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ESPECIAL: entrevista com Edomir Martins de Oliveira/Mhario Lincoln/Edomir Martins de Oliveira

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11/06/2021 14h12 Atualizada há 3 dias
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Divulgação
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EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA/MHARIO LINCOLN/EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA

MHARIO LINCOLN para EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA

Mhario Lincoln - (01) - “Um homem do bem/um Homem de Deus”. É assim que inúmeros comentários vindos de várias etnias, meios sociais, religiões lhe definem. Então, você é um evangélico com estrutura e Fé suficientes para ouvir e entender outros chamados, que costumam fervilhar em suas histórias de amor, publicadas na plataforma do Facetubes.com.br A pergunta é: qual dos 10 Mandamentos (a base da disciplina cristã) lhe serviu de apoio para garantir essa sabedoria, essa compreensão e essa ilibada vida de presbítero?

Edomir Martins de Oliveira – Não me parece que seja apenas um dos mandamentos que orientou minha formação e tem orientado meu dia a dia. A transformação em nossas vidas se dá cotidianamente, quando nos conscientizamos de que precisamos obedecer, com respeito, ao conjunto deles. Não podemos nunca pensar que todos somos perfeitos. Descobre-se cedo, bem cedo mesmo, que somos falhos e imperfeitos. A maneira de se lidar com estes erros, é com uma autocritica, para que possamos corrigi-los; vamos nos ajustando aos poucos e assim prosseguimos. O amor e o respeito ao próximo, às instituições religiosas, às etnias, e o saber viver no meio social, nasce com a obediência de que os ‘10 Mandamentos’ são a base de tudo e do crescimento constante, e disso dependemos.

MHL - (02) – As suas histórias de sucesso, tem como fundamentos três importantes pontos: o tema em si, as importantes citações bíblicas e o final feliz. Mesmo com alguns parágrafos turbulentos, pequenas confusões e ciúmes. Isso significa que o amor sempre vence no “gran finale”. Então, pergunto: qual é essa magia do amor? 

Edomir – Essa “magia de amor” cresce a cada dia, no meu lar, com a convivência harmoniosa, com minha família, (esposa, filhos, netos e bisneta, e demais parentes), onde predomina muito amor. Sempre gostei muito de ler.  Sou leitor de durante o dia e até mais de meia noite, mas a leitura, também, chega a um momento, que exige pausas para fazermos reflexões e descanso para outras coisas. Entre essas, durante a pandemia, surgiu a vontade de escrever crônicas sobre o quotidiano, principalmente sobre casamento, onde as noivas primam pelo atraso. Tem sido bom ocupar meu tempo, escrevendo-as, sem ficar deprimido pelo isolamento social. Sempre respeitei meu próximo, fosse em sala de aula, no trato com meus alunos e colegas, como professor, como bancário, ou como advogado. Então, comecei aproveitando a oportunidade que você me ofereceu, como Editor do Facetubes.com.br, a produzir e publicar semanalmente minhas crônicas. Assim, com muito admiração que tenho às letras e às artes, é muito oportuno lidar com o meu próximo e compartilhar com ele, a mágica do amor, através das minhas crônicas, levando sempre a todos, mensagens de Deus e de otimismo, pois quando há amor este sempre vence. 

MHL – (03) – Existem algumas curiosidades relacionadas às pessoas que vivem muito. Há teorias alimentares, psicológicas, religiosas e fisiculturistas. Pergunto: o que faz uma pessoa viver tantos anos e passar dos 80 com tanta produtividade mental e física?

Edomir – Diria que sou um homem abençoado por Deus. Nunca tive restrição alimentar, nem sofri pressões psicológicas para fazer ou deixar de fazer algo, nem pratiquei fisiculturismo para desenvolver musculatura, visando fins estéticos. Agora frequento academia de ginástica, para alcançar e manter sempre melhores condições físicas de vida. Entendo que não ter cometido extravagâncias, não sendo fumante nem chegado a bebida alcoólica, ajudou-me muito. Tive uma tia, de saudosa memória, Antônia, que me estimulou muito à leitura e escrita, fazendo resumo do que tinha lido para depois discutirmos. Foi assim, que na época da minha adolescência, ela me presenteou e eu li as obras de José de Alencar, Humberto de Campos, Machado de Assis, Coelho Neto, Camilo Castelo Branco, Castro Alves, Gonçalves Dias e outros clássicos da literatura universal, que me enriqueceram muito. De cada livro lido fazia uma resenha para discutir com ela o aprendizado. E fazendo por escrito, aprendia não só a ler, como a escrever. Acredito que a minha produtividade, muito se deve ao início, onde prevaleceu o estímulo dela, e hoje dou continuidade, graças ao incentivo de pessoas de minha família e de amigos como você, meu compadre.

MHL – (04) - Em São Luís do Maranhão, lá pela década de 60 (hoje é diferente), se ouvia falar muito que o homem para sobreviver à guerra tóxica do mundo moderno teria que ser sábio. E para isso, obrigatoriamente teria que passar por um Colégio Militar, um Seminário ou um Colégio Católico. Isso na teoria, poderia dar uma visão ampla de Estratégia pessoal, da Literatura e da Ciência. Pelo seu belo histórico de vida, sua inteligência, criatividade, educação e Fé fugiram a essa regra. Pergunto: de onde vieram tantos benefícios já que você não foi militar, nem seminarista nem estudou em colégio de padres?

Edomir – Fui criado sob rigorosa observação materna, pois minha mãe desenvolvia o papel de pai também, vez que o perdi aos 6 anos de idade. Meu pai era cirurgião dentista, e morreu vitimado por um AVC, que ainda hoje ceifa a vida de muitas pessoas. Minha mãe, mulher de profunda fé em Deus e muito religiosa, como todos os meus familiares maternos, não perdia a frequência aos cultos na Igreja, e me levava consigo. Ali aprendi muito de preceitos bíblicos e tive sólida formação evangélica. Na Escola Bíblica Dominical aprendi a escutar e discutir sobre temas bíblicos com o professor, o que me ensinou a apresentar argumentos e discuti-los. Criava situações em classe, tendo minha educação e instrução firmadas nesses princípios, sem nunca ter frequentado Seminário, Colégio Militar ou mesmo Colégio Religioso.

MHL – (05) – Admiro muito sua trajetória literária. Desde quando nos conhecemos na faculdade de Direito, você, professor emérito. Eu, seu aluno e admirador. São artigos, livros, estudos e publicações em revistas. Pergunto: quais as mais importantes obras e qual delas lhe trouxe a certeza de que o caminho a ser seguido era o da literatura?

Edomir – Na área do Direito ressalto “Elementos de Direito”, publicado pela Editora José Bushatsky, em São Paulo, o editor e livreiro que me deu a primeira grande oportunidade. Outros vieram, tais como, “Desquite e Divórcio” e publicações diversas, como as constantes da Revista Fiscal Associada do Brasil, Revistas: da OAB-MA e do IHGM, Revista da Associação Comercial do Maranhão. No campo da literatura escrevi “Pétalas Caídas”, meu primeiro livro que destaco como ponto de partida. Escrevi muitas poesias avulsas, com publicações distintas.  Passei a descobrir-me fazendo crônicas, identifiquei-me tanto, que deixei de lado escrever poesia, pois sou da escola dos versos rimados, decassílabos, alexandrinos, e valorizava muito o parnasianismo, com rimas, métricas e musicalidade, que não são mais observadas, salvo exceções. Hoje a predominância é dos versos brancos. Na obra de Guilherme de Almeida, “Meus Versos Mais Queridos” há um poema chamado “Versos Brancos” e de Mário Quintana ocorre-me “Esperança”, todos versos brancos com expressão da alma dos poetas, que valem a pena ser lembrados.

MHL – (06) – Durante todos esses anos – e lá se vão mais de 50 – que nos conhecemos, admiro, assaz, os Figueiredo de Oliveira. A abençoada união de duas famílias escorreitas, simples e sábias. Isso me lembra Rui Barbosa: “(...) a família é a célula-mater da sociedade”. Honoré Balzac: “Considero a família e não o indivíduo como o verdadeiro elemento social” e Nietsche: “Ai daquele que não tem um lar”. Pergunto: qual o segredo da grandiosidade moral de sua família? 

Edomir – Os mesmos ensinamentos que recebi, procurei transmitir aos filhos. O mesmo rigor que tive na minha formação, também ensinei a eles, e nisso tive a efetiva colaboração de minha adorada esposa. O que lhes fizemos foi feito com rigor, temperado com muito amor, o que lhes foram muito salutares. Encontrei reações deles, pois lhes foi difícil entender, o porquê daquele rigor de nossa formação, aplicado neles também, em outra época que era vivida. Felizmente entenderam e hoje nos agradecem pela formação que tiveram, pois iriam viver em uma sociedade cada vez menos tolerante e mais exigente. Meu casal de filhos ocupa belo espaço social e profissional, e dá graças a Deus pela criação que lhes foi transmitida, o que os leva a um comportamento social e moral, que nos deixa muito felizes.

Mhario Lincoln para Edomir de Oliveira.

MHL (07) – Acerca do que é expresso em Matheus 10-34: “(...) não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada. De fato, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares”, pergunto: em que situação real o cristão deveria entender esses ensinamentos Bíblicos?

Edomir – A Bíblia de Estudo da Reforma, nos ensina muito bem como interpretar o texto em referência. Essas palavras de Cristo se referem à busca de resolver conflitos externos e internos, para explicar aos apóstolos a verdadeira finalidade do Ministério Messiânico, o que não era tarefa fácil para eles, pois muitos incrédulos, não aceitariam e até os perseguiriam. Os conflitos externos se resumem na luta das pessoas que não são convertidas a Ele e que reagem para não receber a conversão, destacando-se o fato de que os seguidores vão enfrentar a ira e hostilidade do mundo alheio a Cristo, enquanto que os internos se referem aos familiares, onde seus próprios irmãos não acreditavam e até o criticavam, tendo só mais tarde sido reconhecido ser Ele o filho de Deus e tornaram-se seus seguidores. O amor Supremo a Cristo tem que ser superior aos laços familiares, pois quando a pessoa desaparece com a morte física, o que vem prevalecer é a irmandade celestial com o Deus Pai. Sobre essas pessoas é que desce a luta pela conversão, onde a palavra de Cristo é espada, descendo para separar os convertidos dos não convertidos no mundo externo, ou na própria família. Não é o fato, por exemplo de um familiar estar procedendo com mau comportamento, que eu tenha que apoiá-lo. Aí é que desce a espada para separar o mau, do bom e correto caminho. É doloroso não poder apoiar parentes em determinadas circunstâncias. Mas, nos erros comprovados, é importante ficar ao lado de Cristo, dispensando ao familiar muito amor e advertindo-o para trazê-lo ao caminho correto, quando então podemos e devemos apoiá-lo, transmitindo-lhe o amor de Cristo.

MHL (08) – Autor de vários trabalhos jurídicos, destacando-se “Elementos de Direito” e “Considerações sobre Desquite e Divórcio”, você conseguiu inúmeras vitórias nos tribunais federais, coroando essa aplaudida caminhada como advogado atuante e respeitado em várias áreas. Pergunto: quais razões levaram seu coração a pedir para trocar petições por crônicas e contos?

Edomir - É que chega um momento em que não podemos estar mais correndo para tribunais, audiências, etc. O peso da idade leva-nos à certeza de que está na hora de procurar coisas mais leves para fazer. Escrever para a área jurídica significa atualização constante da literatura própria e isso é pesado. Custei a entender que as minhas crônicas não podiam ser recheadas de palavreado jurídico. Foi preciso me reeducar para evitar o vocabulário próprio dos tribunais e voltar as atenções para o jornalismo, ainda que elementar. Por diversos exemplos e estudos paralelos passei a ver como é fácil falar nessa tonalidade. Aí o coração foi dedicado integralmente às crônicas. Sinto-me feliz. 

MHL – (09) – Li e reli “Reflexões Bíblicas”. Um livro forte que você escreveu com mensagens extraordinárias. Mas às páginas 81 conta a história de uma visita ao Presídio Público, onde você indagou sobre a condenação de um rapaz e ele mesmo contou a razão de estar ali. Havia sido pelo assassinato de seu primeiro amor, “então, aquele que poderia ser amor de salvação, acabou se transformando em amor de perdição”. Pergunto: onde exatamente está a linha tênue entre os dois amores?

Edomir – Aquele texto em referência, quando o escrevi, me lembrei do escritor romântico português Camilo Castelo Branco, no seu “Amor de Perdição”, e “Amor de Salvação” – onde o autor mostra sua inquietude diante das injustiças e da hipocrisia da sociedade daquela época. Se resume ao fato de que “Amor de Perdição” conta a história de um amor que não deu certo, enquanto “Amor de Salvação”, conta a história de um amor em que mesmo com obstáculos, o casal conseguiu ficar junto. William Shakespeare, o famoso bardo inglês, em Romeu e Julieta, nos faz perceber a presença de um amor de perdição, a partir do preconceito e do ódio entre as famílias Capuleto e Montecchio, em Verona, que impediu o casal de namorados de ficar juntos, levando os dois à morte por não poderem concretizar seu sonho de amor. Tristíssimo: Romeu mata Páris pretendente de Julieta, e em seguida toma veneno. Quando Julieta compreende que Romeu tomou o veneno, ela se mata com o punhal de seu amado. Por fim, proibidos de viverem essa história, eles escolhem a morte. Fato parecido aconteceu com Tristão e Isolda, lenda medieval celta de um trágico amor, cercado entre as aventuras e desventuras de um jovem casal apaixonado, que necessita vencer complexas adversidades político-sociais para se unir definitivamente. Enquanto em Romeu e Julieta o casal não consegue ficar junto, Tristão e Isolda, fugindo o tempo todo, conseguem, mesmo que por pouco tempo; aquilo que seria um amor de Salvação, transforma-se em amor de Perdição, pois ao final ambos morrem; ele envenenado, ela quando sorve parte do veneno ao beijá-lo, também morre e seu corpos são encontrados abraçados e entrelaçados. A lenda é extraordinária e ainda nos conta: “(...) sobre a tumba de Tristão e Isolda nascem dois arbustos, cujos galhos entrelaçados, não podem ser separados...indicando que o amor deles vencera”. Fora um amor de Salvação, mesmo após a morte.

MHL – (10) – Neste mesmo livro de grandes reflexões, há uma passagem onde é falado sobre a ‘Ética Absoluta’ e a ‘Ética Cristã’, isto é, “há um enorme abismo entre elas”, escreve você. Pergunto: há como enunciar tais elementos que formam essa abissal diferença?

Edomir – Ética absoluta é aquela baseada em normas e regras, onde as pessoas querem viver segundo sua maneira de agir, seja no trabalho, na escola ou na sociedade em que está inserida, agravado ainda pelo fato de querer viver segundo seus padrões, que ela entende serem certos. Ética Cristã é regida por princípios estabelecidos e considerados pela Igreja, com o objetivo de tornar os seus ensinamentos como padrões para agir na sociedade, nos relacionamentos interpessoais e na vida. A Bíblia Sagrada é instrumento para que essas diferenças sejam observadas e respeitadas, visando um mundo seja melhor.

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA para MHARIO LINCOLN

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA (01) - Quais eram os seus planos iniciais, quando ainda era aluno da Faculdade de Direito de São Luís do Maranhão? As informações que tenho conhecimento, era de que você gostava muito de música e se destacava como baterista, tocando em conjuntos musicais da cidade. Soube que só deixou essa atividade porque o seu pai, também advogado, desejava que você seguisse estes mesmos passos. Preocupado, ele temia que você abandonasse o Curso de Direito para se dedicar a música. É verdade? 

Mhario Lincoln – É uma passagem interessante. Meu pai me deu uma bronca de chorar. Na época, o exercício da atividade musical era bem difícil. O velho ‘Zé de todos os santos”, como o chamavam carinhosamente, pensava em algo como dar continuidade à tradição da família. Desta forma, ele torcia por minha formação jurídica. Acabei abandonando a música. Outro fator foi contribuinte também: as minhas atividades de jornalista no ‘Jornal Pequeno’, me impediam de ter horários para tocar nas festas noturnas. Nessa época, cursava a Faculdade de Comunicação (UFMA). Formei-me, logo depois em Direito, onde, nessa faculdade, nos encontramos, eu, aluno e você, meu professor e amigo Edomir Martins de Oliveira. Bendito 1976. O fato é que, anos depois, já com 60 anos, reencontrei a música pelas mãos do amigo e músico excepcional Chiquinho França. Juntos, lançamos 1 CD de músicas instrumentais (2017) e agora vamos lançar o segundo, desta feita, um trabalho digital, com músicas vocalizadas.

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA (02) – Sempre admirei o seu comportamento de homem sério e estudioso. No colunismo, suas colunas chamavam a atenção pela abrangência de temas. Apesar do alto conceito que a sociedade sempre emprestava, nunca o vi ser um homem vaidoso, sendo desprovido de coisas que comprometem e destroem o homem. Há um segredo específico para isso?

MHL – Tudo passa por minha formação religiosa. Desde criança fui sendo formado dentro dos princípios epistolares de Pedro, grande apóstolo de Jesus. Absorvi e vivi esses ensinamentos ao longo dos anos. Na Igreja Ebenézer, aprendi que eu deveria, com Fé, suportar provações com paciência, e que tal atitude era mais preciosa do que o ouro. Assim, parte de minha personalidade foi sendo forjada com base nessas palavras santas. Provações, provocações e eu ali. Sempre firme, lutando por meus objetivos. Por isso, jamais pensei em autoelogios, em locupletações a qualquer custo. Não me submeti a penitências físicas, nem pecuniárias, muito menos cobicei o lugar ou a vida de outrem. Sempre aceitei sofrer, quando era o tempo de sofrer e colher em época da colheita. Há tempo para tudo, diz a Bíblia. Portanto, quando vejo pessoas se autoelogiarem exacerbadamente, sempre colocando o ‘eu, eu e eu’ à frente de suas ações, logo descubro que tais pessoas são, no fundo, extremamente frágeis e acabam se escondendo atrás de toneladas de diplomas, medalhas e monções, como se isso valesse o conteúdo original do aprendizado e da sabedoria. Nesses casos, procuro lembrar outro grande apóstolo: Paulo. Peço a Deus, que dê a essas pessoas autoelogiantes, muito mais que diplomas. Dê-lhes a tão cobiçada “sabedoria espiritual”. Isso sim, faz o Homem crescer sabiamente, pois o egoísmo, o orgulho, a vaidade e a ambição “são ervas venenosas para a alma”, como igualmente ensina Alan Kardec. 

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA (03) – Por motivos de sua mudança para Curitiba, no Paraná, você que era sócio efetivo, passou a ser sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Somos confrades. Quando sócio ativo, você fez várias reportagens sobre o IHGM e registros que passaram para a história daquela Casa, mostrando sua ligação de carinho com o sodalício. Assim, gostaria de saber como você se sente, hoje, afastado geograficamente do Instituto.

MHL – O meu afastamento é somente geográfico porque tenho acompanhado as atividades, mesmo de longe. A situação pandêmica acabou por interferir no andamento normal dos trabalhos. Mas em 2019 o IHGM promoveu encontros literários, convidando importantes nomes nacionais. A equipe da VídeosTV do Facetubes esteve lá e divulgou para o Brasil. Outras ações pertinentes também foram divulgadas. Gostaria de lembrar que durante a sua presidência, professor Edomir, o IHGM também viveu momentos de glória. Você conseguiu colocar o sodalício entre as instituições mais respeitadas do Estado. Quanto a minha mudança, de sócio efetivo para sócio correspondente, foi uma questão estatutária. Hoje, ainda me sinto parte viva do IHGM. Tanto que aqui, sou membro somente do Centro de Letras do Paraná, onde há uma representatividade literária indiscutível na região, fato que tem me levado a aprender muito.

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA (04) – A partir de agora, pela convivência quarentenária de nossas famílias, passo a lhe fazer algumas perguntas diferentes de outras pessoas que por aqui passaram. Por exemplo: tenho observado sua enorme dedicação, ao longo dos anos, para com a sua família constituída. Então, o que soma para essa longevidade?

MHL – Há uma escala a ser cumprida em todo o conjunto de fatores que alicerçam isso. Porém, é a maturidade de consciência, algo que possibilita a convivência e a compreensão, exercendo força direta para o sequenciamento dessa escala que envolve o amor, o sexo, o entendimento, o desentendimento, o respeito aos direitos individuais, aos gostos pessoais, base espiritual bem resolvida e o desejo de fazer o outro feliz. Contudo, ser ou não ser feliz, ter ou não ter longevidade em um casamento, são fatores muito pessoais. Não há regras matemáticas a serem seguidas. Afinal, são dois seres humanos que se juntam trazendo em suas mochilas educação e vivenciamentos diferentes. 

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA (05) – Você acha que a sua evolução familiar e o sucesso individual de seus membros, têm contribuído para melhorar a sociedade em que se relacionam?

MHL - Independente de ser a nossa família, sempre há algo de consciente nascendo dos bons exemplos. Veja: seus livros, Edomir, dentro do segmento social em que convive, são receitas excepcionais de crescimento espiritual, moral e ético. E isso é o resultado da própria experiência nascida dentro do seio familiar. Afora livros, visualiza-se o comportamento dos Figueiredo de Oliveira, como algo que incita a boa convivência. Além do exemplo, vem também a conceituação profissional. E dentro disso, cada um, em sua área de atuação, tem dado, sim, uma contribuição significativa para a melhoria dessa convivência social. Tudo isso gerado por um crescimento e uma evolução familiar aceitável porque cada boa ação, sempre gera uma outra boa ação; nunca o contrário.

Edomir de Oliveira para Mhario Lincoln.

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA (06) – O seu primogênito, formado em Ciência da Computação e Direito, tem mudado um pouco a sequência da família em seguir a linha de advogados. Qual a atividade dele, atualmente em Curitiba?

MHL – Meu filho sempre foi ligado a assuntos outros, que não o de Direito, propriamente dito, acho que por receber uma carga genética maior da mãe.  Os tios, da família dela, são ligados ao mundo empresarial e filantrópico. Desta forma, decidiu encarar o desafio de entrar no ramo de peixes primitivos. Acredito que a experiência dele nas áreas superiores em que cursou o tenha ajudado a evoluir neste novo ramo de atividade.

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA (07) – A sua filha é Fisioterapeuta. Outra área diferente da sua também.

MHL – Sim. Com especialidade em Fisioterapia Neonatal, vem desempenhando suas atividades com muita satisfação. Ela nunca nos deu sinais de que poderia ser advogada ou jornalista. Mas, acabou realizando seu próprio sonho. E está muito bem. E nós, bastante felizes.

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA (08) – Você tem um neto de 18 anos e gêmeos de 2 anos. Gostaria de dizer algo sobre essa maravilhosa experiência de ser avô?

MHL - Ser avô é exatamente rejuvenescer. Avivar velhos projetos individuais. Reavivar inclusive, momentos em que, na época, não puderam ser intensamente compartilhados com os filhos.  É uma outra fase em que o amor pelos filhos se duplica, se expande e é somado a sensação de longevidade. Ter o prazer de conviver com um neto de 18 anos e ter partilhado com ele, até agora, inúmeros momentos de companheirismo, é simplesmente impagável. Logo depois, quando o neto primeiro é um quase-homem, Deus manda um presente para renovar meu carinho pessoal. Um casal de netos, na verdade, um estímulo para ser ainda mais compreensivo com o Mundo que me cerca. E como diz António Domingos da Silva Coelho, “(...) um homem antes de ser Pai, deveria ser Avô”.

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA (09) – Um casamento sólido é a base de uma família equilibrada, onde a mulher tem um papel fundamental ao compartilhar e estimular atividades conjuntas, sendo assim, excelente parceira em todos os momentos da vida. Por isso, tenho muitas restrições ao que prega Arthur Schopenhauer quando diz que “casar significa duplicar as suas obrigações e reduzir à metade dos seus direitos”. Dessa vivência sua no casamento você engrossaria essas fileiras do filósofo? 

MHL – Não! Antes, contudo, vale a análise do contexto que o levou a cunhar a frase e o momento do papel da mulher dentro da família, numa época em que a velha Inglaterra passava por distúrbios internos. Analisemos, pois, um Arthur, filho de um comerciante de posses, com uma mãe vinte anos mais jovem que o marido, passando por situações impensadas, as quais obrigou a família a sair apressada de Londres de volta para a Alemanha. Arthur, então, pode ser entendido como um filho de um rico e melancólico comerciante, pai distante e ausente, e de uma mãe apaixonada pela vida social e desapaixonada pelo marido. No fundo, Schopenhauer nunca sentiu realmente o calor de uma família e a sensação de ser amado.  É certo, segundo estudiosos, que a maioria das obras de Schopenhauer sofreu uma forte influência dessa criação familiar. Mais um outro choque: após a morte do pai, viu a mãe se transformar, optando para ser uma mulher de vida livre. Mais agravante, ainda, foram os relacionamentos pessoais que teve. Todos dificultosos. Mutatis mutandi, para Arthur, essa frase pode ter algum significado maior. Porém, continuo a ter muitas dúvidas com relação à objetividade dela.

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA (10) – Abordando alguns assuntos ligados a sua família, por entender que os grandes sucessos da vida se resumem na constituição familiar e no amor, que tal analisarmos as frases de dois mestres: um, William Shakespeare, que diz: “amor não pode, nem deve ser medido, e se alguém conseguir descrever o tamanho do seu amor, é porque não está amando de verdade. Um amor deve ser indescritível e impossível de medir”; outro, Oscar Wilde: “o casamento é o fim do romance e o começo da história”. O que nos diz a propósito dos pensamentos citados?

MHL – Foi algo dadivoso ver as perguntas flutuarem entre nós. Ajudou muito o fato de nos conhecermos de forma sólida ao longo desses anos. Destarte, meu caro amigo Edomir, agradeço muito pela oportunidade. Especialmente por você trazer à tona, a solidez dos grupos familiares comuns, fator primordial, em quaisquer que sejam as atividades humanas, para o alcance do sucesso saudável. Mas o verdadeiro sucesso, mesmo que esse não ultrapasse a soleira dos nossos núcleos familiares, é aquele onde deve existir compreensão, não utopia. Sucesso é a discussão sem ódio, é aceitar o que nunca pode ser modificado. Sucesso, todavia, é também ter coragem para modificar o que pode ser modificado. Sucesso não é ser estrela maior, mas sim, parte de um todo maior, é fazer o outro ser sucesso. Desta forma, o núcleo de uma sociedade não deve chegar ao amor extremo de Shakespeare, nem na ambiguidade de princípios de Oscar Wilde. 

Obrigado, professor e amigo.

 

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Sobre Edomir Martins de Oliveira
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