Qual o verdadeiro estilo de ADRIANO SIQUEIRA?
(*) Mhario Lincoln
Escritor imerso na Literatura Fantástica, onde Monstros, Reis, Rainhas, Fantasmas e Vampiros assaltam sua literatura constantemente, Adriano Siqueira consegue se esgueirar com tanta flexibilidade entre esse alvoroço de ideias e gêneros quando se senta em uma prancheta para desenhar. Uma arte própria. Desenhos incrustrados de influência Celta, Romena ou mesmo indo beber na fonte de alguns litteris do cubismo global.
Claro que eu estou escrevendo não pelos temas usados por ele, morte, vampiros, lutas, princesas, heróis. Mas especificamente, pelo estilo. Pelo nascimento de um possível estilo que me leva a crer em algo muito pertinente do que vou abordar a seguir.
Aliás, em 1908, no Salão de Outono em Paris, foram exibidos alguns quadros de Georges Braque, em que telhados se fundiam com árvores, dando a sensação de cubos. Henri Matisse, participante do júri, qualificou esses quadros de "caprichos cúbicos". Daí, certamente a denominação de CUBISMO, um outro movimento de vanguarda, inicialmente aplicado à pintura e depois à literatura.
Voltando ao nosso Adriano, esse, chega perto dos “caprichos cubistas”, que Matisse denominou. Não é um desenho simples que ele faz. É algo envolvido em diversas formas geométricas, sejam grossas retas, cubos, ou matéria prismática. Nunca tinha, até hoje, experimentado uma experiência em que, depois de pensar ser aparentemente, algo infantil, sem métrica ou de uma construção tosca, pudesse, com uma olhadinha a mais, descobrir algo especial nesses desenhos.
Trata-se de uma nova concepção criativa de um trabalho que tem, sim, vínculos claros com o cubismo. É visível o entrançamento de cores pastéis que fogem da mesmice e remetem à quietude plasmática de Georges Braque (vide foto. O Violino e o Cântaro). Há explícitas similitudes. (Claro que guardadas as devidas proporções que poderão, no futuro, serem mais aproximadas).
Certa ocasião, quando Adriano Siqueira tomou posse na Academia Poética Brasileira, em seu discurso, afirmava que estava começando a criar um estilo próprio de desenho. Isto é, ainda está nessa evolução todo um ‘modus criativus’ de sua realidade, enquanto artista visual. Porém, corrigindo alguns detalhes que nesse tipo de gênero não é tão necessária ter mão, pés e rostos expressivos, Adriano começa a surfar em uma linhagem métrica, onde o epicentro do todo, na tela ou na prancheta, é o segmento cubista, tendenciosamente exposto em alguns dos trabalhos que vi.
Claro e evidente, que muitos dos grandes nomes do cubismo - Salvador Dalí, Paul Cézanne, Piet Mondrian ou mesmo Juan Gris, começaram com experiências extraordinárias, por serem extraordinários. Mas, sem, aquela obsessão por pés, olhos, nariz, boca, mão, unhas... perfeitas.
Então, alguém pode perguntar: o que Mhario Lincoln vê na arte de Adriano para classifica-la de pré-cubista?
Eu respondo com toda a franqueza: a arte de Adriano Siqueira, logo, logo, vai romper com a normalidade, não buscando só reproduzir o desenho, seja pessoa ou objeto, de um único ponto de vista.
Quem se apercebe das construções pastéis de Adriano - e têm um mínimo de conhecimento de arte visual - no que se refere aos pontos de vista diferentes, que ele consegue imprimir em sua obra, vê-se, claramente, uma questão básica do cubismo: a simultaneidade. E isso é, sem dúvida, algo que pode levar, no futuro mais amadurecido, algo muito perto do gênero.
Caso Adriano Siqueira pretenda entrar fundo e se especializar, com certeza terá muito sucesso. Ler, melhorar as técnicas e praticar. Porém, chegar até onde chegou com seus desenhos e telas, só isso, já merece meu aplauso. Parabéns.
Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira
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