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"AS CORES DO SWING", de Augusto Pellegrini. Capítulo 6 – A expansão mundial do swing – Parte 1

Livro de Augusto Pellegrini, publicado em capítulos

30/09/2021 às 22h07 Atualizada em 06/10/2021 às 21h29
Por: Mhario Lincoln Fonte: Augusto Pellegrini
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Augusto Pellegrini e Ma Rainey (FTM).
Augusto Pellegrini e Ma Rainey (FTM).

AS CORES DO SWING 

Livro de Augusto Pellegrini 

Capítulo 6 – A expansão mundial do swing – Parte 1 

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De acordo com declaração feita por um porta-voz cultural do Consulado Geral dos Estados Unidos durante uma palestra ministrada no Rio de Janeiro na década de 1980, "A história da música popular dos Estados Unidos da América é uma tapeçaria musical rica e variada. Blues, jazz, swing, country, soul, folk, bluegrass, rock and roll, rhythm & blues, gospel, jazz-rock, funk, hip-hop e rap – todos estes estilos se espalharam pelo mundo levando alegria e consolo a um sem número de pessoas. A maior parte dessas músicas evoluiu a partir de uma raiz comum do blues – que, por sua vez, tem raízes nos cantos dos escravos negros do sul dos Estados Unidos, assim como na música da África".

Para que o leitor entenda melhor este enredo, a partir dos antigos field hollers (trabalhadores que entoavam cantos com gritos e alteração no ritmo durante a execução do trabalho), das work songs (canções entoadas em um beat constante por trabalhadores braçais), e do primitive blues (canções de lamento também conhecidas como folk blues), foram surgindo outros tipos de blues, como os antigos country blues (ou rural blues),  archaic blues e cajun blues. Todas essas correntes se originaram na época do trabalho escravo e se desenvolveram depois da Guerra Civil (terminada em 1865) para se consolidar no blues do delta do Mississipi, representado por W.C.Handy, Charley Patton, Willie Brown, Blind Willie Johnson e Robert Johnson, entre outros, e mais tarde no blues de Chicago, com Muddy Waters, Willie Dixon, Howlin' Wolf, T-Bone Walker, John Lee Hooker e B.B.King. Mas o blues adquiriu a sua característica urbana no início do século vinte, quando foram experimentadas incursões blueseiras mais modernas, fazendo surgir o classical blues (da forma como ele era interpretado pelas "cantoras de blues" – Gertrude "Ma" Rainey, Mamie Smith, Bessie Smith, Lucille Hegamin, Ethel Waters, Alberta Hunter, Edith Wilson, e outras) e uma variante que conduziu ao boogie-woogie durante os anos 1920-1930 (com os pianistas Jimmy Yancey, Pete Johnson, Meade Lux Lewis, Albert Ammons e outros). A seguir, na década de 1940, surgiu o rhythm & blues, uma espécie de precursor do rock and roll, pontificando Louis Jordan, Big Joe Turner, Jimmy Whiterspoon, Roy Brown, Billy Wright, Wynonie Harris e Paul Williams, entre outros.

Bluesman.

Anos depois, a música negra deu um grande salto, abraçada que foi pela gravadora Motown, fundada por Barry Gordy em 1959 com o nome de Tamla Records e fazendo crescer o soul nos anos 1960 com um catálogo congregando artistas dos mais respeitáveis – The Four Tops, Marv Johnson, Marvin Gaye, Aretha Franklin, Stevie Wonder, James Brown, Isaac Hayes, The Isley Brothers, Commodores, Diana Ross & The Supremes, The Temptations, The Jackson Five, Billy Paul, Otis Redding e outros mais – para depois desembocar no funk e nos ritmos dos guetos nos anos 1970 e 1980 e no hip-hop e rap dos anos 1990 e 2000.

As modificações impostas no ragtime pelos pianistas do jazz de Nova Orleans provocaram por sua vez entre 1900 e 1917 o aparecimento do stomp de Nova Orleans, também chamado por alguns estudiosos de primitive jazz ou traditional jazz, que se transformou entre 1917 e 1926 no dixieland e no estilo  chicago, também conhecidos como oldtime jazz. Os músicos deste período – Buddy Bolden, Jelly Roll Morton, Freddie Keppard, Joe King Oliver, Louis Armstrong, Kid Ory e tantos outros – são historicamente os verdadeiros mentores de todo o jazz que viria dali pra frente.

Mais tarde – de 1927 a 1934 – aconteceu o período denominado pre-classical, com o abrandamento do jazz tradicional e o surgimento do swing, ao qual foi atrelado o estilo kansas city.

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Graças a figuras como Louis Armstrong, Roy Eldridge e Coleman Hawkins, o jazz tradicional vivenciou uma espécie de renascimento no período de 1935 a 1945 e foi cultivado ao lado do swing, período em que os estudiosos chamam de classical jazz.

Muddy Waters.

Ao mesmo tempo, no início dos anos 1940, chegava o bebop, dando início a um outro período, conhecido como modern jazz. Tudo sem prejuízo do swing que continuaria se desenvolvendo até meados dos anos 1950.

Desta forma, todas as tendências provenientes do blues e do ragtime propiciaram o crescimento desta frondosa árvore musical, que vai do stomp ao swing e do swing ao  bebop e seus derivados – cool jazz, hard bop, west coast, east coast – seguindo com o progressive, o third-stream, o mainstream, o funky e o free jazz, e caminhando logo depois para diversas outras direções, com derivativos para o smooth jazz, o latin jazz, o jazz fusion, o ska jazz, o acid jazz, a world music e todas as experiências surgidas no século vinte.

É estranho que um país com toda esta diversidade musical tivesse que construir a sua história a partir do nada, contando apenas com o que lhe fora passado pelos colonizadores e pelos escravos trazidos do continente africano, posto que a matéria prima local – os nativos do território americano – praticamente em nada contribuiu para a sua consolidação musical.

W C Handy.

Partindo de pontos isolados, a música americana começou a se moldar definitivamente a partir da metade do século dezenove, principalmente através da disseminação do blues primitivo, quando ele abandonou as origens dos campos da plantação de algodão e das construções das ferrovias para se fixar nas cidades. A urbanização do blues contribuiu para tirá-lo do anonimato junto com seus cantores e foi um passo decisivo para que houvesse um contato definitivo entre o blues e os músicos que tocavam nos salões e nos cabarés.

O blues, ao trazer a sua estrutura para as principais cidades do sudoeste americano, foi a peça fundamental que faltava para unir uma série de elementos que existiam isoladamente, mas que não conseguiam se consolidar. A música americana tinha os tijolos, as pedras e os ladrilhos. O blues foi a argamassa que apareceu para juntar todos estes elementos, se constituindo na matéria prima de uma arte musical que iria futuramente representar os Estados Unidos em todo o mundo.

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Ma Rainey.

A absorção dos elementos do blues pelos músicos urbanos foi rápida e eficiente. Em pouco tempo o blues tomava conta do panorama musical do sul do país, notadamente na Louisiana e estados vizinhos, seguindo rio acima, por toda a região próxima ao Mississipi, chegando até às cidades onde o ragtime era cultivado, como Kansas City e Saint Louis. Assim, blues e ragtime se reencontraram e impuseram a cultura musical negra mesmo nas áreas mais brancas fora dos arredores de Nova Orleans, e o jazz, ainda sem ser conhecido por este nome, já começava a ganhar espaço em diversas regiões do território norte-americano.

Centenas de músicos norte-americanos se sentiram contagiados de uma forma positiva e saudável pela febre do jazz quando perceberam que aquela música despojada e criativa oferecia uma bela alternativa para fugir da horizontalidade que se configurava como o padrão musical do Ocidente naquela segunda metade do século dezenove.

 

Video Bonus - Bessie Smith cantando Saint Louis Blues em 1929

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Augusto PellegriniHá 5 anos São Luis - MaranhaoGrazie per tutti / Thanks for everybody!
Mama LidregiaHá 5 anos RomaCome hanno influenzato le Big Band Musica brasiliana, tra il 1935 e il 1965. ritmico armonico, strumentale e prevalentemente orchestrale, con differenti approcci compositivi. Sembra musica brasiliana in questi punti. O no? Inoltre, c'è un dialogo diretto con la musica classica contemporanea. O no? Complimenti Pellegrini. Uno scritto italiano sulle band americane. Bellissimo.
John MullerHá 5 anos 57th Street e Seventh Avenue“Swing” is many things. It's a distinct rhythmic feel; a musical era dominated by big band jazz; a dance style that paired with the music; and that indescribable but unmistakable feeling that results when musicians are deeply tuned to one another and playing in sync, or "in your pocket." Although swing is characteristic of jazz, an orchestra can also swing. Through the Link Up repertoire, practical activities and an interactive performance culminating with an orchestra and jazz ensemble.
LudwingHá 5 anos MinnesotaSwing is my life. My money.
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