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Uma história de amor verdadeiro, contada por Edomir Martins de Oliveira. Com Fé em Deus e Obstinação

Crônicas do livro "Finalmente a noiva chegou", Parte II

08/10/2021 às 10h43 Atualizada em 11/10/2021 às 10h31
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Maretins de Oliveira
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Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou" II – Parte II

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB 

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Salmo 102 -17 – Ele atenderá à oração do desamparado e não desprezará a sua oração.

A HISTÓRIA DO CASAMENTO DO CASAL DE GARIS

Todos os dias ele cumpria o mesmo ritual. Ia ao vestuário trocava de roupa, vestindo a de serviço, ajoelhava-se e elevava a Deus uma prece pedindo que o protegesse e lhe permitisse vir a casar com a moça que tanto amava.  Orgulhava-se muito de ser um gari, e exercia com alegria a nobre função tão útil para a sociedade.  Como tal, cuidava da limpeza e retirada de lixo das vias públicas. Os garis são, por vezes, confundidos com o lixeiro, pois labutam também na busca no lixo, de objetos e materiais que possa reciclar ou reutilizar.  

Encarava seu trabalho com muita seriedade. Era jovem, mas já pensava na constituição de uma família.  Queria ver seus filhos correndo pela casa e o chamando de papai. Mas pensava que tinha mãe idosa, que vivia em cadeira de rodas, por ter dificuldade em andar, e vivia tomando medicamentos que comprava, além dos fornecidos pelo SUS. Tudo ele fazia com muita dificuldade, para não faltar dinheiro para alimentos básicos, que comprava na feirinha do bairro. Vinha mantendo essa assistência familiar ajudado pela minguada pensão que ela recebia do seu falecido marido.

Naquela noite de serviço, à cata de materiais que pudessem ser reutilizados, encontrou uma caixinha de veludo com duas alianças, sem nome em nenhuma delas dentro, e uma pequena pedra brilhante. Indagou aos vizinhos da quadra que coletava o lixo, do objeto achado e ninguém dizia saber do que se tratava. Houve até mesmo uma moradora de residência, que deseducadamente disse-lhe: -Não perturbe meu sossego, pois quem seria o louco de jogar um objeto de valor fora? – Isso deve ser uma “pedra de sal” que uma noiva reconhecendo a falsidade de tudo jogou fora em momento de extrema ira. As alianças deveriam ser de bijuteria sem valor, que à primeira vista dava a impressão de tratar-se de ouro”-. Dessa opinião desfrutavam outros com quem ele falava-.

O autor é Embaixador Universal da Paz.

Pela manhã, ele com o receio de estar em seu poder coisa que não lhe pertencia, foi ao seu supervisor imediato e contou sobre o achado, exibindo-lhe a caixinha, encontrada. O superior hierárquico, fez uma ligeira análise olhando as alianças e a aparente pedra preciosa encontradas, e foi de opinião que jogasse fora. –Aquilo não valia nada-. O rapaz saiu a pensar que cumprira seu dever. Estava tranquilo. 

Antes de jogar fora, resolveu ir a um joalheiro muito conhecido na cidade, e que na área do seu trabalho sabia ser homem sério, e contou a mesma história mais uma vez. 

Para espanto seu, o joalheiro disse, então, que aquele fora um achado precioso. Examinara as joias com sua “Lupa de Cristal” e não restara dúvidas: -As alianças eram de ouro de 18 quilates inconfundivelmente. O brilhante, também encontrado, era um diamante; as inúmeras facetas, que lhe davam brilho excepcional o autorizavam a fazer a afirmativa-. 

Ele, então de joelhos, agradeceu a Deus o achado e contou sua história das dificuldades que tinha para casar com sua amada. Aquelas joias permitiriam que ele as vendesse e pagasse as despesas de casamento. Espantado ficou ainda quando o joalheiro lhe disse que daria para pagar um cerimonial com uma festa mediana. 

Ele mesmo tinha um filho que era dono do “Cerimonial dos Sonhos” com quem ele falaria para realizar e oferecer tudo para que fosse uma cerimônia simples, mas que o deixasse feliz. As despesas seriam cobertas com as alianças e o diamante encontrados e ele ainda lhe daria uma certa quantia em dinheiro, além de fazer um par de alianças para ele e a sua pretendente. 

Ele, então, pensou imediatamente em que, com o dinheiro prometido que receberia, faria uma consulta com um médico de uma clínica do bairro, para saber o que se poderia fazer para ver sua mãe restabelecida. Consultado o facultativo, ele disse tratar-se somente de um problema na coluna. Que uma cirurgia reparadora resolveria. Que ele a inscrevesse no SUS, e quando chegasse a vez dela, o avisasse.

O filho, contudo, dono do “Cerimonial dos Sonhos”, resistiu ao atendimento gratuito. Ao que o pai lhe respondeu que nada seria de graça. Tudo já estava pago. E contou-lhe da negociação feita. Mesmo assim, o filho ainda mostrou desinteresse total, pois aquele casamento não daria projeção social nenhum para sua empresa. Ele, para não deixar de atender ao pedido do pai, mandaria a irmã ficar à frente dos trabalhos.

O casamento iria ser celebrado em uma pequena Igreja do Bairro. Tudo fora programado pela irmã do proprietário do Cerimonial, que só veio a conhecer a noiva à hora do casamento, quando ela se apresentou conduzida pelo seu pai. Trajava um vestido de noiva simples, porém muito bonito, feito pela sua madrinha de batismo, que lhe ofertou como presente de casamento.

Ali, já estava o noivo acompanhado da sua mãe, que já operada e recuperada com assistência de fisioterapeutas estava restabelecida, e feliz com o casamento do seu filho com a moça que ele tanto amava, e de quem ela gostava muito. Surpresa ficou a irmã do dono do cerimonial, quando viu quem era a noiva. Reconheceu-a e ficou até muito feliz.

A noiva houvera sido babá dos seus filhos, e depois do sobrinho, filho do seu irmão, dono do cerimonial, que estava vivo graças aos seus esforços pessoais, salvando-o de um afogamento na piscina. Telefonou para seu irmão perguntando-lhe se não queria cumprimentá-la, pois fora a salvadora do afogamento do seu filho.

Ele, com essas afirmativas, foi até a Igreja levar seus cumprimentos ao anjo salvador do seu amado filho. 

A noiva deixou de ser babá, porque houvera prestado um concurso público promovido pela Prefeitura Municipal para ser gari, e fora aprovada e chamada para trabalhar.

Um senhor viúvo, dono de uma farmácia, que todas os dias quando ele ia fazer a coleta em frente a esta, lhe oferecia um lanche, dando-lhe ainda revistas lidas e livros para que lesse também, estimulava-o para que estudasse. Adquiriu por ele grande estima e foi convidado para ser seu padrinho de casamento.

Quando viu de perto a mãe do jovem, se surpreendeu. Ela houvera sido sua colega de escola e tinha por ela grande admiração. Sabia que estava viúva. Ela também se lembrou dele. Logo que possível se aproximaram para uma conversa.

O dono do Cerimonial, arrependido por não ter querido colaborar para o sucesso da cerimônia, por se tratar de pessoas pobres que não lhe dariam qualquer retorno social, ajoelhou-se, pediu perdão a Deus e até, chorou emocionado. 

Os festejos foram celebrados em um clube social do bairro. Alguns vizinhos e amigos prepararam uma recepção incluindo o bolo da noiva, que satisfez a todos, pois eles eram muito queridos. Alguns levaram bebidas, e outros amigos trataram da parte musical, levando violões, violinos, bateria, pandeiros, e outros instrumentos que deram muita alegria ao ambiente. Apareceu até um cantor que com sua bela voz, e com o acompanhamento dos instrumentos musicais, encantou a todos os presentes, cantando uma linda Ave-Maria, e muitas músicas românticas.

         A homilia do Celebrante fora emocionante, transmitindo aos noivos os direitos e deveres que a partir daquele momento tinham um para com o outro. E foi com grande emoção que eles disseram o “sim” quando perguntados se desejavam casar de sua livre e espontânea vontade. A mensagem fora baseada em Efésios 1:13-14 Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória.

Casados, continuaram as confissões recíprocas de como se amavam e como Deus estava sendo bondoso para com eles, os permitindo casar em um clima de muito amor e cercado da amizade dos seus amigos.

A festa prolongou-se até quando já despontava o novo dia. Contou com a presença dos colegas e amigos, entre os quais os garis que se tornaram famosos no Sambódromo. O viúvo, padrinho do casamento e colega de escola da mãe do noivo, fez-lhe companhia durante toda a festa, dançaram, conversaram, e sorriam muito. Tudo indicava que um novo romance estava à vista.

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