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As inúmeras conotações humanísticas no Crayon da maranhense artista Rafisa Serra Caldas Motta

Arte & Análise

20/07/2021 16h30 Atualizada há 4 dias
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Divulgação
foto divulgação
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*Mhario Lincoln

Capa: Essa técnica de fluidez da tinta por sobre a superfície é algo muito novo e está ganhando terreno entre os artistas. Na tela de Rafisa, por exemplo, (veja o derramo, na lua), há algo muito aproximado dessa técnica que se chama de (acrylic pour).

Ao longo de um domingo frio, em Curitiba, comecei a analisar as artes simbólicas da artista Rafisa, de 12 anos, nascida em São Luís-Maranhão. De todas, algumas me chamaram bastante atenção. E acabaram por relembrar desenhos que havia visto na coleção de Maria Lynch, uma artista visual brasileira, que faz muito sucesso na Europa. Uma de suas fases mostra telas com traços amorfos e pessoas sem rosto. Igual vi num dos desenhos de Rafisa e que ela mesma define como (“todas as pessoas são iguais, mesmo sem rosto. Mas sempre haverá algo que irá identificar alguém sem rosto”). Com certeza, é a tentativa de viabilizar o invisível, como na tese de Friedrich Nietzsche, como falo mais abaixo.

SEM ROSTO, de Rafisa Motta.

Antes, quero citar outro grande artista maranhense, residente em Londres, Geraldo Frazão: “toda a arte tem conotações sociais, filosóficas, humanas e pretendem passar alguma mensagem relevante”. Concordo plenamente. Se não, veja-se. A partir dos personagens sem rosto, na linguagem de Rafisa, existe igualmente uma conotação filosófica, levantada por Nietzsche, ao que ele chamou de "tornar visível um conceito", olhando pelo ponto de vista do ‘artístico e do metafísico’. É o conceito de dar visibilidade ao invisível. Mais do que isso: traduzir o sentimento pessoal da conceituação artística, explicitando-a no mais amplo modo de desmistificar os graus sociais, de gênero ou de raça.  

No fundo, e no contexto das obras que vi, de Rafisa, há claras e evidentes sensações de mutação, de transformação (ou de tentativas) para uma linguagem singular, forte e altamente representativa. Por isso, os personagens sem rosto têm uma interpretação variável. Mas sempre fazendo emergir algo diferente, nas diferentes linguagens.

Outro momento significativo na expressividade temática de Rafisa, são as questões antagônicas: noite e dia; bem e mal; certo e errado; Sol e Lua. Neste mural pintado na parede da casa da avó - e isso deve ser conversado ad aeternum -  há uma grande expressividade antagônica.

Na linguagem de Kant, (em estudo sobre Antagonismos) e traduzindo direto para a obra de Rafisa Motta, esse antagonismo tem a leveza da "amostragem de progresso da ideia básica", como ensina Kant. Por isso, o conceito kantiano ocupa um lugar importante na arquitetura da evolução. Seja nas artes, na música ou mesmo na literatura, pois, a noção de antagonismo é o "sólido alicerce para a ideia do progresso", como ela mesmo diz: (...) minha arte é cheia de defeitos. Mas são esses defeitos que me fazem progredir (...)".

Ela demonstra isso em cada detalhe pintado. Nota-se que a cada desenho que ela faz "de uma vez e não aprimoro", é um dom de Deus. Há um progresso espiritual (crer em Deus acima de todos os males). Também um dom artístico (experimento de cores e ideias, entre o dia e a noite, a guerra e a paz) e o humano, no momento em que ela distingue, de forma simples e sem complicações egóicas, as coisas certas das erradas.

GOTAS E TRAÇOS, de Rafisa Motta.

Destarte, realmente estou encantado com um futuro bem promissor que se avoluma, especialmente quando analisei um dos quadros (aparentemente cheio de riscos e pingos de cor). Na verdade, essa é uma técnica primorosa, construída pelo imenso Jackson Pollock (1912-1956), pintor norte-americano, importante artista do Expressionismo Abstrato, que pintava dentro do que ele chamava de ‘expressão pessoal espontânea’. Isto é, usava uma técnica do gotejamento, feita com rápidos respingos sobre a tela e deles, saiam alguns traços aleatórios. E é exatamente isso que vejo em Rafisa.

Quem é Rafisa Serra Caldas Motta?

É filha de Marconi Caldas Motta e Shyrlene Serra Caldas Motta, nascida no dia 20 de agosto de 2008, mostra uma tendência excepcional, a partir dessa simplicidade construtiva e no uso de outras telas, como a parede da casa da avó, Gardênia Caldas. (Vide foto 01). Rafisa, cuja família a tem como “uma menina gigante que faz e delimita seu espaço expandindo seu talento, sendo arte e acima de tudo criativando seus traços” – com certeza já tem o básico: o talento. Resta agora, lapidar isso através de um estudo acurado, do aprendizado de técnicas, daquele conceito que me referi parágrafos acima e que Kant ensinou. “É a partir da noção de antagonismo que nasce o sólido alicerce para a ideia do progresso”.

Abaixo, rápida entrevista que a escritora Sharlene Serra, da Academia Poética Brasileira, fez com Rafisa Motta.

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