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“Minha primeira impressão: aquele ratinho lançado nas HQ's, há 98 anos”, MHL.

Quando até a gema parece desenho animado, o marketing revela sua força e mostra que já não vende apenas produtos, treina nossos olhos desde a infância até o café matinal, quando adulto.

24/05/2026 às 10h27 Atualizada em 24/05/2026 às 13h46
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Entretenimento da Plataforma Nacional do Facetubes
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Foto (01). Original, sem montagem.
Foto (01). Original, sem montagem.

Editoria de Entretenimento da Plataforma Nacional do Facetubes

O marketing deixou de ser apenas uma técnica de venda. Passou a organizar desejos, prestígios, reputações e até interpretações. Está no livro lançado como acontecimento mundial, no prêmio literário que transforma autor em marca, no influenciador que converte intimidade em vitrine e na obra de arte cercada por discursos que, às vezes, chegam antes da experiência estética.

Na literatura, um dos maiores exemplos mensuráveis de lançamento editorial em escala planetária foi Harry Potter and the Deathly Hallows, reconhecido pelo Guinness World Records como o livro de ficção vendido mais rapidamente em 24 horas, com 8,3 milhões de exemplares comercializados nos Estados Unidos no primeiro dia.

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Nas redes sociais, a lógica ganhou outra musculatura. A Forbes colocou “MrBeast” no topo da lista global Top Creators 2025, com 634 milhões de seguidores somados e ganhos estimados em 85 milhões de dólares. No Brasil, levantamento citado por Meio & Mensagem, a partir da Favikon, apontou Neymar Jr., Virginia Fonseca e Zé Felipe como os maiores influenciadores do país em 2025, considerando seguidores, presença ativa, engajamento e conexão com o público.

É nesse mundo saturado de imagens, marcas e personagens que chegam à redação duas fotos enviadas pelo jornalista e poeta Mhario Lincoln. A cena é simples. Dois ovos na frigideira, no café da manhã, formaram desenhos que lembram figuras muito conhecidas do entretenimento infantil. A primeira imagem é mais evidente.

Foto ( 02 ).

A gema (foto 01) se distribui em um círculo maior, com duas saliências superiores quase simétricas, criando a impressão de uma cabeça de personagem de orelhas redondas, presente há décadas no imaginário mundial. A segunda é menos direta, mas também permite uma leitura lúdica. O desenho alongado, (foto 02), com volumes na parte superior, pode sugerir uma criatura de animação associada à memória infantil, especialmente para quem já carrega esse repertório visual de recente filme de desenhos animados, produzidos por uma das maiores empresas nesse ramo.

A pergunta é boa, porque não trata apenas de ovos. Trata de percepção. As imagens não autorizam dizer que há ali personagens reais, nem qualquer vínculo com marcas ou empresas de entretenimento. O mais prudente é afirmar que são coincidências visuais.

Ou, em linguagem científica, pareidolia. A Scientific American define pareidolia como a percepção de um estímulo vago ou acidental como algo distinto e significativo. É o mesmo mecanismo que leva pessoas a enxergarem rostos em nuvens, santos em torradas, animais em manchas de parede ou expressões humanas em objetos comuns.

O caso ganha interesse, porque a coincidência não nasce no vazio. Uma criança, um adulto ou um jornalista só reconhece uma forma como “personagem”, porque a cultura já preparou esse olhar. Foram décadas de filmes, brinquedos, desenhos, embalagens, parques, produtos licenciados, músicas, roupas e campanhas. O ovo é acidental. O reconhecimento não é. Ele vem de uma educação visual permanente, silenciosa e comercial.

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A história contada por Mhario Lincoln acrescenta uma camada doméstica e afetiva ao episódio. A rotina de comer dois ovos pela manhã, inclusive com a lembrança dos 30 ovos de galinha da terra dados por sua confreira Aldira Martins (APB-CE), e trazidos no colo durante o voo de volta a Curitiba, aproxima a crônica do Brasil real.

Não há laboratório, agência, marca nem roteiro publicitário. Há uma frigideira, uma manhã e uma memória visual que, de repente, transforma proteína em símbolo. O ponto sensível aparece quando entram as crianças. Elas são o público mais frágil diante da mistura entre entretenimento, publicidade e influência digital.

Hoje, a propaganda raramente se apresenta apenas como propaganda. Pode vir como brincadeira, desafio, música, personagem, vídeo curto, rotina familiar ou recomendação de influenciador. Mutatis Mutandi, as fotos dos ovos, portanto, são leves, mas não são banais. Elas mostram como a indústria cultural entra no olhar antes mesmo de entrar no prato.

Assim, não é que o marketing tenha chegado aos ovos das galinhas. É mais provável que ele já tenha chegado aos nossos olhos. A frigideira apenas revelou, em amarelo vivo, aquilo que a repetição comercial construiu por dentro.

No fim, as imagens parecem personagens, porque nós fomos treinados para reconhecê-los. São ilusão de ótica, mas também são sintoma cultural. Entre a gema e a marca, existe um cérebro tentando encontrar forma. Entre a forma e o personagem, existe quase um século de marketing direto e cotidiano ensinando o mundo a enxergar.

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Keila MartaHá 3 semanas São LuísMuitas imagens de comerciais ficam registradas na memória afetiva porque lembra momentos e fases da vida. O refrigerante mais famoso do mundo sabe que vai estar presente em almoço de família, e as lãs de aço que ganharam o nome das marcas. No final os que ficaram na memória foram os mais inteligentes e estratégicos. Parabéns!
Raimundo Fontenele Há 3 semanas Barra do Corda MAAí um crítico, prestes a me ver devorar um ovo frito, grita: "não come, poeta, isso é uma obra de arte!!!" Cegamente obedeci...
Aldira Martins Há 3 semanas Fortaleza-Ce Como é fantástico carimbar na trama do perispirito O carinho emanado com verdade O perfume das flores no caminho A lembrança em forta de saudade Ignorando a dor que causa o espinho Fazendo o bem é esquecendo da maldade Aldira Martins
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