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Edomir Martins de Oliveira: como o exercício da Topiaria uniu duas pessoas e as levou ao altar.

Mais uma crônica inédita do livro "Finalmente a Noiva Chegou-Parte II".

20/08/2021 09h42 Atualizada há 4 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir de Oliveira
Cena final
Cena final

Do Livro: “Finalmente A Noiva Chegou (parte II)

Edomir Martins de Oliveira

Vice-Presidente Nacional da ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA – APB

A NETINHA DEU A PALAVRA FINAL

Plantarei no deserto o cedro, a acácia, a murta, e a oliveira; conjuntamente, porei no ermo o cipreste, o olmeiro e o buxo, para que todos vejam e saibam, considerem, e juntamente entendam que a mão do Senhor fez isto, e o Santo de Israel o criou. Isaías 41:29-20

  Não são poucas as pessoas que se encantam com plantas ornamentais e empenham-se para que os seus jardins sejam cada dia mais belos. Muitas vêm neles, na profusão de suas belas flores, a necessidade de expressar o que lhes vai na alma, retratando em roseiras, jasmins, orquídeas, girassóis, hibiscos, lírios e inúmeras outras plantas, a expressão da beleza da criação de Deus. Vibram com as plantas viçosas, delas fazendo sua expressão de amor. Quem não gosta de receber um bonito buquê de flores? 

 Aquela moça era muito especial! Dedicada aos trabalhos de jardinagem e ornamentação, não conseguia viver de sua arte sem que as flores estivessem presentes. Casamentos, aniversários, comemorações diversas, homenagens, em tudo estava a presença das flores, o que dava mais brilho ao evento.

Tratava as suas plantinhas em seu jardim, cuidadosamente, tal a mãe trata um filho. Regava suas plantas duas vezes por dia e não lhes deixava faltar adubo e o principal era o amor. Fora alvo até de enfoque jornalístico com destaque para a televisão, sendo ela convidada a dar cursos de jardinagem, o que aceitou e fez com muito prazer. Quando lhe perguntavam qual o resultado de tanto sucesso para com as plantas, ela respondia sempre que tudo resultava do amor por elas. Em uma entrevista, ao ser perguntada porque ainda não casara, ela respondeu que estava casada com os jardins que prestava assistência, em verdadeira poliandria, pois era casada com muitos jardins.

  Trabalho de arte, também de destacada relevância, era o de um rapaz que se especializara em outros ramos de jardinagem, a topiaria e a mosaicultura, dando formas artísticas às plantas, apenas com tesouras de podar. A moça conhecia o seu trabalho, mas ainda não tivera a oportunidade de conhecer o talentoso jardineiro. Sabia que ele era capaz de criar qualquer coisa, desde animais, formas cônicas, coração, etc. Ela gostaria de conhece-lo, afinal eram colegas de profissão. 

A topiaria é uma arte muito antiga, destacando-se na Idade Média nos belos jardins europeus, sendo o principal deles o Jardim de Versalhes.

Um belo dia, foi contratada para executar um serviço em jardim de grande porte. O excêntrico proprietário do imóvel, queria além de plantas ornamentais, outras, que sabia serem artisticamente trabalhadas, apenas com a tesoura de podar. Queria no seu jardim, uma família de elefantes composto do elefante, a elefanta e um filhote, na forma sequenciada dando a sensação de uma família composta de pai, mãe e filho. Chegara ao seu conhecimento que havia um jovem jardineiro talentoso, capaz de realizar tal projeto. Mandou então que o seu secretário localizasse o rapaz para executar o trabalho que desejava. O topiarista, quando examinou o jardim, tendo conhecimento do projeto, verificou que haviam plantas que tornavam exequível o trabalho.

Foi, então, no exercício das suas atividades que os profissionais se encontraram. Ela foi logo dizendo do que era capaz de realizar nos jardins, pois além da jardinagem, cursara também paisagismo. Valia-se de várias espécies de plantas ornamentais, que realizaria de acordo com o desejo do cliente. E na conversa profissional, o rapaz lhe disse o que iria realizar, a pedido do dono do imóvel, em seu imenso jardim, pois fora para isso que fizera Curso de Topiaria, para atender bem aos seus clientes. Teria que preparar, através da poda, uma família de elefantes que era do desejo do proprietário. Assim, cada um declarava ao outro seu potencial de capacidade de trabalho.

Foi, então, que começaram a surgir as admirações recíprocas pelo trabalho que cada um realizava, daí, nascendo o sentimento que sentiram um pelo outro. Eram jovens e com um mundo de trabalho profissional os esperando. Entenderam que bom seria se fizessem um lanchezinho juntos para troca de ideias. Assim acertado, combinaram que no outro dia se encontrariam, e desfrutariam de um saboroso lanche em um local romântico, que ficava bafejado pelo luar, pois era tempo de lua cheia, com o céu recheado de estrelas. Havia sido inaugurada, recentemente, uma Cafeteria com produtos do Maranhão, tais como cuscuz e beijus acompanhados de gostoso café que diziam ser muito bom. Valeria a pena experimentar se ela quisesse.

A lua é mesmo presença constante de inspiração para os enamorados. Se é bem verdade que falaram de jardinagem pensando na harmonia dos seus serviços, não foi menos verdade que as conversas foram se sucedendo até que começaram a falar sobre um possível namoro entre eles, que na verdade era o que estavam desejando. E assim, daquele encontro, resultaram outros e mais outros. Eram descompromissados, livres, desimpedidos, e precisavam se conhecer melhor.

Realizaram um belíssimo trabalho, e o dono do imóvel ao ver o resultado, pôde constatar a harmonia do jardim, combinando com as árvores podadas artisticamente. A beleza e a policromia das flores enfeitavam o jardim, e o perfume que exalavam era inebriante, dela se aproximando borboletas e beija-flores para completar a beleza.

Os elefantes estavam ali presentes e pareciam ter vida. As flores fizeram os adornos necessários para a beleza do ambiente. Valeram os dias trabalhados com muito amor e dedicação profissional.

Foi então que “a netinha do vovô”, entendeu do alto dos seus 7 anos de idade, que a elefanta precisava ser enfeitada com uma flor vermelha na cabeça que combinaria muito bem com a folhagem verde dela, o que passou a fazer em seguida. Incontinenti, arrancou uma rosa vermelha do jardim trabalhado pela jardineira, o que deu profunda dor na decoradora do jardim. O arrancar da flor tirou a harmonia do trabalho no seu entender, e o que foi pior, aquilo que seria um adorno na elefanta, na verdade causou um transtorno ao trabalho artístico feito nela, tendo causado muita tristeza ao artista que tanto se empenhara para ver seu trabalho bem apreciado. 

O pior foi que o avô gostou do que a criança executara. Pronto, está completo o belo trabalho! E assim passou a entender que a flor estava mesmo em excesso no jardim, e a elefanta precisava mesmo de uma flor para enfeitá-la. Agora sim, o trabalho estava perfeito! A netinha, então, passou a dizer ao avô que ela também entendia muito de jardinagem, trabalho ornamental e trabalho artístico.

O que foi para os decoradores uma agressão ao seu trabalho realizado com tanto amor e dedicação, teve que ser aceito ante o que desejava o dono do jardim, através da sua netinha.

Edomir de Oliveira:Selo Expertise de Qualidade.

Restou aos jovens a descoberta de um novo amor, o que para eles foi um consolo, e mais à frente a realização do seu casamento.

À abertura solene dos jardins à sociedade, em comemoração, aos 70 anos do dono da mansão, estiveram presentes autoridades e muitos amigos. Foi um sucesso! O Prefeito da cidade fez um discurso cumprimentando o proprietário de tão belo jardim, que sem dúvida se constituía mais uma maravilha do mundo moderno. Elogiou os belos trabalhos de jardinagem, declarou publicamente que os autores da realização dos trabalhos, tão logo terminassem os demais serviços ainda contratados, queria que o procurassem, para a execução de trabalhos de jardinagem na cidade, em grandioso projeto que tinha em mente para transformar os jardins públicos mais bonitos e que servissem de admiração para todos.  O Prefeito era do tipo faraônico e tinha em mente a realização de megaprojetos. Revelou que um detalhe como a rosa na elefanta deu o toque mágico da sensibilidade dos autores dos trabalhos.

Em seguida, houve bela recepção, onde foi servido um bufê maravilhoso a todos que estavam ali prestigiando o evento. Agora, os jardineiros estavam felizes, pois os seus egos profissionais estavam acalentados, depois de ouvirem tantos elogios e resolveram até que doravante incluiriam sempre uma rosa, como a que foi colocada na elefanta que despertou tanto reconhecimento.

Ao término de tudo, conversaram com o prefeito e lhes comunicaram que quando terminassem os serviços ainda a serem executados, iriam procurá-lo para combinarem uma possível contratação dos serviços que ele desejava realizar na cidade.

O namoro dos artistas continuou recheado sempre de muito amor. Noivaram. Combinaram que trabalhariam juntos para comprar um imóvel residencial, e só depois, quando já o tivessem comprado casariam. Desejavam que o imóvel fosse uma casa onde houvesse espaço para executar seus jardins que eles tanto amavam.

Até que chegou o dia tão sonhado. Foi uma festa belíssima, onde seus pais e convidados ficaram surpresos com a festa que viram.  Coquetel à vontade, e uma recepção para ninguém botar defeito. Muita música, linda decoração, bufê de primeira linha e edificante mensagem do Celebrante do casamento, que trouxe como homilia aos noivos, o que contém a Bíblia Sagrada no livro de I Pedro 4:8 – Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outos... 

Casados, os pombinhos foram agora visitar a casa onde iriam viver, quando retornassem da viagem de lua de mel. Há duas semanas a noiva não via, pois, o noivo tomara aos seus cuidados, o que ele chamou de uma surpresa de topiaria para sua noiva na casa.  Ela havia concordado com a forma combinada e agora iria ver a surpresa.

E ela veio de forma muitíssimo agradável. No Jardim da casa o noivo trabalhara dois corações entrelaçados e dentro deles a mensagem: - Amo-te de todo o meu coração. 

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Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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