"Muitas saudades de nossa confreira Mônica. Reproduzimos, a seguir, e uma das últimas crônicas que confreira Mônica Raouf escreveu para o jornal 'Extra'/Rio de Janeiro. Ela veio a falecer em março de 2020. Uma figura das mais simpáticas e amigas que conheci, quando estive em Petrópolis, em 2017. Compartilho". (Mhario Lincoln).
VIDA É AGORA
Por: Mônica Raouf El Bayeh em 15/12/19
Festa de despedida. Os três meses de férias, ia passar em Portugal. Ele era querido. Todo mundo queria se despedir. Dizer das saudades que teriam. Entre os assuntos, lápides. Ele era o único que já tinha a frase escolhida.
Naquela noite, ninguém sabe bem como, ele morreu. Jamais saberemos o que exatamente aconteceu. Me apavora esse lado sonso da vida. Esse deboche de deixar que as pessoas se despeçam para uma viagem, quando a viagem é outra. O detalhe de inspirar lápides sem deixar cheiro. Sem maiores sinais.
Ele era novo, amigos, amor, planos. Não merecia a morte, mas quem merece? A morte não vem por merecimento. Ela simplesmente chega. Isso é assustador. Essa imprevisibilidade me chega como se a gente não tivesse chão.
Essa história é real, apesar de parecer muito mal escrita. Se fosse novela a gente ia reclamar. Dizer que era forçação de barra. Claro que isso não aconteceria.
Aconteceu. Parece um pesadelo terrível. É injusto. É cruel, mas é a vida, essa safada sonsa.
A morte é uma certeza. Única que temos. Não era para dar esse susto todo.
Como lidar com isso? Vivendo. Vivendo bem. Intensamente. Aproveitar o agora, porque é o que se tem. O amanhã é incerto. O hoje é o que se tem.
Ele se foi, mas teve uma vida boa. Amou e foi amado. Fez planos, amigos, afetos. Muito macabro a pessoa ter uma festa de despedida para a morte. Quem sabe não foi uma homenagem da morte para quem tão bem soube viver a vida.
Mônica é carioca, professora e psicóloga clínica. Especialista em atendimento a adolescentes, adultos, casais e famílias.
Vídeo Bônus:
A última entrevista que Mhario Lincoln fez com Mônica Raouf
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