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Exclusivo: Augusto Pellegrini revela mais um capítulo de seu best-seller "As Cores do Swing"

Vídeo-Bônus: Orquestra Duke Ellington tocando "It don't mean a thing".

08/07/2021 21h17 Atualizada há 2 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Augusto Pellegrini
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AS CORES DO SWING

Livro de Augusto Pellegrini

Capítulo 2 – O COMEÇO DE TUDO  (Parte 2)

 

Em 1928, o pianista, compositor e cantor Jelly Roll Morton, que um ano antes havia revolucionado o stomp com uma sutileza harmônica até então desconhecida ao compor a música "The Pearls", gravou com os seus Red Hot Peppers duas peças que começariam a modificar o aspecto orquestral da música originária da Louisiana, chamadas "Georgia Swing" e "Kansas City Stomp".

Alguns pesquisadores atribuem a estas versões a própria origem do swing, talvez por causa do inter-relacionamento diferente entre os instrumentos, ou quem sabe pela simples menção da palavra "swing" na música alusiva à Georgia.

Jelly Roll Morton.

Morton, um dos pioneiros do jazz, havia percebido antes de muita gente a importância de um movimento inovador a partir do ragtime, e teve a coragem de mudar a estrutura da música, sendo um dos primeiros músicos conhecidos a experimentar o "off-beat" – uma inversão no acento percussivo – e a explorar as "blue notes" – notas diminuídas na linha melódica – dentro da interpretação jazzística do início do século vinte.

Ciente da sua importância, ele mandou confeccionar cartões de visita nos quais se intitulava "o inventor do jazz e da hot music", título no qual ele realmente acreditava, embora pouca gente o tenha levado realmente a sério.

Teatro em Kansas City.

Quando Morton e outros músicos subiram o Rio Mississipi em direção a Saint Louis, e depois a Kansas City, o off-beat e as blue notes subiram junto com eles, e foram sendo espalhados pelo caminho como autênticas sementes do jazz.

Kansas City, Saint Louis e Sedalia eram cidades intensamente musicais, onde durante os primeiros anos do século vinte reinou o ragtime de Scott Joplin, James Scott e Tom Turpin.

A passagem do jazz por Kansas City, porém, modificou a estrutura do ragtime, dando lugar a uma música orquestrada que se diferenciava do som convencional existente, por introduzir um número maior de instrumentos e por produzir o som de um autêntico jazz de salão.

Devido a esta formação orquestral, alguns historiadores vêem em Kansas City o verdadeiro berço daquela música que alguns anos mais tarde se convencionaria chamar de swing.

Em 1929, Kansas City possuía algumas orquestras de primeira linha, como a do pianista Bennie Moten, a do saxofonista Andy Kirk e a chamada Blue Devils dirigida pelo contrabaixista Walter Page. Todas elas faziam um blues dançante que seria, na visão de muitos historiadores, o verdadeiro embrião do swing.

Alguns anos mais tarde, Kansas City apresentaria ao país a melhor orquestra de jazz nascida na região, comandada pelo pianista Count Basie, que tocava um swing com uma forte pegada de blues e bastante impregnado de negritude, ao contrário da maioria das orquestras do eixo Chicago-Nova York. O estilo de Basie se tornou tão marcante que acabou recebendo o nome específico de "jazz kansas city style", ou simplesmente "kansas city".

Duke Ellington.

Outros críticos sustentam que a denominação "swing" teria nascido em Nova York com a orquestra de Duke Ellington, a partir da sua música "It Don't Mean A Thing (If It Ain't Got That Swing)", que era baseada em um extraordinário naipe de saxofones composto por Johnny Hodges, Barney Bigard, Harry Carney e Otto Hardwicke.

Mesmo sendo a palavra "swing" já utilizada por Jelly Roll Morton, foi Ellington quem lhe deu a exata conotação do estilo de música que então se forjava, daí estabelecendo uma espécie de marco inicial.

Ellington com certeza não tinha a intenção de criar um rótulo, mas "It Don't Mean A Thing" fugia da linha "jazz sinfônico" ou do "jungle beat" típicos da sua orquestra, e se transformou num clássico dançante, emoldurando as noites do Cotton Club, no coração do Harlem. A música serviu na época para projetar a sua orquestra para além do convencional.

Ellington, no entanto, não se preocupava muito com isso. Na verdade, ele chegaria a declarar alguns anos depois, quando o swing se consolidava como uma música das multidões, que "jazz é música, swing é negócio".

A febre do swing tomava conta de Nova York e se ramificava para Chicago, Detroit, Kansas City e outras cidades do país. Dezenas de orquestras foram surgindo, e outras já existentes começaram a adaptar o seu estilo dentro da nova característica. Os casais que participavam dos elegantes saraus dançantes exibindo seus passos de dança de uma forma comportada e vitoriana mudaram a sua postura e começaram a se esbaldar ao som mais quente da novidade.

Em 1934 a nova fórmula já estava totalmente consolidada, e o novo som orquestral mostrava a sua face através dos irmãos Tommy e Jimmy Dorsey, que entremeavam músicas românticas com o intrépido swing, contando com arranjos e adaptações de um jovem e talentoso trombonista chamado Glenn Miller. O swing adquiria consistência não apenas na sua forma dançante, mas também dentro de uma abordagem mais romântica e sentimental.

Paul Whiteman já havia desistido de jazzificar a sua música, e a Casa Loma havia mudado tantas vezes de maestro que já não fazia mais parte das paradas. No entanto, vários outros grupos continuavm firmes na estrada, como as orquestras de Fletcher Henderson, Don Redman, Cab Calloway, Chick Webb e Jimmie Lunceford.

Para a grande maioria dos biógrafos do swing, porém, a virada realmente começou a partir de 1935, quando o clarinetista Benny Goodman deu ao estilo a sua devida dimensão, alcançando uma abrangência de amplitude nacional e fazendo com que o país viesse literalmente a se curvar diante da força interpretativa da sua música.

O boom experimentado pelo swing, especialmente entre os adolescentes, teve a mesma força que o início da febre do rock and roll conferiu vinte anos depois.

Até meados dos anos 1950 o swing reinou absoluto, e mais orquestras pontificaram, lotando os salões nos quais se apresentavam, recheando com seus acordes musicais o trabalho de solistas e vocalistas de grande talento, para a borbulhante e colorida alegria de toda uma geração.

Vídeo-Bônus

Orquestra Duke Ellington tocando "It don't mean a thing".

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