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Mais um conto de amor do professor Edomir: um casamento nascido nas estradas do coração.

Cronicas

27/08/2021 09h21 Atualizada há 3 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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Do Livro: FINALMENTE A NOIVA CHEGOU – Parte II

Edomir Martins de Oliveira

Vice-Presidente Nacional da ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA – APB

ELE E ELA ERAM CAMINHONEIROS

Eclesiastes 4:9-10 - Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; porém ai do que estiver só; pois, caindo não haverá quem o levante.

Era dia do aniversário do proprietário da empresa. Estavam ali presentes os motoristas e suas famílias, e muitos amigos. Era uma festa só. O aniversariante fazia tudo com alegria para que seus funcionários participassem com muito entusiasmo.

E foi ali que eles se encontraram de perto e começaram a se entender na troca de olhares. Era um jovem casal de motoristas recém contratados e que mostrava muito desvelo no desenvolver do seu profissionalismo. Ela era filha de um excelente caminhoneiro, muito responsável em sua profissão. Desde criança, o pai em algumas viagens a levava, e começou a gostar da estrada. Quando terminou o ensino fundamental, disse aos pais: - “Quero ser caminhoneira como meu pai” - Os pais desejavam mesmo é que ela fosse uma enfermeira. Os novos profissionais eram funcionários solteiros e muito dedicados ao trabalho.

Quando se encontravam cruzando as estradas, sempre havia um toque recíproco de buzinas, que era um cumprimento de colegas motoristas. Eram profissionais zelosos, que na troca de buzinas deixava o entendimento de que tudo ia bem.

Mas na festa do aniversário foi diferente! Eles puderam se encontrar mais de perto, e até conversar bem, o que não podiam fazer quando os caminhões se cruzavam na estrada.

Nesse momento certo, realizaram o sonhado encontro, e foi daí em diante que tudo começou. Ele, disse-lhe que havia se encantado por ela desde que a vira na empresa, e quando cruzavam seus carros, sentia muita alegria; ele até exibia um coração desenhado em cartolina onde pedia seu celular, mas ela não atentava para o fato, porque as atenções não devem ser retiradas da estrada. Somente agora, puderam ter a oportunidade de conversar de perto, e isso motivado pelo encontro no aniversário. Ele passou a confessar-lhe que ela fazia parte dos seus pensamentos. Ela, por sua vez, também declarou que ele tinha ficado gravado em seu coração e era dele que sua mente se ocupava. 

E foi assim que iniciaram um romance. Depois desse primeiro encontro, outro deveria acontecer logo na semana seguinte, o que não ocorreu porque eles estavam a serviço em cidades diversas e estourou uma greve da classe. Os grevistas não suportavam mais os constantes aumentos do diesel, e as péssimas condições para tráfego nas estradas. Os caminhões pararam, aderindo à greve, e eles não puderam se encontrar. Os caminhões são quem transportam as grandes riquezas do País, e estavam impossibilitados de fazê-lo, embora sendo essenciais para a toda a economia, pois tudo que se consome no país é movimentado pelos caminhões.

E um fato inusitado aconteceu. Um caminhoneiro que estava conduzindo uma encomenda de flores, em virtude da greve, atrasara a entrega e um casamento teve que ser adiado, pois dependia dessas flores para adorno da Igreja e do local onde seria efetuada a recepção. Foi quando os noivos exigiram pesada multa da transportadora pela falta de cumprimento do compromisso. Só o prejuízo causado na contratação do cerimonial foi de grande monta.

Essa cobrança fez abrir uma seríssima discussão entre os contratantes.  A empresa contratada pelos noivos dizia que o contrato não fora cumprido, porque independeu de sua vontade e a discussão chegou aos tribunais, tendo os noivos marcado nova data para o casamento, pois se esperassem o fim do processo, ainda hoje estariam discutindo sobre a pretendida indenização em Juízo. 

Edomir de Oliveira: Selo Expertise.

Um bêbado, ainda com uma garrafa de bebida alcoólica na mão, entendeu que deveria fazer um discurso de advertência aos caminhoneiros. Que deixassem a greve e fossem trabalhar, que o sindicato estava tratando de tudo, pois o País não podia parar em razão de greve, e os supermercados já estavam ficando desabastecidos; as frutas e todos os produtos que iriam ser exportados estavam apodrecendo, o que era um prejuízo imenso para a economia do País. Fora um bom momento de lucidez de um ébrio!!

Ela aproveitou a deixa da falação do bêbado, e conduzindo o seu veículo, tentou furar a greve, ansiosa por ver seu amado, passando pela barreira que impedia os caminhões de prosseguir. Essa sua insistência em querer passar de qualquer modo, custou-lhe um susto muito grande, pois quando os organizadores viram de sua disposição em furar a barreira, deram alguns tiros de advertência para o alto e ela parou, tendo que se acomodar e esperar mesmo o fim da greve. Aliás, ela refletiu, tinha de ser solidária com os colegas, pois a greve era mesmo muito justa. A fila de caminhões parados nessa estrada já era grande.

Os namorados esperavam ansiosamente pelo reencontro, pois havia sido feita uma pequena pausa no romance iniciado, que independeu de suas vontades. Falavam-se apenas pelo celular.

Quando a greve foi dada por encerrada, foi com alegria que tiveram a notícia, pois havia sido feito um providencial acordo entre o Sindicato da Categoria, os empresários do ramo, e o Governo. O casal ia se reencontrar logo. 

Com o fim da greve, ela retornou à sua cidade pedindo a Deus que se encontrasse logo com o seu grande amor. Recíproca verdadeira, porque eram essas igualmente as preces dele ao Deus Altíssimo.

Quando puderam, se reencontrar finalmente, foi uma grande alegria. O namoro evoluiu bastante e começaram a ponderar que estava na hora de noivar e até mesmo casar. Afinal, estavam namorando há meses. Não queriam correr o risco de novos desencontros.  Eles comunicariam a decisão aos seus pais, em um juntar na casa dela, onde os pais dele também deveriam estar presentes, e revelariam seus planos de noivado e casamento futuro. Este jantar foi realizado com muito sucesso; e quando anunciaram aos pais que estavam noivando e casariam em breve foi uma alegria enorme para todos, pois os pais deles eram muito amigos.

Data marcada para o casamento, começaram a planejar como fariam para estar na Igreja. Foi então que o noivo lhe lembrou que casamento de noivos da categoria deles não podia faltar caminhão. A noiva disse-lhe que pedira ao dono da empresa para que a locomoção dela, até ao local onde seria realizada a cerimônia, ocorresse em caminhão que ela dirigia. E assim aconteceu.  No dia do casamento, ela, toda adornada, conduziu um caminhão, até a Igreja onde seria celebrada a cerimônia, vestida de noiva, de véu e grinalda, acompanhada do seu pais, familiares, amigos próximos e alguns colegas de trabalho. O caminhão estava todo enfeitado com flores, bandeirinhas e balões coloridos. 

Ele chegou logo em seguida, também dirigindo um caminhão, que era propriedade do seu pai, caminhoneiro autônomo, de paletó e gravata, trazendo o Celebrante, seus pais, familiares, e alguns amigos e colegas caminhoneiros. Tudo pronto, podiam celebrar o casamento, o que foi feito. O caminhão também estava todo ornamentado. Ele adentrou logo no recinto acompanhado de sua mãe e foi para o altar, onde ficou aguardando a chegada da noiva, que veio logo em seguida, conduzida por seu pai.

Mas, o que causou admiração ao celebrante e aos convidados foi ver a noiva chegar conduzindo um caminhão, eles que estavam habituados a ver noiva vir em carro de luxo, e maior espanto tiveram ao vê-la saltar, com todos os cuidados necessários para não danificar o vestido de noiva, acompanhada do seu pai.

O Celebrante, quando de sua homilia, lembrou aos noivos que o amor e o respeito mútuo do casal, devem ser mantidos com a resistência às dificuldades, firmados em Deus de acordo com o que ensina a Bíblia Sagrada em Eclesiastes 4:12 - “Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade. ” Aqui nesta terceira dobra está a presença do Senhor Deus na vida do casal. 

Terminada a cerimônia, a daminha, sobrinha da noiva, de 5 anos de idade, que conduzia as alianças, depois do “sim” dos noivos, confessou que iria tocar uma música em homenagem a eles. Correu até sua mãe e apanhou, em sua bolsa sua gaita de boca que pedira para ela guardar. Disse que queria ser a primeira a homenagear o casal e que iria tocar uma “música muito adequada” para a ocasião que aprendera com seu avô, do qual herdara o dom de tocar, e treinara muito. Começou a tocar “Caminhoneiro”, de Roberto Carlos, no que foi acompanhada pelos convidados sob muitos aplausos, que fizeram um coro para cantar a letra da música, tornando a homenagem um sucesso!!! 

Vieram a seguir as comemorações seculares. Os caminhoneiros são sempre solidários. Daí, porque os noivos tiveram aumentadas suas alegrias quando viram muitos colegas que levaram presentes, flores, balões e portando instrumentos musicais para participar do evento, todos com seus caminhões tocando as buzinas dos veículos, ao mesmo tempo em homenagem aos noivos. Houve um colega que adaptou a introdução da música de Mendelssohn, de entrada da noiva, à buzina do seu caminhão. A euforia dominava a todos.  

  Foi, então, servido aos convidados pelo cerimonial, prazeroso bufê que todos aguardavam, e uma generosa fatia do bolo de noiva, cujo fora providenciado com muita criatividade, pois continha um caminhão em cima, com um casal de noivos acenando. Trocaram os noivos, ainda uma taça de espumante, o que nunca falta em um casamento. Tudo foi servido acompanhado de um conjunto musical que a todos proporcionava muita alegria, tendo os convidados dançado com muito entusiasmo, acompanhando a felicidade e alegria dos noivos, onde não faltaram músicas, como “Sonho de um Caminhoneiro”, “Voando sem Asas”, “Caminhoneiro do Amor” e muitas outras que muito animaram aos noivos e a todos os presentes.

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Sobre Edomir Martins de Oliveira
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