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De um assustador incêndio, nasce uma bela história de amor. Outro capítulo do livro de Edomir de Oliveira

“Finalmente a Noiva Chegou" II – Parte II

01/10/2021 às 07h37 Atualizada em 04/10/2021 às 16h02
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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Ilustração ML
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Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou" II – Parte II

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB 

 

Provérbios 19:23 – O temor do Senhor conduz à vida; aquele que o tem ficará satisfeito, e mal nenhum o visitará.

Um Incêndio, o Casamento e a Felicidade

 ​ Tudo começou quando os valorosos homens do Corpo de Bombeiros trabalhavam para apagar um grande incêndio, que começara em um apartamento de um prédio residencial, em virtude do mau funcionamento de um aparelho de ar condicionado, que entrara em curto.

Muita fumaça e fogo. O pânico era geral. Os moradores apavorados corriam em direção das escadas amontoando-se, e afoitos, procurando sair o mais depressa possível do prédio, vinham se atropelando. Alguns, se aventuravam em saltar da janela do seu apartamento quando viam que os bombeiros tinham uma rede protetora, aguardando possíveis aventureiros.

Selo Expertise/Edomir M. de Oliveira.

Em meio a esse tumulto, uma jovem que tinha inalado muita fumaça veio a desmaiar, e um bombeiro corajoso, como são os bombeiros de um modo geral, viu o corpo estirado no chão, e percebeu que, diante da perda de consciência da moça, era preciso urgentemente de oxigenoterapia, o que ele fez com uma respiração boca a boca. Quando ela pode respirar, embora ainda com dificuldade, ele a conduziu até a escada Magirus, e por ali desceu com ela. 

Imediatamente, voltou para continuar seu trabalho de combater o fogo e resgatar as pessoas que precisassem urgente de socorros preliminares. Enquanto isso, a ambulância que estava a postos para encaminhamento de vítimas a hospitais de emergência, tratou das providências necessárias para conduzi-la, juntamente com outros.

Depois de algumas horas de combate ao fogo, os heroicos homens da corporação conseguiram extinguir o incêndio, que chegara a produzir danos em dois apartamentos vizinhos, que não assumiram grandes proporções, graças ao trabalho controlador do corpo de bombeiros. O apartamento onde tudo começou foi o mais afetado. Com o excelente trabalho profissional dos bombeiros, a tranquilidade foi restabelecida.

No dia seguinte, o bombeiro “salvador da moça”, que a ambulância levara para atendimento médico-hospitalar, fez questão de visitá-la. Precisava vê-la como estava passando.  

Dirigiu-se ao Hospital de Pronto Atendimento, para onde estavam sendo encaminhadas as vítimas, mas ali foi informado de que ela houvera sido transferida para um hospital da rede particular, para ser atendida por médico de sua família. E estava querendo muito conhecer o bombeiro que a resgatou.  Aflito, procurou logo saber como estava seu estado geral. Tranquilizou-se quando soube que ela estava bem. Foi ao hospital particular onde ela estava internada e ali, visitando-a, foi que, embora vendo-a com roupa de hospital, mas já banhada, ele pode conhecê-la. 

Ela ficou feliz em conhecer o seu salvador. Ele lhe perguntou se era moradora do prédio ou apenas visitante. Ela, então, respondeu-lhe que era visitante. Tinha ido encontrar-se com uma colega e amiga que cursara enfermagem com ela e, coincidentemente, visavam fazer concurso para Corporação de Bombeiros. A amiga tinha lhe telefonado para dizer-lhe que o edital de concurso havia sido publicado. Encontrava-se caída no chão porque pretendia socorrer a amiga que estava apavorada e se dispunha a sair correndo e a conteve, mas não pode resistir a muita inalação da fumaça e caíra desmaiada no corredor.

Perguntou seu nome e confessou seu agradecimento pela coragem e esforço em carregá-la para fora do prédio, no meio de tantas chamas. O bombeiro informou que ninguém morrera em razão do incêndio. A evacuação do prédio tinha sido feita sob orientação dos profissionais da corporação.

Pediu-lhe que lhe contasse pormenores do salvamento. Ele contou-lhe que realmente a carregara e a conduzira até a escada Magirus; e a felicidade era que a escada estava naquele andar e ele saíra pela janela carregando-a. Teve que lhe fazer uma respiração boca a boca, pois seu estado estava requerendo aquele cuidado imediato porque ela desmaiara. Despediu-se, desejando-lhe rápido restabelecimento de saúde e deixando seu número de celular para possíveis contatos.

A jovem, mais uma vez, agradeceu-lhe a gentileza, a coragem e a destreza na execução do serviço de salvamento e disse-lhe que quando tivesse alta do hospital faria contato.

Realmente, 72 horas depois estava restabelecida. Teve alta médica. Deixou o hospital e no dia seguinte sentindo-se bem, fez contato com o jovem bombeiro e o convidou para um chazinho de fim de tarde em sua casa para mostrar seu reconhecimento e sua gratidão, juntamente com seus pais. Ele aceitou o convite. Combinaram o dia, a hora e ela deu-lhe o endereço da sua residência. 

E foi aí nesse encontro, que ele viu como ela era bonita não só fisicamente, mas também de comportamento e educação. Ficou apaixonado por ela a partir desse momento. Foi então que um irmão dela, criança de 6 anos de idade já saiu cantando: - “minha irmã está namorando um bombeiro corajoso, lá, lá, lá”. -  Isto a deixou muito encabulada, tendo o bombeiro dito-lhe que deixasse a criança cantarolar: - “Quem sabe estava prevendo o futuro? ” - Ela então achou graça e os dois continuaram a conversa em clima de muita cordialidade. 

Saborearam o gostoso chá, e os deliciosos biscoitinhos feitos por ela, que gostava de culinária, e que por isso mesmo mereceu elogios do visitante. Seus pais fizeram um agradecimento sincero pelo salvamento da vida da filha.

Quando se despediram, ele lhe confessou o desejo de revê-la, o que ela disse que seria um prazer. Outros encontros sucederam-se, e começaram, então, um namoro. Passaram a ir juntos ao cinema, restaurantes, passeios pelos pontos históricos e turísticos da cidade, ir à praia. Não mais podiam ficar afastados, ante o amor crescente que sentiam.

Dez meses depois, ele usando a técnica de rapel, desceu do alto do prédio-sede do Corpo de Bombeiros pelo modo mais difícil, com o uso de cordas, pois queria impressionar a namorada. E contou com a cumplicidade de um colega de corporação, que a levou para o local onde estavam vários colegas esperando por ele. Quando chegou ao chão exibiu-lhe uma caixinha de veludo contendo um par de alianças e perguntou-lhe, de joelhos, se aceitaria ser sua noiva. Escolhera o modo mais difícil para chegar até sua amada, para afastar o receio de que ela dissesse não, pois nada tinham combinado antes. 

Ela muito encabulada, emocionada e chorando, respondeu-lhe que aceitaria com muito prazer. Ele, então, colocou a aliança na mão dela, e disse-lhe que estava fazendo o pedido nesta hora, onde grande parte da corporação estava presente e vários alunos, para que muitas pessoas testemunhassem o ato, e ouvissem a declaração de como a amava. 

Fizeram umas fotografias à frente de um carro de bombeiros para o registro daquele momento histórico em suas vidas. 

Depois veio a comemoração com os colegas trazendo refrigerantes e salgadinhos. Era tudo só alegria. Foi quando esses momentos foram interrompidos por um pedido urgente de atendimento profissional.

Chegando em casa, ela mostrou aos pais a aliança no dedo, contando que fora pega de surpresa com o pedido do seu namorado, para que ela aceitasse ser sua noiva. Os pais felizes, combinaram que fariam um jantar para celebrar o noivado com a presença da família do noivo também.

Ele, cumprido o trabalho de atendimento, voltou à corporação, mas só encontrou a noiva à noite em sua casa, quando comemoraram com seus pais o noivado. Achou ótima a ideia de reunir as duas famílias para um jantar. Combinaram que o casamento seria para depois que realizasse o concurso para enfermeira, daí a 8 meses. 

No dia do matrimônio ela chegou a Igreja conduzida pelo seu pai, com um vestido de noiva muito bonito, e os convidados já a esperavam com apreensão, pois ela estava atrasada, e o noivo que a aguardava ansioso, ainda ouviu de um primo, no meio dos convidados: “Não te disse? Ela desistiu de ti. Procura outra”. Porém, o motivo era totalmente diferente e só felicidades. A noiva tomou conhecimento, pela amiga, de que ambas tinham sido aprovadas no concurso, e a emoção foi ainda maior, que causou o atraso.

O noivo, em vez de paletó e gravata, optou por vestir a farda de gala. A hora do casamento pronunciaram os votos, ele declarando que amava muito sua princesa, o orgulho que sentia por ser um bombeiro, e da farda que usava, quer de ga­la, quer de trabalho. Ela confessou que também o amava muito e que era uma enfermeira que acabara de saber de sua aprovação no concurso para o Corpo de Bombeiros. Sentia orgulho dele, o salvador de sua vida, e daquela farda que ela também usaria. Fazia questão de participar de uma instituição que tinha o maior respeito, admiração e confiança da sociedade. 

E foi com indiscutível alegria que pronunciaram o bendito sim, quando o Padre lhes perguntou se estavam casando de livre e espontânea vontade.

A bela homilia do Sacerdote baseou-se em Efésios 5:31 – Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe a se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne".

À cerimônia de casamento compareceram inúmeros colegas da corporação, tendo sido celebrado com direito aos rituais e homenagens próprias que ocorrem nos casamentos dos bombeiros. 

A felicidade estava presente em todos os momentos.

No quarto mês de gestação a esposa voltou do médico muito feliz com o resultado da ultrassonografia. Contou-lhe, então, que estava a caminho um novo bombeirinho, o que faria a família mais feliz.

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