Viva São João
Jorginho – o menino que comia grude
Bobagem pensar que as peraltices da infância de resumiam apenas em arrancar "taboques" do dedão do pé jogando bola na rua asfaltada; furtar goiabas da vizinha, ainda que, tendo que escalar o muro alto; tocar a campainha das residências e se esconder; ou furtar lâmpadas da iluminação pública para fazer cerol e chegar ao ápice lanceando para cortar as pipas ou arraias do "inimigo".
As traquinagens eram diversas e ao mesmo tempo incontáveis – e nenhuma tem "app" nos celulares de hoje.
Mais bobagem ainda, era imaginar que menino tomava purgantes de óleo de rícino para eliminar nas fezes as lombrigas, por conta do vício incontrolável de comer barro da parede, comer cabeça de palito de fósforo ou se dopar cheirando cola de sapateiro. Havia e haverá sempre aquele que desenvolverá e manterá outros vícios e dependências.
Certamente muitos não conheceram Jorginho. Menino igual aos outros que existem em centenas de milhares por aí. Jorginho era viciado em comer grude. O grude que ele aprendeu fazer para fabricar pipas e papagaios. Provou, gostou e passou a comer o que sobrava do fabrico das pipas que empinava e botava no ar. Jorginho teve problemas sérios de saúde.
Depois de aprender fazer o "esqueleto" das pipas com palitos de coqueiros, Jorginho aprendeu, também, com o parente, fazer grude para colar os papeis multicoloridos das pipas. Como fabricava poucas pipas, não precisava fazer muito grude. Uma colher de goma aquecida na chama da lamparina ou da vela, garantia o grude. Jorginho passou a comer o grude que sobrava. Dali para o vício foi um "salto de sapo" (modo de falar do interior do Ceará).
Quando virou adolescente, Jorginho continuou fabricando pipas, agora em maior quantidade e para atender encomendas. Precisava, assim, fazer uma quantidade maior de grude – e isso garantia a manutenção do vício e, durante anos seguidos, a dependência.
Problemas intestinais apareceram. Danificaram e comprometeram os intestinos de Jorginho, que precisou de uma "poda intestinal" para viver – agora, sem fabricar pipas e, pior, sem comer grude.
Mas é verdade que jamais haverá problema, por mais difícil que seja e se apresente, que a solução não exista. Se, por um lado, Jorginho amenizou e diminuiu a dependência do grude, passou a satisfazer o vício servindo "grude" às outras pessoas.
Nas festas juninas, a barraca de Jorginho instalada no "Arraial das pipas" montada para o mês desses festejos era a que vendia mais o bolo de grude e o manuê.
Para aliviar a lembrança do grude feito na colher, e o início da fabricação das pipas, Jorginho assumiu o posto de Master Chef da "Barraca do Grude" no Arraial das pipas.
Vá tentar entender o que nos liga aos vícios e dependências!
(Por José de Oliveira Ramos)
Colunistas FT Leopoldo Vaz: “UM DIA DE CINZAS PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA”
Colunistas FT DINO DE ALCÂNTARA: “O ESGULEPE DA ILHA”
JOÃO MOHANA JOÃO MOHANA, FINALMENTE, PASSOU A INTEGRAR O PANTEON MARANHENSE
Carnaval/27 Euclides Moreira Neto: “CARNAVAL NÃO SE FAZ NO SILÊNCIO”
Renata Barcellos “O Folclore brasileiro”, por Renata Barcellos
ELOY MELONIO ELOY MELONIO: “CONVERSA VAI, CONVERSA VEM...” Mín. 13° Máx. 26°
Mín. 10° Máx. 17°
ChuvaMín. 7° Máx. 11°
Chuvas esparsas
Marco Neves De Homero ao autoclismo português: 3000 anos de grego
Esmeralda Costa ACLC celebra cinco anos de existência cultural e escreve página histórica
Coronel Carlos Furtado FALMA: unidos, conquistamos espaço para a literatura maranhense
Academias Brasil/Exterior Coirmãs JOÃO AURÉLIO DO VALE: “ENQUANTO HOUVER QUEM CARREGUE ESSA BANDEIRA, A HISTÓRIA DO MEU PAI NÃO IRÁ MORRER”