Sábado, 27 de Novembro de 2021
23°

Alguma nebulosidade

Curitiba - PR

Blogs e Colunas Colunistas

Uma emocionante história de superação contada pelo colunista Edomir Martins de Oliveira.

Do livro "Finalmente a Noiva Chegou, Parte II".

15/10/2021 às 09h04 Atualizada em 17/10/2021 às 15h12
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
Compartilhe:
Ilustração ML
Ilustração ML
 
Contador de visitas

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou" II – Parte II

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB 

A SUPERAÇÃO PELO EQUILÍBRIO E PELO AMOR

 

Jeremias 9:23 – Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico nas suas riquezas;...o que se gloriar, glorie-se em me conhecer e saber que eu sou o Senhor...

A última reunião do Condomínio daquele Prédio residencial foi muito difícil para o Síndico. Era um desentendimento geral. Apareceram muitos sábios em soluções querendo falar ao mesmo tempo para apresentar suas sugestões, e isso gerou uma balbúrdia, o que graças a habilidade do síndico pode ser contida.

Tudo girava em torno das taxas do condomínio mensal que diziam os condôminos, eram inaceitáveis estarem tão elevadas. Uma voz se levantou lembrando que era um absurdo serem 4 elementos de Portaria. Era por isso que as taxas estavam tão altas. Poderiam muito bem ficar só com um e uma zeladora e estaria resolvido o problema. A noite não haveria porteiro disponível. 

Uma senhora idosa, que gostava muito de viajar, mostrou sua indignação em não poder contar com porteiro à noite, pois quando chegava de viagem era quem a ajudava a carregar suas malas levando-as até a porta do elevador de serviço. Um condômino argumentou: - A senhora vai ter que manter informada sua empregada para dizer da hora de sua chegada, em voo noturno, para vir ajudá-la.

Um terceiro, então, apresentou uma solução que lhe parecia a mais justa. Seria feita uma rescisão contratual com a Administradora do prédio vez que os empregados são seus e não do condomínio, no que diz respeito aos funcionários que prestavam serviço de Portaria e todos seriam substituídos pela tecnologia moderna; e que graças a esses benditos serviços poderiam dispensar os porteiros. A tecnologia resolveria tudo.  Era só apertar botões e consultados por elas qual o apartamento desejava ir o visitante, e os portões se abririam.

Foi então que mais um se levantou para lembrar que essas máquinas são muito caras e conquanto substituam o trabalho humano, tem que haver alto investimento para adquiri-las. Reconhecia que seria o único modo de baixar as taxas mensais do condomínio. Até que um condômino fez ver que seria tudo em caráter experimental, e se nada desse certo voltaria ao que já vinha costumeiramente sendo feito.

E ficou essa a decisão: o contrato com a Administradora do prédio seria rescindido e o condomínio iria substituir os porteiros pelas máquinas modernas; a tecnologia era uma necessidade; não podia ser desprezada; o prédio teria que se modernizar

Foi então que um Porteiro do Prédio começou a ver ruir seus planos de casamento com a manicure que atendia muitos apartamentos ali, e que era a mulher que ele muito amava. 

Eles começaram a trocar olhares e sorrisos, desde que ele a viu, chegando ao prédio, indo prestar seus serviços profissionais a uma senhora e suas filhas e sentiu por ela grande atração. Começou a perceber que dentro de pouco tempo a manicure tinha conquistado outras clientes no mesmo prédio, o que lhe permitia vê-la pelo menos três vezes por semana. 

Eram sorrisos amáveis e recíprocos logo a sua chegada. O porteiro quando anunciava ao apartamento que ela chegara, para prestar o atendimento a uma determinada família, fazia com muita doçura na voz o que deixava a moça muito feliz. Virou até um poeta quando falava da manicure dos cabelos pretos e longos, parecidos com a “asa da graúna”, segundo aprendera em um livro do escritor José de Alencar.

E com esse clima de alegria recíproca, eles começaram a namorar. Tinham planos para casar futuramente, mas agora com a dispensa dos serviços de portaria teriam que repensar o assunto. Ela, muito religiosa, dizia-lhe que não se preocupasse, pois Deus haveria de ajudá-los nos planos de casamento. Amavam-se muito e seria uma felicidade ser sua esposa. E então se dispuseram a orar mais para Deus ajudá-los na realização dos seus sonhos.

Após a instalação da Portaria Remota, não demorou muito para começarem as reclamações: as compras da internet chegavam e não tinha quem as recebesse caso não houvesse ninguém em casa. Às vezes, havia queda de luz ou de internet e moradores ficavam presos entre os portões para serem liberados. Em uma dessas ocasiões, uma criança ficou presa e se desesperou, e os pais mais ainda vendo o desespero do filho. O atendimento, às vezes, demorava para ter devolutiva e as pessoas ficavam muito tempo lá fora sendo expostas à chuva ou forte sol, o que certamente causava reclamações das visitas. Certa vez, um casal de idosos, pai de morador, ficou esperando muito tempo lá fora e sofreu um assalto. Atordoados, disseram que enquanto o prédio do filho fosse com esse tipo de portaria não mais o visitaria.

Edomir Martins de Oliveira, o autor.

Enfim, depois de um certo tempo, muitos moradores se mostravam bastante insatisfeitos e chegaram à conclusão que a portaria remota levava a uma economia, porém, não conseguia corresponder aos confortos e comodidades que um porteiro propiciava. Aquele bom-dia educado, aquele deixe eu lhe ajudar, quando alguém chegava com pacotes, o recebimento das compras quando os moradores não estavam em casa, isso a PORTARIA REMOTA não poderia propiciar. E os desempregos causados à classe de porteiros era algo bem dramático.

E assim, após seis meses da implantação da Portaria Remota, em reunião de condomínio, ela foi reprovada com 90 por cento de rejeição.  Nova decisão adveio: a portaria de volta com seus porteiros.

Aquela senhora, moradora idosa, que havia falado de suas malas e rudemente cortada por um morador deseducado, se virou para ele e disse: -Percebi que o senhor continuou a votar pela Portaria Remota. Mas agora o senhor vai ter que engolir os porteiros de volta, e me ajudando com as malas sempre que eu precisar-.

 O nosso porteiro, felizmente, não perdeu o emprego, pois tinha sido deslocado pela Administradora para outro prédio. A pedido de inúmeros moradores voltou ao prédio onde trabalhava, pois era muito querido por todos, desde crianças aos idosos.  E esses 6 meses, coincidiram com a data do casamento do casal apaixonado: porteiro e manicure. Foi mais um motivo de alegria para eles saber que outros colegas também voltariam às suas funções que tanto amavam e que os deixava tão felizes: ser porteiro de um prédio em que podiam ter tanto amigos. 

Daí por diante, começaram os preparativos para o casamento do nosso casal. Ela dizia que teria que arrumar uma boa colega para ajudá-la a preparar suas unhas para o seu “grande dia”. As unhas são “a moldura para a aliança de casamento”. E toda moldura tem que ser bonita para tornar mais bela e valorizar a apresentação do quadro. Mas isso ela resolveria sem maiores dificuldades. Clientes da noiva sempre foram lhe dando presentes para seu enxoval. Além dos familiares, amigas e colegas de profissão da noiva, registraram seu apoio integral levando presentes e de tudo participando, cheios de euforia e muita animação. 

O porteiro era um rapaz simpático, muito agradável, educadíssimo, admirado por todos os condôminos, o que motivou moradores e proprietários de vários apartamentos, a dar ao casal, presentes de casamento, e desejar muito sucesso na vida matrimonial. 

Em deferência especial aos noivos, foi disponibilizada a área de lazer do Condomínio para ser celebrada a cerimônia, sendo este presente inesperado recebido com muita emoção pelo casal. Uma tia e uma irmã da noiva que trabalhavam com eventos tomaram aos seus cuidados o serviço de cerimonial que dariam como presente aos noivos. E assim nada faltou na cerimônia. O bolo muito gostoso, além de bonito, chamou a atenção de todos pela criatividade. Os colegas porteiros, que não estavam de serviço, também se fizeram presentes.

Quando a noiva chegou conduzida pelo seu pai, o noivo já estava lá com sua mãe, esperando-a. O Celebrante iniciou a cerimônia, invocando a presença de Deus na vida do casal e lhes desejou muitas felicidades, em bela homilia, advertindo-os sob a vida em comum que doravante haveriam de desfrutar, com respeito mútuo e direitos e deveres recíprocos. Lembrou-lhes o contido em Hebreus 2:1 – Por esta razão importa que nos apeguemos, com mais firmeza às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. 

No salão de festas do prédio era grande a animação e todos dançavam com o acompanhamento de um saxofonista tocando muita música romântica e vários outros ritmos. O fazia para alegrar ao casal, e aos presentes. 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias