"A Terra Santa Vai começar a Vacinar os bebês de colo contra a Covid19 e 'num' demora!"
(*) Clélio Silveira
Foi o que nos disse o velho e rabugento Ariosvaldo Prancha, do alto dos seus 98 anos de experiência de vida com tudo o que já apareceu nesse mundão de Deus! Ari, como o chamamos carinhosamente, tem mesmo moral pra dizer o que bem quiser, afinal não foram poucos os seus prognósticos acertados, estereotipados em sua convivência de combatente da 2ª Guerra Mundial lá em Monte Castelo, na Itália, defendendo a bandeira Verde e Amarela.
Soldado de coturno alto, e mesmo sendo praticamente um batoré (não passou de 1,65) conseguia sem binóculos, enxergar os adversários do imbatível Exército tupiniquim a centenas de metros, e acertá-los bem no tombadilho do nariz, usando uma bate-bucha, pois lhe negavam um fuzil.
Depois da vitória sobre os montecastelenses, Ariosvaldo desembarcou de um navio na ilha de São Luís, e embarcou em uma lancha “tótótótó”, e dois dias e três noites depois de vencer o Boqueirão (que é quando o mar se encontra com o rio) desembarcou na “Pindaré” no começo de 1946, e foi recebido como herói, daí que ele mesmo chegando na casa dos 100 anos, não sai de casa sem ostentar no bolso da camisa a “insígnia” de Herói de 2ª Guerra. E de lá pra cá o honrado soldado não deixou de fazer seus prognósticos, e até cantou uns três anos antes, a pedra de que Raimundo Moraes Rego, o Mundico Rego, outro herói daqueles tempos, viria a ser prefeito do engenho Central, vulgo Pindaré-Mirim. Não deu outra!
Mas deixemos esses tempos de lado, pois o velho Ari tem mais história pra contar do que aquele famoso escritor Baiano que já o antecedeu na viagem rumo ao infinito. Pois bem, o que o visionário Ariosvaldo Prancha está vendo agora, não chega a ser algo extraordinário ao bater as duas mãos como se tivesse tocando matracas, e alardear que o prefeito da terra santa, Dom Felipe de Orleans...(ops! desculpem!) o Luís, melhor dizendo, vai entrar pra história do Brasil como o único prefeito dos 5.570 municípios brasileiros, a vacinar a população de sua cidade de caducando a mamando, ou seja; de 100 anos a bebê de colo contra a covid19 em tempo recorde.
“Ora bolas Ari! Essa é moleza! Num vê que o rapá saiu de vacinar os da casa dos 60 e chegou aos de 20 inté pra baixo em menos de um mês? Então, se percorreu 40 anos em menos de um mês, é bom ter cuidado pra ele não alcançar não só os bebês de colo, mas inté os que ainda estão no barrigão das mães...do que eu não duvido!”, retrocou por cima da proa das ventas de Ariosvaldo Prancha, Ernestino Salgado, mais conhecido como “Henrique Pisca Pisca”, também emérito morador da vizinha Pindaré e seu eterno companheiro de prosa nos finais de tarde até a lua aparecer.
Vai ver ambos estão cobertos de razão, se não vejamos; a vacinação por aqui se arrastou na casa dos 60 de 19 de abril até o finzinho de maio pra pessoas sem comorbidades, ou que não fossem professores e etc. Depois baixou pra de 50 pra cima (eita, cuma?!!!) até o dia 16 de junho, de onde pulou a casa dos 40 a 49 (Cuma..de novo!!??) e desembarcou na casa dos 39 pra baixo no dia 17, indo em disparada até os 30 anos em um único dia.
Isso pode Ari? Perguntamos a ele; “Oxente seus meninos, puder mesmo não pode, mas manda quem pode e obedece quem tem juízo, foi o que eu aprendi e até hoje é assim, ou vocimicês não viram o que o general disse diante daquele moço que não para de bulir os olhos?”, replicou Ariosvaldo velho de guerra, se reportando a um causo recente encenado entre duas autoridades nos arredores capital federal.
Pois é desse jeito e qualidade que a fila anda por aqui. “E quanto a começar a vacinação de bebê de colo, não tá muito longe não, e o cumpade Ari tá certo, pois os de 20 anos tão levando furada no braço na terra santa que nem cara feia fazem”, completou Ernestino Salgado, o “Henrique Pisca Pisca.
Bom, se tem uma coisa que nós por aqui na santa terra nunca duvidamos, foi dos prognósticos do velho Ariosvaldo Prancha que nos dias de hoje, infelizmente não vem mais à nossa cidade, por conta de uma promessa que fizera assim que a última Lourinha deixou de fazer linha pra cá. “Se alguém da terra santa quiser me ver, que venha aqui na minha Pindaré...num tenho mais idade pra andar nesses carros que falta avoar!”.
Prego batido e ponta virada, ou promessa feita...promessa cumprida! Resta agora esperar um “cadinho” pra vê se o velho Arisovaldo ainda está com os neurônios turbinados, e o acertódromo funcionando, no caso da vacinação na terra santa. FIM!
* Clélio Silveira: empresário, jornalista, compositor e empreendedor do bem.
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