho de se ver unida ao grande amor de sua vida e, assim, se apresentaria junto ao Criador.

14/05/2021 09h03 Atualizada há 4 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: edomir martins de oliveira
ilustração: ML
ilustração: ML

Capítulo 057

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA - APB 

QUANDO O CORAÇÃO CHAMA

(Esta crônica ofereço a Cotinha, de Brasília – DF -, amiga, leitora e comentarista, que me acompanha desde o primeiro capítulo das minhas publicações)

Salmo 41:3 – O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença tu lhe afofas a cama. 

      O casal iniciou o namoro quando ainda universitários, que prosperou e os levou ao casamento. Ele, funcionário de um banco e muito dedicado ao trabalho, logo conquistou bons cargos, graças à competência e simpatia com que tratava seus colegas, clientes e seus superiores hierárquicos. Fez vários cursos de interesse do serviço, tendo chegado a conquistar o título de implantador de agências.

Casaram-se, pronunciando com alegria o célebre SIM. Viajaram para passar a lua de mel na paradisíaca Ilha de Angra dos Reis, com suas praias reservadas, e lindas cachoeiras que, como um poderoso imã, atrai os casais. Retornando, foram morar em uma casa, com belo jardim à frente.

  Graças à presença de Deus em suas vidas, estavam felizes.  Ele, quando viu após 30 dias de casados, sua esposa amanhecendo com enjoos e vômitos, começou a ficar ansioso pela saúde dela. Aquela era a mulher de sua vida, que ele amava e não podia vê-la doente. 

  Levou-a ao médico – gastro - que, depois dos exames clínicos preliminares, recomendou-lhes que procurassem um médico especialista em ginecologia e obstetrícia, pois os enjoos deviam ser causados por uma gravidez que ele supunha existir. Procuraram o especialista indicado, médico da mãe da jovem esposa. Este, depois dos exames de praxe, deu-lhes os parabéns. Iam ser pais. Foi uma contagiante alegria dentro do consultório mesmo. Começaram a perguntar se deviam fazer restrições alimentares e que outros cuidados deveriam ser tomados. Como resposta, o médico sorrindo lhes disse que gravidez nunca fora doença. Que seguissem o ritmo de suas vidas, com boa alimentação.

Quando o médico, depois, lhes disse que estavam duplamente presenteados por Deus, o marido, inocentemente, perguntou se era porque ele e a mulher eram dois pais felizes, e obteve como resposta que não, era porque seriam pais de gêmeos. Havia escutado dois coraçõezinhos batendo, e os fetos estavam bem. 

Quando as crianças nasceram foi uma festa só. A emoção tomou conta dos pais e avós maternos e paternos, que choravam emocionados. Todos somaram esforços para receber os bebês!!! As crianças chegaram saudáveis e choronas. Era um casal de recém-nascidos muito bonito.   

O autor.

Oito anos depois de casados, o marido foi mandado pelo banco onde trabalhava, para implantar uma agência no interior.

Fez um belíssimo trabalho na agência implantada e foi designado para gerenciá-la. Desde os tempos de universidade era tido como jovem namorador. E isso começou a preocupar a jovem esposa, ao saber que ele se afastaria de casa a serviço. Até então, junto dela, era um marido e pai exemplar.

 Ele parecia descendente de Seu Quequé - herói de telenovela, baseada no conto Pensão Riso da Noite – pois tinha um fraco enorme por mulheres, que em toda cidade que chegava se apaixonava. Tinha uma facilidade enorme de enamorar-se, mas dentre todas, escolhera a que agora era sua esposa. Não estava curado da paixonite aguda. Apaixonou-se por uma moça do interior, onde havia implantado a Agência.

Não tardou para que a sua esposa fosse informada de que ele estava agora com uma namorada, e com ela já morando juntos. Foi ao encontro dele e o surpreendeu, apurando os fatos como verdadeiros. Decepcionadíssima, disse que desejava se divorciar. Não adiantaram as confissões de que era muito amada e que não podia se separar dela, pois era o amor de sua vida. Ela voltou. Ele foi a capital para dissuadi-la, sem sucesso. Se divorciaram.

Ele voltou-se para o trabalho e embora desolado, seguiu sua vida de divorciado. Depois de algum tempo, abandonou a mulher com quem estava vivendo, pois viu que não havia amor. Foi apenas uma paixão.  Amava mesmo era a sua ex- esposa. 

  Meses depois, no aniversário dos filhos foi visitá-los. Agora, com os ânimos serenados, conversou com sua ex- esposa, e reconheceram que se amavam muito. Iriam casar pela segunda vez. Estava de volta à sua cidade, pois já cumprira a sua missão. E assim fizeram. Cinco anos depois, foi designado pelo banco, para implantar nova agência, da qual ele seria o gerente.

Lá chegando, foi acometido novamente pela “síndrome de seu Quequé” –“paixonite aguda”-.  Apaixonou-se por uma jovem que haveria de trazer-lhe outro transtorno na vida. Foi com ela morar, consciente de que ela era mulher muito ciumenta. Logo, exigiu-lhe que se divorciasse, com o que ele não concordou de imediato. Desta vez, ele viu como era indigno da sua esposa. Não a respeitara novamente. 

Em um “Dia das Mães”, foi visitá-la e aos filhos, pois justiça se faça era um pai sempre presente, não deixando faltar nada às crianças. Pagava-lhes mensalmente pensão alimentícia. Confessou a sua esposa o envolvimento em que se metera e que reconhecia que não era digno dela, embora a amasse. Iria se divorciar pela segunda vez, deixando-a livre de compromisso matrimonial. Divorciaram-se. Voltou para o interior onde trabalhava cheio de tristezas e inquietações. A mulher com quem ele estava convivendo disse-lhe que ele lhe interessava enquanto era homem proibido; como divorciado não mais a interessava e iria abandoná-lo. O que fez em seguida.  Ele ficou sozinho, durante um bom tempo.

  Os filhos estavam agora com 17 anos de idade. Aproximava-se o Natal. Ele resolveu que iria passar com eles e a ex-mulher, pois eles o haviam informado de que a mãe estava com a suspeita de estar com um câncer. Estavam fazendo o teste para confirmação do diagnostico inicial. Esse mostrou-se positivo, e outros exames complementares confirmaram que era realmente um câncer de pâncreas. 

  Foi visitar seus filhos e a ex- esposa. Era um motivo para ver de perto a situação. Levou-lhes presentes, um em especial, para a ex: um coração em ouro, gravado no verso: “continuo te amando muito”.  

  Ele conversou com o médico que a assistia e tomou conhecimento que o câncer era muito agressivo, e que ela poderia ser internada a qualquer momento. A quimioterapia não estava dando os resultados desejados. Ela ficava altamente abatida após cada sessão. Era irreversível, pois já apresentava sérias metástases no fígado e peritoneais. Frente ao quadro avançado em que se encontrava, o tratamento para ela seria apenas paliativo, para minimizar o seu sofrimento.

Ele então a pediu em casamento novamente, e disse-lhe que desta terceira vez, eles casariam para sempre, como deveria ter sido desde a primeira vez. Ela, no seu leito de dor, concordou com muita alegria. Ele disse aos filhos que não queria que ela morresse divorciada. Foi a um cartório de família, contou tudo para a titular, e esta providenciou para que casassem no próprio leito Hospitalar, no chamado de casamento “in extremis”. A escrivã, em nome da lei, lavrou o termo de casamento na presença de duas testemunhas e os casou. Ela, com sorriso nos lábios, transbordando de alegria no olhar, assinou o livro e recebeu a certidão de casamento. Casados pela terceira vez, com a presença dos filhos, que estavam sempre dando o maior apoio à mãe.  

  Ela disse que sabia que estava chegando sua última hora, mas que partiria em estado de graça, pois realizara seu sonho de se ver unida ao grande amor de sua vida e, assim, se apresentaria junto ao Criador. Três dias após, sua saúde piorou, e junto com marido e filhos, de mãos dadas, oraram: “Pai Nosso, que estás nos Céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e a glória, para sempre. Amém. Bíblia Sagrada, Evangelho de Mateus 6:9-13. 

Então, ela falou bem baixinho com a força mínima que ainda lhe restava: - tive quatro momentos de intensa felicidade nesta vida: - o nascimento dos nossos filhos e os três casamentos com você. Estou novamente muito feliz. - e soltou a mão do marido, pois o cansaço não lhe permitiu mais falar. Ele, sentindo que a sua amada estava nos seus últimos momentos, citou a ela João 11: 25-26, muito emocionado com lágrimas rolando em abundância pela face, o que se repetia também na face dos filhos: "Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?" Ela balançando a cabeça positivamente, responde ao marido e filhos, e diz dentro do minimamente audível: - Sim, vou em paz. Muito obrigada por me fazerem tão feliz!! Foram as suas últimas palavras. Exalando o último suspiro, partiu para os braços de Deus..  

 

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Edomir Martins de Oliveira
Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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