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A determinação de um garçom e uma garçonete ajudou na realização de um sonho

Uma história de amor, superação e vitória.

10/09/2021 07h00 Atualizada há 6 dias
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
ilustração e montagem: ML
ilustração e montagem: ML

NOTA DO EDITOR: Hoje completamos mais um marco nessa parceria entre o Facetubes e o cronista e contista, professor Edomir Martins de Oliveira. As crônicas entram numa terceira fase melhorada, com estilo renovado pelo autor, caracterizando-se pela simplicidade e roteirização robusta das histórias, sem perder, todavia, a mesma sigeleza de sucesso que vem obtendo ao longo de mais de um ano, nesta plataforma. As postagens, devidamente somadas nesse período, obtiveram mais de 100 mil acessos. E isso é um marco na história deste Facetubes. Desta forma, eu agradeço penhoradamente a homenagem que me foi prestada nesta crônica, demonstrando o carinho e a amizade do professor Edomir para conosco. Amém!

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou" II

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional Executivo da APB 

...E OS GARÇONS CASARAM  

Colossenses 3:23 – Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens.

Era o dia 11 de agosto, em que se comemora “Dia do Garçom”. Patrocinado pala Prefeitura, “A Catedral Metropolitana” tinha aberto suas portas para que os garçons e garçonetes, responsáveis pelo bom atendimento e agilidade nos serviços de qualquer restaurante, ali estivessem fazendo suas preces a Deus por dias melhores para toda a humanidade e escutassem uma Palavra Sacerdotal.

Mister é que se diga que uma Catedral, principal igreja de uma Diocese na hierarquia eclesiástica, quando abre seus espaços para grandes comemorações e missas em Ação de Graças tem elevadas despesas. Foi tão somente por isso que a Prefeitura pagou tudo que lhe foi cobrado, para homenagear os garçons pelo seu dia. 

Eles se conheciam de vista apenas, nunca tinham se aproximado para conversar. Essa oportunidade veio quando o restaurante em que trabalhavam fez uma promoção em homenagem ao seu décimo aniversário. Conversaram com muita animação! Por ocasião do evento, foram sorteados vários brindes para os garçons, entre eles, um forno de microondas e uma geladeira além de outros eletroportáteis. Foi contemplado com a geladeira o garçom que já começava a se encantar com a garçonete que, por sua vez, foi contemplada com o forno de microondas. A amizade entre eles havia se instalado. Quando começamos a dedicar atenção a uma pessoa, passamos a acompanhar sua vida mesmo sem essa intenção.

A ausência da moça alguns dias consecutivos ao trabalho, foi que despertou nele o querer saber o que havia acontecido com ela, que era dedicada e não costumava faltar ao serviço. Esperou ansiosamente pelo dia seguinte e nada, e após mais um terceiro dia de falta, já era inevitável afastá-la do pensamento e se perguntava: - Será que está doente? -

Sabendo onde ela morava, resolveu ir a sua casa para se inteirar do que estava acontecendo. Foi nesse momento que descobriu que ela estava apenas com uma forte gripe. Ela aproveitou aquela visita para fazer-lhe uma confissão, dizendo-lhe da sua alegria em ter a sua presença tão querida em sua casa. E de modo ardente confessou-lhe que agora tinha certeza de que iria ficar bem, pois sua visita era o remédio que precisava. Ah! Como tinha sentido sua ausência! Só nesses dias em casa, fez uma reflexão, descobrindo como ele era importante na vida dela. Queria confessar-lhe que o amava. 

Ele lhe confessou também que estava ardendo de amor por ela, só tendo descoberto quando do seu não comparecimento ao serviço. Precisava da sua companhia, pois ela era a grande animadora do seu atendimento aos clientes. Perguntou-lhe se ela aceitaria ser sua namorada, ao que ela confessou-lhe que sim com muita alegria. E as confissões continuaram, cada um declarando ao outro quão importante era o amor que sentiam.

Depois dessa visita, que rendeu a ambos tantos frutos, ela voltaria ao serviço logo no dia imediato, pois agora estava se sentindo de mente e corpo mais leve, e a alegria lhe voltara. 

Nesse dia de retorno ao trabalho, estavam os dois ansiosos para se encontrarem. Recebiam, como sempre, muitos elogios de clientes, ante a habilidade e profissionalismo demonstrado no desempenho das funções. Eles atendiam sempre com um sorriso prazeroso nos lábios ao atendimento solicitado. E a compensação pecuniária vinha, no modo tradicional, ao final do atendimento com as gorjetas sempre muito benvindas.

Era com alegria que viam terminar o expediente para poderem desfrutar de tempo um ao outro. 

Logo entenderam que deveriam se apresentar aos pais como namorados, pois já estavam plantando para dias futuros, pensando em noivado e até mesmo em casamento.

Terminada a Missa de Ação de Graças pelo “Dia do Garçom”, ele, levando a moça aos pés de Santo Antônio, disse-lhe que dentro de um ano, naquela mesma Catedral estaria casando com ela. Era uma promessa que fazia junto ao Santo. Haviam começado bem, assistindo a missa, comungando juntos, com muito amor. Já possuíam uma geladeira e um forno de microondas, ganhos no sorteio, e estavam no bom caminho para o casamento. E aí deram boas risadas. 

Ela feliz com a promessa feita, foi comunicar aos pais e até chorou de alegria. Uma vizinha que visitava a família, disse: -Casar na Catedral? Ali é só para barão. Isso não é para vocês-. A moça chorou muito em razão do comentário desanimador.

Quando contou ao namorado, ele, homem determinado, disse a ela que haveriam de conseguir esse intento. O próximo passo seria noivar para começar a pôr as ideias em ordem. Quando, em um dia de folga, foram a uma festinha, ele, então, fez-lhe uma surpresa. Debaixo de um belo som e muita alegria, com o salão cheio, usando do microfone do crooner, pediu que fossem acesas todas as lâmpadas, pois queria, fugir da meia luz do salão. Ele chamou a namorada para ficar ao seu lado e puxando do bolso uma caixinha, abriu-a. Dentro havia duas alianças. Ajoelhado, disse, pedindo-a em casamento: - Você aceita ser minha esposa? -

Ela ficou surpresa! Muito feliz, disse que aceitava o pedido; ele colocou a aliança, no dedo anelar da mão direita dela e ela colocou a outra no seu dedo. Eram noivos agora, o que fez os presentes romperem em palmas. E a festa continuou com muita alegria. No outro dia, conversando com ela, disse-lhe que casar na Catedral não significa querer se igualar aos barões, mas mostrar a si mesmos que estavam focados em seus planos e eram abençoados por Deus. 

Iriam, doravante, trabalhar muito mais ainda, pois tinham a certeza de que poderiam guardar boa parte das generosas gorjetas que recebiam, e com a economia feita poderiam arcar com as despesas para contratação do espaço para casamento na Catedral. Economizaram durante um ano e quando tinham o suficiente para realizar o sonho do casamento, assim o fizeram.

Casaram de modo simples, sendo celebrante o próprio Padre que celebrara a missa em comemoração ao Dia dos Garçons. 

A vizinha que não acreditava que pudesse ser ali o enlace matrimonial dos dois, se fez presente, mesmo sem ser convidada. Foi penalizada, quando logo na entrada da Catedral, quebrou o salto do sapato, e teve o vestido de voal rasgado por um vira-lata que estava na porta da Igreja e que ela pisara no rabo, e ele reagiu. Depois foram para o local da recepção, em um dos salões do restaurante que foi disponibilizado pelos proprietários, padrinhos do casamento, onde colegas de serviço, familiares e alguns amigos, fizeram a festa com a maior alegria e muita animação.  Os colegas garçons, fizeram questão de servir os convidados, os cozinheiros prepararam todo o banquete e os músicos do restaurante tocaram com uma alegria incomum. 

Os donos do restaurante, excelentes patrões, providenciaram todos os ingredientes para o banquete que estavam oferecendo aos noivos. Eles mereciam. Esse casal de noivos era mesmo especial nos serviços que faziam. Quando era lançada uma novidade no restaurante, costumavam levá-la aos seus clientes, como cortesia da casa, com o aval dos patrões. Eles procuravam gravar as mesas prediletas dos seus clientes para que, sempre que possível, pudessem sentar no local que mais gostavam; tudo faziam para não os deixarem esperar muito. Gravavam as entradas, bebidas e refeições de suas preferencias para oferecer-lhes com cortesia e sorriso.

Quando alguns dos seus clientes, de boa condição financeira, souberam que aquela adorável garçonete e o gentilíssimo garçom iam casar, resolveram presentear-lhes em alto padrão. Deram-lhes presentes de uma sala de jantar, TV, fogão, cama box com colchão e muitos outros. Um outro cliente que tinha uma distribuidora de bebidas importadas fez questão de presenteá-los com duas caixas de vinho tinto e duas de espumantes, com muita alegria, pois não os consideravam somente um profissional que carrega bandeja com eficiência, mas amigos que lhes proporcionavam muita alegria por meio dos seus sorrisos e prazer demonstrados no servir, indagando sempre sobre o atendimento e se estavam bem servidos.

Professor Edomir de Oliveira, autor.

-Entre alguns garçons, convidados de outros restaurantes, dois deles conversavam maliciosamente, já indagando para outros colegas, como os noivos iam arrumar dinheiro para bancar um banquete daquele porte-. “Empolgaram-se muito e devem estar com enorme dívida; vão passar anos para pagar esses devaneios. Nós também somos garçons e sabemos que servir clientes muitas vezes inoportunos e desagradáveis não dá dinheiro para isso”. Estes, lamentavelmente, não trabalhavam com amor! Mas tudo correu em clima de muita alegria deixando o casal muito feliz.

Lembra-se aqui o contido em II Coríntios 9:7 – Cada um contribua segunda tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.

Nota do AutorEsta crônica dedico ao meu amigo Jornalista Mhario Lincoln, grande idealizador e propugnador, quando ele residia aqui em São Luís, de uma lei Municipal, que homenageasse o Garçom pelo seu dia. Para isso, contou com a indispensável ajuda de um vereador, cujo  projeto de lei foi apresentado e aprovado pela referida Câmara, realizando o sonho de toda a categoria ludovicense. Vale ressaltar, todavia, que não tenho conhecimento se, atualmente, ainda há comemorações pertinentes. Em tempo: a crônica é baseada em fatos reais contados pelo próprio editor deste Facetubes.

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Edomir Martins de Oliveira
Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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