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Colunista Edomir de Oliveira escreve sobre A Magia do Amor, numa roda de capoeira

Na capoeira, a extraordinária movimentação dos corpos, girando dentro da roda, dando suas cambalhotas e outros saltos, com leveza e elegância é digna de muitos aplausos.

21/05/2021 09h30 Atualizada há 3 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: edomir martins de oliveira
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Capítulo 58 

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira

Vice-Presidente Nacional da ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA – APB

(Salmos 89:1 – Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó Senhor; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade.) 

(Esta crônica dedico ao meu amigo Pedro Santos, de Salvador - BA, leitor e comentarista de minhas crônicas que me acompanha desde a primeira publicada)  

A MAGIA DO AMOR 

                  Realizava-se um Festival de Capoeira. Eles, adeptos, ali se conheceram. Depois do primeiro encontro, vieram outros sucessivamente. Começaram um namoro, onde, mais à frente, no centro de uma roda de capoeira, ele, de joelhos, pediu-lhe em casamento.

O Autor.

Agora, comemorava-se novo festival. O mestre distribuía camisetas contendo frases positivas alusivas à capoeira e, inclusive, em homenagem à sua amada. Tudo era muita festa naquele grupo de amigos capoeiristas, que sempre se apoiavam, se solidarizando entre si, valorizando a amizade e a harmonia. Um episódio interessante a ser registrado é que duas frases dessas camisetas refletiam o título de duas crônicas que o mestre houvera lido e gostara muito. Isto despertou o interesse de todo o grupo, que quis saber a que se referia, quando ele então contou, e daí por diante os presentes passaram a ler as crônicas do autor, por terem se identificado também com a sua forma de escrita e respectivas abordagens. 

Na capoeira, a extraordinária movimentação dos corpos, girando dentro da roda, dando suas cambalhotas e outros saltos, com leveza e elegância é digna de muitos aplausos. Os capoeiristas, ao fazerem sempre os seus jogos, apresentam tudo com a maior elegância, disciplina, alegria e, assim, seguem felizes e levam contentamento a todos os que os assistem.  

Foi nesse contexto, que o nosso jovem casal entrou na roda e, ajoelhado, ele a pediu em casamento, declarando a sua paixão no ritmo musical da capoeira, prendendo a atenção de todos. Ela ficou muito emocionada com a surpresa e deu o tão sonhado “sim”. Então, um amigo da roda entregou ao pretenso noivo uma caixinha que ele abriu, ainda ajoelhado e lhe mostrou as alianças, colocando uma delas no dedo anelar da noiva. Ela, com lágrimas rolando, fez o mesmo, colocando-lhe a outra aliança. Ele continuava a cantar, comparando a sua noiva a uma ninfa que cantava e o encantava. A música, ele entendia que mexia muito com todos que a ouviam, lembrando que as noivas capoeiristas geralmente cantam e encantam ao sabor do ritmo da dança e se transformam em ninfas na mente dos seus amados. Os presentes, na roda de capoeira que a tudo assistiam, estavam emocionados com o momento. A alegria tomou conta do recinto contagiando a todos; e o espetáculo de capoeira, nesse dia, foi inesquecível. 

        Empolgados, os noivos começaram a trocar ideias de como poderiam realizar o casamento. Certamente teria que ter uma roda de capoeira, com eles ao centro em uma apresentação muito bem ensaiada. Quando ela comentou isso em casa, super animada, a sua avó lhe perguntou: - Filha, como vai dançar capoeira de vestido de noiva? No primeiro pulo todo mundo vai ver o que está por baixo do vestido. - E ela respondeu para a avó, cheia de amor: - A senhora tem toda razão, minha avó. Vou produzir duas roupas e ele também: uma, vestida de noiva, para o SIM, e a outra apropriada para o momento da capoeira. A avó ficou aliviada, pois amava muito essa neta e respeitou a sua opção por um casamento diferente do modelo tradicional.

Eis que decidiram casar no cartório e depois iriam se dirigir para um salão de festa em que promoveriam uma bela recepção. Entrariam de forma tradicional no recinto, ao som de berimbaus e violinos. A decoração do salão seria toda de flores brancas e muitas folhagens, retratando a PAZ que o mundo precisa e que tanto os noivos pregavam e valorizavam. Outro ponto importante para eles seria o bolo, que queriam grande e muito belo com um casal de capoeiristas em cima, simulando passos de capoeira.

        E assim ocorreu, conforme tudo planejado. A entrada dos noivos ficou lindíssima, ele com sua mãe, e ela com um tio muito querido, haja vista que o seu pai já havia falecido, bem como sua mãe. Um mestre capoeirista, muito admirado, se prontificou a dizer algumas palavras, quando os noivos estariam à frente dos convidados e trocariam as alianças de mãos. E assim aconteceu.

       Durante a cerimônia, esse amigo, citando o Mestre Pastinha, disse a eles: - Não esqueçam que capoeirista não é aquele que sabe movimentar o corpo e, sim, aquele que se deixa movimentar pela alma. E lembrem também das palavras do Mestre Bimba: - "Os valentões são inúteis. Numa guerra não duram muito. Nos lugares realmente perigosos, os verdadeiros duros são os homens cautelosos, que respeitam todo e qualquer ser, desde um animal, e que levam a sério os seus próprios medos". E continuando, citava: - Nunca esqueçam que sem humildade não serão jamais capoeiristas, mas apenas lutadores de capoeira. Portanto, unam as suas almas, sejam humildes e guerreiros da paz, e apliquem tudo de maravilhoso que a capoeira prega, como a humildade já citada, mas também respeito, união, equilíbrio, disciplina, companheirismo e lealdade. 

      No salão, se encontravam amigos e familiares católicos, protestantes, espíritas, adeptos do candomblé, mas as palavras proferidas pelo Mestre da Capoeira eram universais, de amor e paz, portanto, bem recebidas por todos os adeptos das diferentes religiões presentes no recinto. Representavam, assim, a citação Bíblica de I Pedro 2:17: - Respeitem todas as pessoas, amem os seus irmãos na fé, temam a Deus e respeitem o Imperador.

     Eis que depois da solenidade, os noivos trocaram de roupa e voltaram vestidos de capoeiristas. E acompanhando a noiva, seguia a sua avó, que também havia trocado a roupa para entrar no ritmo da noiva, sendo a maior surpresa da noite. A avó havia dito a neta que gostaria muito de homenageá-la nesse dia. E, secretamente, a treinaram para tocar o berimbau. E a avozinha foi super disciplinada nos treinos e os colegas ficaram impressionados com a sua evolução. Portanto, quando a avó entrou tocando o berimbau, ocorreu uma sonora salva de palmas.

     Antes do início da apresentação, a noiva proferiu algumas palavras aos presentes: - Amo a capoeira e tudo que ela proporcionou na minha vida. Eu era muito tímida e ela me ajudou na interação social, desenvolveu a minha força corporal, mantendo-me em forma, aumentando a minha autoestima e melhorando a minha confiança. E, certamente, se apresenta para mim como um verdadeiro antídoto no combate ao estresse e ansiedade, além de ter me estimulado a desenvolver valores muito especiais. E o mais importante, é que foi na capoeira que encontrei o meu grande amor, em que espero fazê-lo feliz pelo resto de nossas vidas. - O noivo a levantou e lhe deu um beijo apaixonado em que demonstrava que gestos, às vezes, podem falar mais que palavras. Todos aplaudiram muito e os berimbaus, atabaques e palmas começaram a soar com uma animação jamais vista naquele salão. A vovó estava em um momento de felicidade plena com o berimbau na mão, cheia de orgulho da neta que já se apresentava na roda com o seu amado. 

      Mas a surpresa não parava por aí. Um sobrinho de sete anos do noivo também treinou muito antes do casamento, para lindamente e cheio de empolgação, se apresentar. Quando entrou, teve um coro de “Ohhh, que lindo’!!, e ele, muito entusiasmado, deu o seu melhor, outro ponto áureo da festa. Virou ídolo das crianças presentes, onde várias diziam aos pais: - Mãe, me matricula na capoeira??; - Pai, quero aprender capoeira para ser melhor do que ele. Ahh, a inocente competição das crianças já ali se apresentava. Mas o melhor foi outra senhora de 77 anos que disse ao marido: - vou aprender a tocar berimbau, pois achei o máximo a avó da noiva. E o marido: vamos ver, ok?? E ela: - ver o quê?? Na 2a-feira irei iniciar. E o marido resignado diz: -como sei que quando você mete uma coisa na cabeça ninguém tira, então lhe apoiarei e irei com você. Quem sabe aprendo o atabaque-?? 

     E assim, a festa entrou pela noite. Muito astral, alegria e respeito às diferenças religiosas. Após a roda de capoeira, uma banda excelente iniciou tocando músicas dos anos 60, 70, 80 e 90. Ninguém conseguia ficar parado muito tempo em suas cadeiras, pois o som estimulava os convidados a irem para o salão. A vovó não parava de dançar, deixando todos impressionados com o seu condicionamento físico. 

    Sabe aquele casal da melhor idade, cuja mulher queria aprender a tocar berimbau? Deu um show de dança e foi imensamente aplaudido. E eis que ela se vira para o marido: - Mas na dança sou melhor que a avó da noiva, né?? Ahh novamente a competição inerente ao ser humano!!. E ela recebeu, como resposta, um beijo apaixonado do marido dizendo ao seu ouvido: Para mim, você é a melhor dançarina do mundo-!! E continuavam a flutuar pelo salão.

   Passou-se muito e muitos anos, mas o casamento dos capoeiristas que construíram uma família muito linda de três filhos, continuava a ser lembrado como um feliz e respeitoso acontecimento. Invoca-se aqui o Salmos 118: 1 – Dai graças ao Senhor porque ele é bom e sua benignidade dura para sempre.

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Edomir Martins de Oliveira
Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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