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Edomir: "Um casamento com o clássico menu vegano. Admiração de uns, surpresa para outros"

Mais um capítulo do livro "Finalmente a Noiva Chegou II", de Edomir Martins de Oliveira.

22/10/2021 às 10h55 Atualizada em 26/10/2021 às 18h12
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou" II – Parte II

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB

UM CASAMENTO VEGANO

Gênesis 1:11 – Produza a terra relva, ervas que deem sementes e árvores frutíferas que deem frutos, segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele sobre a terra. E assim se fez. 

Eles se viram pela primeira vez fazendo pesquisas de ecossistemas florestais, mas, envolvidos pelas atividades, não tiveram atenções para dedicar um ao outro. Estavam muito preocupados mesmo era em pesquisar organismos vivos como plantas, animais e micróbios, pois queriam dar sua contribuição à ciência, para melhor proteger o meio ambiente.

Terminada esta primeira etapa dos trabalhos, foram para suas respectivas casas. Até chegaram a pensar um no outro, confessaram entre si, mais à frente. Depois de algumas anotações logo minimizaram as lembranças românticas do dia. Vez por outra, contudo, elas voltavam, e eles indagavam em solilóquio: -Quem será ela? - Enquanto ela ficava pensando: - Como será o nome dele? E ambos se perguntavam se ainda se encontrariam.

Depois de alguns meses, foram fazer suas pesquisas voltadas para o ecologismo aquático. Tinham feito estudos sobre água doce dos rios, e partiram, então, para fazer as pesquisas sobre águas do mar, pois este, além de ser campo vasto para suas pesquisas, teriam oportunidade de deliciar-se com as praias e até tomarem um banhozinho que refrescaria mais a mente.

E aqui o nosso casal de ecologistas voltou a se encontrar. Até pararam para uma ligeira apresentação mútua e um dedo de prosa para dizer a colaboração que desejavam emprestar para a ciência, com seus trabalhos no campo do Ecologismo, pois estavam concluindo seu “Curso de Mestrado” em Ecologia.

Desta vez, até chegaram a marcar um encontro para fazerem juntos um estudo sobre ecologismo urbano, última etapa de suas pesquisas, coincidentemente. Era estranho que cursando a mesma Universidade, e a mesma Faculdade de Ecologia nunca houvessem se encontrado. E a verdade logo aflorou. Eram de turnos diferentes. Ela era aluna do turno diurno e ele do turno noturno.

Precisavam saber o porquê das mudanças climáticas, como andavam as mudanças políticas públicas ambientais, e a degradação ambiental urbana. Eram temas palpitantes.

E foi aí nesse ambiente de estudos e romantismo, que eles descobriram o amor. Estavam mesmo apaixonados. Iriam continuar seus trabalhos, em conjunto. Verificaram, então, que era muito mais produtivo um trabalho em equipe.

Daí em diante, descobriram que não podiam mais se afastar um do outro. Estavam felizes. Produziam mais, e da troca de ideias nasceram-lhes grandes planos profissionais e românticos para o futuro que tinham pela frente.

Eram estudiosos, pesquisadores, mas sentiam a necessidade de reservar um tempo para falarem de si. Precisavam se conhecer melhor. Quando terminavam suas etapas de trabalhos programados para o dia, iam a um cinema, e em fins de semana iam a Igreja, depois iam à praia, onde se deliciavam com gostoso banho de mar e tomavam água de côco bem gelada e depois almoçavam em um restaurante vegano. E o amor recíproco aumentava. Diziam ter nascido um para o outro. 

Fizeram juntos vários trabalhos importantíssimos e a cada descoberta ficavam encantados. Não sabiam, por exemplo, que os cavalos-marinho (macho e a fêmea) dividem o trabalho da gestação, pois assim o casal diminui pela metade o tempo para gerar os filhotes. A fêmea deposita os óvulos na bolsa incubadora do macho e ele os fecunda e carrega.

Ficaram, então, a pensar que se assim fosse entre os humanos, os casamentos iriam diminuir muito, pois o homem não aceitaria essa incumbência. No seu caso, ele aceitaria ante o imenso amor que sentia por ela. Com essa confissão, ela se sentiu profundamente feliz por ser uma grande forma de confessar amor verdadeiro.

Noivaram, e marcaram a data do casamento para depois que defendessem a dissertação do Mestrado. Por isso essas pesquisas todas eram muito importantes. 

A preferência dos ecologistas é pelo chamado “casamento verde”, pois pensar de forma ecológica e ter uma mentalidade sustentável, é própria de quem tem um estilo de vida voltado para a ecologia. Casariam aproveitando a luz solar, pela manhã, e assim economizariam o consumo de energia elétrica. 

Ilustração ML.

Os convites seriam muito originais para quebrar a monotonia dos que se conhece. Seriam confeccionados em papel reciclado com a adição de sementes na sua própria produção, contendo frases curtas de amor e produzindo cartões de agradecimento para os amigos e familiares que plantados dariam origem a uma flor. 

Seria um casamento vegano. Não haveria nenhum item de origem animal. Foi muito importante organizar o evento, assim como o cardápio, com antecedência.  Procuraram um bufê especialista nesse tipo de casamento.

O casamento seria ao ar livre, em uma chácara de tios e padrinhos da noiva, onde existia um lindíssimo gazebo. Iriam casar cercados de muito verde. É aí que está a presença da natureza, dando a certeza do crescimento e de plenitude da conservação da vida.

As flores deveriam ser as da época, apenas com detalhes de flores nativas nas suas variadas cores próprias da região e da época em que estavam casando. A noiva usaria, ao invés da grinalda, uma belíssima tiara de fibra natural ornada de flores, assim como o buquê, tradicionalmente, conduzido pela noiva, segundo orientações passada ao estilista que a preparava para o casamento. E assim foi feito.

Pensaram que a primavera era estação própria para o casamento, época em que os ipês, existentes na chácara, se apresentam em toda sua exuberância, alegrando o coração de quem os contempla, bem como os bougainvilles, os hibiscos, as roseiras, os jasmins e outras que perfumam o belo jardim. O gazebo todo adornado ficou realmente muito lindo. A natureza estava ali presente.

Antes do casamento o casal foi à chácara dos tios para acertarem os detalhes de como seria o casamento. A madrinha e tia da noiva disse-lhe que deixasse o bufê por sua conta. Já tinha reservado uns leitões para fazer assado à pururuca; perus assados e recheados com excelente farofa; patos à califórnia; filés bovinos que dariam excelentes rosbifes, e outras pratos deliciosos.  

A noiva, para surpresa e decepção da sua tia, disse que os casamentos veganos não utilizam esse cardápio. –“Por isso tia, já contratamos um bufê especializado para a ocasião, sem nada de origem animal. É tudo muito gostoso, a senhora irá ver”. 

Quando a noiva conduzida pelo pai chegou ao gazebo, destacava-se em seu lindo vestido feito de cambraia de linho, onde o noivo já a esperava, com seu terno de linho puro e camisa de algodão de fio egípcio. Tudo natural.

Nesse clima foi que o Celebrante realizou o casamento religioso com efeito civil, baseado em o livro de Gênesis 1:12-“A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo a sua espécie e árvores que davam fruto, cujo semente estava nele, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom”.

 Casaram ao som de muita música, com a presença de um Coral da Universidade, onde estudavam. Os músicos, com detalhes verdes em suas camisas e fitas verdes nos instrumentos musicais, transmitiam muita alegria a todos que ao casamento compareceram.

Como sempre acontece, no momento da recepção, um convidado começou a reclamar, dizendo que estava preparado para as comidas próprias de um belo casamento e não esse tipo de comida vegana. Iria só fazer de conta que estava comendo para não ser deselegante para com os noivos. 

Mas, a amiga para quem ele fizera essa confissão, depois de vê-lo ir por diversas vezes à mesa, disse-lhe que na verdade ele estava gostando muito, pois estava repetindo vários pratos. Ele replicou que nem tudo era vegano, a exemplo da casquinha de siri que estava comendo e estava deliciosa! Ao que ela disse que aquela casquinha não era de siri e sim de jaca verde, e mais: o salpicão de tofu defumado, o estrogonofe de palmito, o rocambole assado de lentilha e quinôa, e o quiche de alho poró, que ele estava comendo. Todos eram veganos. Ele concordou que tudo estava delicioso mesmo.

A maior surpresa foi o bonito bolo da noiva e os docinhos que não levaram nada de origem animal, como manteiga, ovo ou leite, e todos acharam deliciosos.

À saída dos convidados, foram eles obsequiados com uma lembrancinha do evento: ecobags, que depois poderia servir como sacola de compras, que continham lembrancinhas diferentes, constante de sementes de plantas ou bulbo de flores, para serem plantadas no local que desejassem.

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