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Edomir Martins de Oliveira conta como o amor surgiu depois da turbulência: um conto aeroviário

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou" – Parte II.

05/11/2021 às 08h32 Atualizada em 05/11/2021 às 15h10
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou" – Parte II

  Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB 

DEPOIS DA TURBULÊNCIA, O CASAMENTO

Hebreus 13:4 – Digno de honra entre todos seja o matrimônio... 

Ele, desde os primeiros anos escolares, sempre sonhou em ser aviador. Os pais não queriam ver esse sonho realizado porque um tio do garoto, comandante de aeronave, morrera em uma tragédia ocorrida com um avião que pilotava. O avião caiu no mar e o resultado é que morreram tripulação e passageiros.

Nada demoveu, contudo, o sonho do jovem. Ele nascera mesmo para fazer aviação. 

Por estranha coincidência, o sonho daquela moça também era aviação. Sempre sonhara em ser aeromoça. Nada a fazia mudar de opinião. Os seus pais lutaram muito por oferecer-lhe outras oportunidades. Mas, foi o jeito eles concordarem com os anseios da jovem, embora ficassem preocupados com a profissão por ela escolhida. Ela começou desde cedo seu estudo de línguas estrangeiras, para as quais tinha muita facilidade de aprendizagem, já pensando na sua profissão de aeromoça de voos internacionais.

Ele fez seu Curso de Aviação Civil, em uma Universidade de São Paulo, que tinha como objetivo formar profissionais capacitados para atuar em diversas áreas da aviação civil. Ela fez seu curso de aeromoça (ou comissária de bordo) em escola reconhecida pela ANAC como a maior e melhor para profissionais que desejam atuar nessa área. 

Terminados os seus cursos, não foi difícil encontrarem seu espaço profissional ante seus ótimos currículos. Tinham conquistado a realização dos seus sonhos.

Ilustração ML

Depois de alguns meses de atividades profissionais, durante um voo, eles se encontraram. Foi nesse voo que enfrentaram uma grande turbulência não imaginada.

Ela, que até então tivera só voos serenos, embora preparada para ocorrência desse tipo, perdeu a tranquilidade desta vez, e correu até a cabine do comandante lembrando-se da música, de Belchior, “Medo de Avião”. Observou na oportunidade que o piloto automático estava ligado. Pediu até perdão ao comandante, mas segurou sua mão, tendo ele a tranquilizado dizendo-lhe que turbulências eram normais, que tudo estava bem, com os comandos todos obedecendo e que ela ficasse tranquila e fosse passar tranquilidade aos passageiros.

Ela, então, envergonhada, voltou-se para os passageiros e transmitiu-lhes as palavras seguras do piloto. 

Eram passageiros apavorados!! Algumas vozes dizendo: -Senhor Deus, recebei a minha alma; duas freiras que estavam a bordo, apressaram-se em pegar seus terços e rezar pedindo a proteção do Pai Celestial; era gente chorando e pedindo perdão pelos pecados que cometeram em sua vida. Após um minuto, que parecera uma eternidade, ouviu-se a voz tranquilizadora do Comandante informando que a zona de turbulência houvera sido atravessada. Realmente a estabilidade do aparelho voltara à sua normalidade.  

Chegado ao destino, o piloto pousou a aeronave e convidou a aeromoça para almoçarem juntos quando conversariam um pouco. 

Foi aí que a grande revelação aconteceu. Ela confessou-lhe que o conhecia quando ele ainda estudava para piloto e dizia para consigo mesma: - Que Comandante lindo ele vai ser!! Ah! Se eu tiver oportunidade farei de tudo para conquistá-lo, se ele estiver solteiro até lá. Eles, contudo, só vieram a se encontrar naquele voo, e se aproximaram graças ao incidente da turbulência. Ele, por sua vez, declarou também que ficara feliz pelo incidente, pois apertara sua mão e a tranquilizara. 

Bendita turbulência!!! Ao sentir o contato de sua mão apertando a dele pode sentir quão importante tinham sido aqueles momentos. Segurar a mão dela pela primeira vez, deu-lhe alegria imensa. Ela por sua vez não poupou elogios ao comportamento profissional do Comandante que, com habilidade, atravessara a área de turbulência, e tudo correra muito bem.

 Belchior tinha razão: -O medo de avião permite que um transfira ao outro, num aperto de mão, a segurança tão necessária nessa hora. 

Ela estava pedindo a Deus que com esse primeiro aperto de mão outros viessem, e, realmente, outros seguiram-se. Decidiram que poderiam estreitar seus laços de amizade, iniciando um romance onde o “amor já estava no ar”.  Foram para o hotel reservado para a tripulação. Tiveram uma noite com sono interrompido várias vezes, ocasião em que telefonavam um ao outro para fazer declaração de amor. 

Mas o tempo certo para se encontrarem era agora. Já estavam adultos, com sus atividades definidas, fazendo aquilo que tanto sonhavam, que era aviação.

Fizeram o desjejum em companhia um do outro e partiram juntos para o trabalho, pois novo voo os aguardava. Ela conversava, dizendo que enquanto estivesse ao lado dele não teria mais medo de turbulências aéreas, tempestades ou trovões.

A época era invernosa. Muitas chuvas estavam acontecendo diariamente, foi quando, de repente, um relâmpago, antecedeu um forte trovão que logo em seguida se fez ouvir. Ela, que há poucos instantes declarara que ao lado dele não sentiria mais medo, aproveitou o momento do susto do trovão para segurar a mão dele com firmeza, ele disse-lhe que não precisava apertar sua mão só em momentos de medo, que poderia apertá-la quando desejasse, que esses momentos lhe deixavam muito feliz.

Eles estavam percorrendo um excelente caminho em suas vidas. Logo veio um noivado e marcada data de casamento. 

A cerimônia foi realizada na “Chácara Felicidade”, dos pais de um amigo do casal, que gostava de fazer acrobacias aéreas. Conseguiu aprovar na ANAC um show para homenagear o casal amigo nesse dia. E na hora do casamento as opiniões se dividiam. Uns convidados diziam que aquele show era uma loucura e irresponsabilidade, pois o avião podia cair sobre os convidados. E cada vez que o avião fazia um voo rasante uns convidados ficavam assustados, enquanto outros se divertiam. Uma jovem chegara a afirmar que se soubesse desses voos loucos jamais teria ido ao casamento e essa diversão era altamente irresponsável, não tendo nisso nenhum romantismo. E a cada voo rasante chuvas de pétalas de rosas eram jogadas sobre o local. E os convidados aplaudiam esta homenagem aos noivos.  

Ao final da cerimônia, quando chegou a hora da noiva jogar o buquê de flores, a jovem mais apavorada, o pegou. Muito feliz, pensando que poderia casar em breve, foi logo dizendo que não haveria essas acrobacias aéreas. Seria tudo de pé no chão com os tratores existentes na fazenda dos seus pais. Logo se ouviu um comentário de que até ganhando o buquê da noiva ela fazia questão de ser antipática.

De repente, o “piloto acrobático” amigo do casal, chegou à festa e interessou-se em conhecer a moça que recebera o buquê jogado pela noiva. A moça lhe foi apresentada, e logo, vibrante de emoção, acreditou que aquele poderia ser o seu príncipe encantado que o buquê estava trazendo. Disse que ele chegou em boa hora, pois o louco show de acrobacia havia passado. A amiga, que os apresentara, disse que ele houvera sido o piloto acrobático amigo dos noivos. Ela, envergonhada, não encontrou palavras para se desculpar, e ele logo se retirou de perto daquela moça cheia de chiliques, que lhe pareceu muito deseducada.

As daminhas vestidas de aeromoças e os pajens, de pilotos, mereceram aplauso quando entraram conduzindo as alianças, portadas em um pequeno avião, feito para a ocasião.

Chamou a atenção de todos a criatividade da artista que confeccionou o bolo, que tinha um avião sobrevoando as nuvens com os noivos sobre as asas. O Cerimonial encarregado da recepção foi por todos elogiado.

O Celebrante conduziu a cerimônia com uma bela homilia com a mensagem Bíblica baseada em I Coríntios 7:3 – “O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido”, que foi muito edificante para todos.

Emocionante foi o momento em que os noivos proclamaram os seus votos, tendo o noivo inicialmente dito:  “Como comandante de avião é a minha responsabilidade zelar por toda a segurança de voo, pela equipe e pelos passageiros que estão voando comigo. Tenho muitas horas de voo, mas certamente faço o voo mais importante da minha vida, que vai me conduzir à jornada da vida dos casados felizes, pois terei ao meu lado a mulher que amo e que será a mãe dos meus lindos filhos”. 

        Ela, em seguida, muito emocionada, pronunciou seus votos também: -“Assim como na minha profissão, no contato com os passageiros e no meu zelo por eles, darei tudo de mim, sempre estarei atenta, para ser uma boa esposa para você, meu querido marido, e nossos futuros filhos, doando-me para que tenhamos as melhores rotas na jornada de nossas vidas, sem medo de turbulências, graças ao nosso amor”.

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