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Mhario Lincoln escreve sobre o banal da mediocridade, em análise ao pensamento de Annah Arendt

Prosa

06/09/2021 às 10h56 Atualizada em 06/09/2021 às 11h18
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
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O lado Banal da Mediocridade

(*) Mhario Lincoln

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Ontem conversei demoradamente com um amigo que tem um trabalho incrível na área da Literatura Nacional. Dono de uma livraria comunitária. Ele compra livros caros (clássicos e edições esgotadas) e os disponibiliza em forma de empréstimo, além de ter na própria livraria um espaço para editoração e correção gramatical de textos, romances, ensaios ou livros poéticos elaborados pela comunidade em que está inserido.

No ano passado, em plena pandemia, conseguiu publicar dois livros de frequentadores dessa sua biblioteca. Pagou do próprio bolso, com muito sacrifício.

Aí foi o problema” – disse-me esse amigo – “pois os autores receberam os exemplares e nunca mais voltaram nem para deixar um comigo, mesmo sem autógrafo”.

Então, fiquei pensando na seguinte premissa: quando Hannah Arendt cunhou a expressão “… a banalidade do mal…”, numa clara acepção à mediocridade do não pensar, foi muito mais além, pois tal conceito, nada tem com o desejo ou a premeditação do mal, alinhado ao sujeito demente ou demoníaco.

Há algum tempo havia concluído que essa banalidade do mal, então, dizia mais respeito ao seres mesquinhos, medíocres, de pouca reflexão, extremamente egoicos, desprovidos de quaisquer resquícios de coletividade.

A triste conclusão é que mais pessoas banais se lhe são apresentadas nos variados círculos da vida humana. No mais alto escalão ou em atividades simples como no caso da livraria do meu amigo. Lembrei-me também de uma das minhas frases, essa, alguma coisa perto do que Hannah quis dizer: “Briga com alguém, corre para mim. Arruma outro alguém, foge de mim”. É dessa banalidade que as pessoas de bem se referem. Tanto que o livreiro ainda me confidenciou:” (...) em minhas atividades diárias, a única intenção é vislumbrar algo grande para meus parceiros de literatura. Contudo, vez por outra, grandes decepções, resultado de personalidades banais, ignorância da não-evolução, quando alguns insistem em não tirar os guarda-olhos, empecilhos de olhar para os lados ou para trás”, complementa.

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Destarte, a mim me parece estarmos num triste momento em que se vê muitos grupos interessados, apenas, em conseguir seus 15 minutos de fama; e não, fazer a diferença dentro da coletividade. Isso me leva mais uma vez a repensar o conteúdo do livro “Assim Caminha a Humanidade”, (tradução nacional e cinematográfica), drama baseado no romance de Edna Faber, brilhante escritora norte-americana.

Cá com minhas teclas, há de se pensar, depois de exemplos doídos desses, se as pessoas de bem devem ou não afunilarem suas ações a pro, porque nem sempre há feedbacks favoráveis. Tanto esforço por um coletivo melhor, porém, sem o reconhecimento, pura e simplesmente de um trabalho vigoroso, consistente e com amplos resultados coletivos. Isso mereceria um aceno, sim! Não um reconhecimento pessoal e egoísta. Isso nunca! 

Todavia, nem sempre é a realidade. Em alguns momentos há desfaçatez, e pior: uma imensa ingratidão; o mais pobre, dos grandes defeitos do espírito. 

Sendo assim, há de se questionar – como o faz neste momento – esse meu amigo livreiro: “vale a pena tanta dedicação diante de exemplos tão pobres de espírito, sabendo-se que essa é a verdadeira essência de cada um desses?”

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Susana PinheiroHá 5 anos Rio de JaneiroTexto muito bem posto, principalmente diante de tantos exemplos à nossa vista! Uma reflexão justa e necessária a todos nós! Enquanto lia, logo em seguida, trazia para mim a lupa do espelho que reflete meu eu! Apesar de não ter encontrado a banalidade em meus atos, espero não tê-los deixado pelos meus caminhos diários! Hahahaha, leio e já busco está proximidade e isso é bom! Quiçá muito mais gente fizesse o exame da consciência! Bravíssimo! Graça Lúcia foi perfeita também!
Graça LuciaHá 5 anos Brasília DFMhario, sua análise ´=e perfeita. Eu mesmo pensava errado com relação a esse pensamento, " quando Hannah Arendt cunhou a expressão “… a banalidade do mal…”, numa clara acepção à mediocridade do não pensar, foi muito mais além, pois tal conceito, nada tem com o desejo ou a premeditação do mal, alinhado ao sujeito demente ou demoníaco". Não é o mal demoniaco. É a ignorância pessoal que banaliza as ações.
Lucas FreitasHá 5 anos teresina-PiauiNa carótida, grande Mhario. Assino embaixo.
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