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Mais uma história de amor envolvendo encarcerados que decidiram tomar um novo rumo na vida

Uma história envolvente.

17/09/2021 às 07h00 Atualizada em 18/09/2021 às 11h38
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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Ilustração/Efeito óleo sobre tela (ML).
Ilustração/Efeito óleo sobre tela (ML).

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou" II

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB 

O AMOR NASCEU EM UM PRESÍDIO

   I Pedro 1:3 – Bendito o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo, dentre os mortos.

Eles se conheceram em uma prisão. Estavam cumprindo pena. Ela, no pavilhão feminino e ele, no masculino. Separados pela distância física, tomavam seu banho de sol matutino, quando seus olhares se encontraram. Sentiram, então, a flechada de Cupido alcançando seus corações, neste primeiro momento de amor à primeira vista. O amor tem coisas surpreendentes! 

O pai dela era Pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, que pregava nesse presídio e via sua filha entre os encarcerados. Sofria muito por isso, mas orava por ela e tinha a certeza de que Deus a restauraria. Levava a mensagem de fé, amor e esperança aos presidiários. Tinha uma oratória excelente! Inspirado por Deus, todos os presidiários o escutavam atentamente. Graças a essas pregações, muitos presos se convertiam.

A Igreja Assembleia de Deus estava muito bem cumprindo sua missão de visitar aflitos, necessitados, hospitalizados e presidiários. 

Várias vezes, o Pastor recebeu de familiares de presos pedido de oração em favor de filhos, netos e sobrinhos prisioneiros, levados ao crime por influência maléfica de terceiros. 

No cumprimento da pena, eles entenderam que ficar longe dos familiares, da convivência social, sem opções alimentares e privados da liberdade acima de tudo, não era a vida que desejavam. Seriam diferentes quando deixassem o presídio. 

Ela, junto do seu amado, durante um culto no presídio, onde o Pastor pregava sobre a Crucificação de Jesus Cristo, contida no Evangelho de Mateus 27:33-44, e recitava o Hino Evangélico que falava sobre a “Rude Cruz”, pediu permissão para cantar esse hino que sabia de cor, que se resumia na mensagem de que “Jesus deu a vida por mim pecador”. Tinha uma voz belíssima, pois cantava no Louvor da Igreja e no Coral. O Pastor e sua esposa, que o acompanhava, desabaram em prantos, vendo-a cantar com emoção e beleza, e lágrimas descendo pela sua face. O jovem, também emocionado, chorava. Ambos, nesse momento, converteram-se. Jesus tocara seus corações. O casal deu mostras de arrependimento e que tinha voltado para o Salvador, no que foram acompanhados por outros presos.

Ouvindo a palavra de Deus, e a cumprindo, haveriam de ser pessoas exemplares na sociedade. A lei permitia que eles estudassem no presídio, o que passaram a fazer, incluindo em seus estudos a Bíblia Sagrada. E a partir dessa conscientização, aliaram a isso um bom comportamento, permitindo-lhes que cumprissem o restante da pena em liberdade. Queriam ser favorecidos por esse benefício que a lei concede.

Foi assim, que mais à frente, conquistaram esse direito, deixando o presídio antes do cumprimento total da pena. 

Quando conseguiram a liberdade, passaram a frequentar a Igreja dirigida pelo pai dela. Sentavam juntinhos na Igreja, davam excelente exemplo para quantos os vissem. A vida sofrida e passada no presídio tinha ficado para trás. Dela estavam livres.  

Com a vida regenerada foi fácil para eles manter um namoro. O amor entre eles crescia cada vez mais. Eram de muita dedicação à Igreja e aos irmãos na fé. Já estavam matriculados em uma escola para continuar seus estudos.

Graças ao bom relacionamento na Igreja para com todos os irmãos, e mostrando bom conhecimento da Bíblia Sagrada, foram cogitados para uma experiência como Obreiros. Foram bem-sucedidos, pois tinham poder de comunicação muito fácil. Como já lhes alcançara o desejo de serem Pastores, sentindo-se vocacionados, entraram para o Seminário Teológico, donde saíram formados depois de quatro anos, seguindo-se a ordenação como Pastores. Estavam preparados para bem manejar a “palavra da verdade“. 

Foram designados para pastorear uma Igreja.  Como iriam ser remunerados, sentiram que chegara a hora de unirem suas vidas perante Deus e os homens. A cerimônia do casamento foi conduzida pelo Pastor, pai da noiva, celebrado na Igreja onde crescera, com a presença de familiares, amigos e irmãos na fé. O Celebrante, pai da noiva, emocionadíssimo, fez bela mensagem, para edificação do casal e de quantos assistiram a cerimônia.

Edomir de Oliveira, autor.

Com a experiência vivida em presidio, foram designados pela Igreja para exercer o Ministério Sagrado em prisões, o que faziam com muito prazer, pois sentiam uma alegria imensa ver um prisioneiro caminhando para recuperação.

Enquanto isso os “amigos de outrora” faziam esforços de toda natureza para reconduzir o casal ao seu “antigo trabalho”. Diziam-lhes do sucesso que vinham tendo e que até esta data a polícia não lhes tinha posto as mãos. Estavam cada dia mais experientes no assunto e jamais seriam apanhados. Tinham até cursos de especialização de crime em diversos ramos. 

Eles, os da senda do crime, diversificando seus trabalhos, saiam à caça de clientes, e extorquiam-lhes até o inimaginável que um dia poderia acontecer com alguém. O último golpe, diziam, fora de uma polpuda conta bancária de um “cliente” que passara para o nome deles tudo que possuía em conta bancária, iludido pela conversa de lucro fácil em pouco tempo. Disseram à vítima que seu capital seria duplicado em 30 dias, porque iriam aplicar na Bolsa de Valores, que eles administravam, e que “o cliente” ingenuamente acreditou. 

E ao casal de Pastores, acrescentavam a título de estímulo, que com a internet e aplicativos, tudo ficou muito mais fácil e com risco zero. E contavam o êxito em suas conquistas, tentando reconduzi-los ao mundo do crime.

Esses “amigos” não os demoveram, pois agora eram pessoas regeneradas pelo Sangue de Jesus, do qual eram filhos, e pelo Poder do Espírito Santo.

Eles agora doutrinavam os “falsos amigos”, para trazê-los para o lado que estavam. A felicidade lhes sorria e as suas conquistas religiosas não os deixava pisar em falso. Até houve um deles que, olhando para os pastores, e vendo-os felizes na nova vida que levavam declarou que queria experimentar esse lado, pois confessou que tinha noites que não conseguia dormir, cheio de alucinações, ante dúvidas cruéis que o assaltavam. Os companheiros, então, diziam-lhe que ele estava ficando velho e covarde. Porém, ele ficou ao lado dos pastores que oraram com ele, e os outros foram embora.

Havia um grupo que duvidava dessa fé dos pastores, ex presidiários, e ainda dizia não acreditar neles. Estava lhes faltando era a oferta de um bom negócio que apontasse imediatamente os resultados, e assim já arquitetaram o que eles chamavam de golpe infalível, mas que só revelariam se eles aceitassem trabalhar ao lado deles, o que nunca aconteceu, pois, os pastores nem quiseram mais ouvi-los, tal era a firmeza em suas convicções cristãs.

Enquanto isso, três irmãos da fé, na Igreja, conversavam, e um que se “achava mais crente do que os outros” dizia que não acreditava em pregação de Pastores que já haviam sido prisioneiros de justiça; eles estavam, sem dúvida, se protegendo no que diz: I Pedro 1:23 – "Vocês foram regenerados, não de uma semente perecível, mas imperecível, por meio da palavra de Deus viva e permanente". 

O segundo dizia que ele tivesse cuidado com o que afirmava, pois, esses jovens pastores estavam, agora mesmo, doutrinando um neto dele e o ajudando a sair do uso de drogas, e ele haveria de se regenerar. 

O terceiro acrescentou que esperava que o rapaz viciado em drogas, se recuperasse e nunca encontrasse alguém que duvidasse da recuperação dele, como ele estava agora falando dos pastores. E indagou ainda: -Você não acredita no amor regenerador do sangue Jesus Cristo?

 Ele, exemplo típico de um fariseu, envergonhado, e cruzando as mãos no peito, retirou-se apressadamente de cabeça baixa.

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