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Uma linda história de amor envolve um casal de músicos. Quem conta é Edomir Martins de Oliveira

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou" II

24/09/2021 às 09h06 Atualizada em 28/09/2021 às 23h36
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou" II

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB 

CASAMENTO DE CASAL DE MÚSICOS

Salmos 150:3 a 5 – Louvai-o ao som da trombeta; louvai-o com o saltério e com harpa. Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas. Louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos retumbantes.

  Ele havia se mudado recentemente para o condomínio em que ela morava. Cursavam Licenciatura em Música e ali se conheceram. Durante uma conversa inicial, ele disse que havia se mudado há pouco para um condomínio muito bom, e informou onde era, e ela disse-lhe que também ali morava. Ele, então, ofereceu-se para lhe dar uma carona.  A amizade foi crescendo e transformou-se em namoro. Ela era apaixonada por violino e ele por violoncelo, e ambos confessaram um ao outro, que essa paixão estava dividida, entre a música e a vida deles.

Como moravam em imóveis residenciais de condomínio fechado, ao tocar seus instrumentos, no afã da aprendizagem, como alunos, repetiam várias vezes as aulas que estavam treinando, o que incomodava muito a vizinhança. Havia mesmo quem lhes dissesse que deveriam poupar seus ouvidos com treinos repetitivos que muito o incomodava. Depois de algum tempo de aprendizagem, agora era diferente, o som do violino, principalmente, era um presente aos ouvidos que os escutavam. As músicas clássicas para solo dos instrumentos, agradavam profundamente os ouvintes, e isto animava muito o jovem casal.

Depois de certo tempo como namorados, em breve noivariam. Com esse entusiasmo, movido pelo coração apaixonado, treinavam muito com seus instrumentos musicais e esqueciam das horas que passavam, sem que delas se apercebessem. A música é enlevo da alma e acalma o coração. Bons alunos sonhavam em expandir suas aptidões musicais em universidades do exterior, o que haveriam de conseguir, e pensando em alcançar essas metas, intensificaram também seus estudos da língua inglesa. Ela sonhou um dia que estava tocando um violino “Stradivarius” autêntico, e contou ao seu professor. Ele falou que esse é o sonho de todo os bons violinistas, e disse-lhe que existem ótimos similares do modelo no mercado, embora fossem caros também. Se um dia lhe fosse possível, ela o compraria.

Foi quando um tio dela que trabalhava na Receita Federal, disse-lhe que a Receita apreendera um grande lote de contrabando onde continha muitos instrumentos musicais e ele iria ver se tinha algum violino “Stradivarius”, ou similar de ótima qualidade. Que não perdesse de vista, contudo, uma consulta ao leilão eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil e não fizessem qualquer negócio ainda, pois se houvesse um, a praxe é leiloar os contrabandos, a preços que acabam sendo oferecidos bem acessíveis.  Ele iria ver e daria notícia. Enquanto isso que fosse guardando dinheiro todo mês até a data do leilão.

O tio, então, se informou e ficou sabendo que tinha alguns violinos como ela queria, no lote do contrabando apreendido. Agora era só aguardar a data do leilão, e logo se inscrevesse para participar, o que ela fez, e ficou aguardando com ansiedade. 

No dia aprazado, ela compareceu e ofereceu o seu lance, pois o leilão era eletrônico no que foi ajudada pelos seus pais. Assim teve condições de pagar à vista, o valor oferecido. Efetuado o pagamento, via internet, recebeu o sonhado violino modelo “Stradivarius”, o mais bem-conceituado e avaliado no mercado, similar ao original.  

Quanto ao rapaz, que tinha em Stjepan Hauser, violoncelista croata, seu ídolo, dizia que estava também feliz com o seu violoncelo, excelente instrumento que recebera por herança, deixado por seu falecido avô, que também era músico e Professor da Escola de Música. Começaram a participar de festivais no Brasil, onde e quando se apresentavam eram muito aplaudidos. O “Stradivarius”, não era mais problema. 

Quando anunciaram para os pais que iriam casar nos próximos meses, graças às bolsas que esperavam receber, estes, conversando entre si, indagavam o que teria levado a sua jovem filha gostar de música clássica. É bem verdade que eles amavam a música. Quando da idade dela a música de preferência só não incluía a clássica. Gostavam de tangos, boleros, samba, bossa nova, e outros tantos estilos musicais, tais como blues, country, rock and roll. Então perguntaram à filha se podiam na festa de casamento, pedir para tocar e dançar músicas dos seus tempos, ao que a filha concordou, porque eles convidaram amigos que com certeza muito também apreciariam.

As bolsas chegaram de uma universidade da América Latina, e logo anunciaram aos pais que iriam casar antes de partir.

Durante a cerimônia de casamento um coral cantava lindas músicas. Logo após o padre fazer sua homilia e declarar os jovens casados, o casal começou a tocar “Aleluia” de Handel, o que tocaram com tanta beleza e sentimento que emocionaram a todos os convidados.  

Saíram da Igreja muito aplaudidos para o salão de recepção.

Nesse momento, colegas músicos, portando seus instrumentos musicais, também começaram a tocar em homenagem aos noivos “Ave-Maria”” de Gounod, “As Quatro Estações”, de Vivaldi, “Danúbio Azul”, de Strauss, “Bolero” de Ravel, e outros clássicos muito conhecidos, que os convidados muito se deleitaram e romperam em salvas de palmas. 

Selo Expertise/Edomir M. de Oliveira.

Foi aí, que o irmão da violinista, pedindo desculpas ao casal, entrou com uma Banda de Rock pesado no salão que começou logo a tocar; e ele que estava combinado com alguns convidados logo começaram a bater palmas. Os pais da noiva reviveram os seus tempos de jovens, cantando e dançando as músicas de sua mocidade.

Ali estava tudo preparado para excelente recepção. Um jantar foi muito bem preparado com esmero pelo bufê contratado. Um bonito bolo, encimado por um casal de noivos com seus instrumentos musicais, violino e violoncelo, estava a aguardar os noivos, e após o corte do mesmo, um bom espumante foi-lhes servido, apenas para que fosse feito o tradicional brinde, e depois, servidos os convidados. 

A música prosseguia, alegrando o ambiente, e os dançantes divertiam-se, não poupando elogios para a ideia do jovem em trazer a banda de rock, e nesse momento os músicos amigos dos noivos, começaram a entrar também na dança da música popular, que teve extensão até à música sertaneja em atenção a um pedido de um tio, que agradou a todos. Superaram os casais todas as expectativas, pois muitos convidados estavam se perguntando se teriam que dançar ao som de músicas clássicas, com um barítono ou tenor cantando, acompanhado do violoncelo, ou ainda, de uma cantora lírica, acompanhada pela noiva.

De repente, no meio do baile, os noivos pediram uma pausa para comunicar a todos que tiveram a agradável notícia de saber que haviam ganho duas bolsas de estudos de uma Universidade de Viena, na Áustria, que era seus sonhos, tornado em realidade, embora ambos já tivessem sido aceitos em Universidade da América Latina. Foi então que a orquestra tocou uma música que falava de vencedores e em inglês era conhecida como “We are Champions”. Tudo era alegria!!

Eles estavam no caminho certo. Seriam sempre vencedores. Casaram por amor e no Senhor. Receberam as bênçãos sacerdotais. Foram vencedores, graças aos seus talentos e tenacidade no uso dos instrumentos musicais. 

Como família constituída e pelos respectivos exercícios profissionais, agora a meta principal do casal, era serem componentes de Orquestras Sinfônicas. Lutariam por isso. Haveriam de conseguir.

Os frutos já estavam chegando, não tinham dúvidas das suas conquistas futuras.

Os pais de ambos que desejavam, inicialmente, vê-los formados em Medicina e Direito, agora quedavam-se à grande realidade: - o sucesso deles como músicos era indiscutível. Reconheceram que não deviam ter pretendido interferir na decisão dos seus filhos. Eles haviam nascido vocacionados para a música.

Voltaram-se ainda para as lições dos Salmos 150 e fizeram ao Grandioso Deus uma prece: - Que Ele os ajudasse a respeitá-Lo e honrá-Lo para sempre: “Louvai ao Senhor. Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento do seu poder. Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza”.

E o noivo ainda acrescentou: -Senhor Deus, dá-nos filhos e que possamos deles fazer pessoas de bem e bons músicos.

Ao que a esposa ao seu lado, expressou um sorriso e uma prece dizendo “amém”.

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