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Mundo #JAMES C. HUNTER

Hélcio Silva, em seu blog, resgata uma das entrevistas mais importantes na carreira de Mhario Lincoln

James C. Hunter, o Monge e o Executivo.

06/11/2021 às 09h55 Atualizada em 06/11/2021 às 12h56
Por: Mhario Lincoln Fonte: Blog do Hélcio Silva
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Mhario e Hunter/2004
Mhario e Hunter/2004

Nota do Editor: agradeço penhoradamente o resgate de uma das entrevistas mais importantes em minha carreira, quando decidi mudar os rumos de meu trabalho profissional na imprensa, passando a me dedicar, desde 2004, exclusivamente à literatura, arte e música. Iniciei entrevistando ninguém menos que o escritor americano James Hunter, autor de um dos best-sellers mais vendidos no Mundo: "O Monge e o Executivo". Desta forma, o blogueiro Hélcio Silva (meu amigo pessoal) me presenteou com a publicação da entrevista, na rede virtual, já que havia sido publicada somente em papel impresso. Assim, a publicação de Hélcio tornou-o factível de leitura em todos os lugares onde a internet chega.

Foto: Mhario Lincoln com James Hunter em entrevista exclusiva sobre o best-seller O MONGE E O EXECUTIVO. Ainda na foto, Aline Marques. (Divulgação).

BLOG DO HÉLCIO SILVA

Matérias Especiais.

Hoje, convido Mhario Lincoln

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Exclusivo: Mhario Lincoln entrevistou o escritor #James C. Hunter

(*) Mhario Lincoln é jornalista sênior, editor da plataforma informativa Facetubes (www.facetubes.com.br) e presidente da Academia Poética Brasileira.

Em sua primeira passagem pelo Brasil, em 2005, o escritor James C. Hunter, autor do best-seller O MONGE E O EXECUTIVO, foi entrevistado por Mhario Lincoln, em uma das lojas do grupo Livrarias Curitiba, (atualmente fechada), na Boca Maldita/Rua XV de Novembro, tradicional ponto intelectual e político da capital paranaense.

Mhario me contou a aventura, ainda visivelmente feliz: 

"Foi um encontro de mais de uma hora na sede das Livrarias Curitiba, no Centro de Curitiba-Pr. Fui levado pelo, então, assessor de imprensa do grupo de livreiros, jornalista João Alércio Mam. Lá, já encontrei o editor de #James C. Hunter, no Brasil, o empresário Marcos Pereira, da Editora Sextante, campeã de vendas de livros no País, comprovado pelas últimas edições das listas dos mais vendidos da revista VEJA. Hunter dava autógrafos a clientes e explicava detalhes de sua obra, com a mesma característica de Simeão, personagem principal de “O Monge e o Executivo”, best-seller nos EUA e, agora, no Brasil. Sentei-me à sua frente, acompanhado da tradutora, Aline Marques, que também me levou a "frequentar", lendo o livro, o Mosteiro, cenário da aventura das cinco pessoas completamente diferentes, mas com um único objetivo: Aprender a verdadeira linguagem de um líder."

Blog do Hélcio Silva.

Transcrevo a entrevista de Mhario Lincoln:

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Mhario Lincoln: Quem é personagem Hoffman?

James Hunter: No livro, Hoffman ganhou fama no mundo dos negócios por sua capacidade de recuperar empresas em crise, transformando-as em exemplos de sucesso. Quando entra para o mosteiro, Hoffman ganha outro nome. Passa-se a chamar irmão Simeão. Uma de suas teses principais é quase a base da liderança não é o poder e sim a autoridade, conquistada com amor, dedicação e sacrifício. 

 

MHL - qual a verdadeira base da liderança? 

JH: Servir! Essa é a base. Aliás, respeito, responsabilidade e cuidado com as pessoas, são virtudes indispensáveis a um grande líder. Ou seja, para liderar, é preciso estar disposto a servir. 

 

MHL: fiquei impressionado com os conceitos de que você consegue incluir num tema de cunho tão “executivo”, isto é, até então minha ideia era de que o executivo teria sua liderança pautada em conceitos puramente financeiros e de total poder sobre sua empresa. 

JH: Não é isso! Procuro mostrar os verdadeiros conceitos de liderança, tendo como ponto básico o servir. Alguns críticos acharam o livro de cunho religioso. Não é. Eu tomei a figura de Jesus como base para explicar meus conceitos. E eu pergunto: quem foi o maior líder de todos os tempos em manusear uma arma sequer? Qual o líder que arrasta milhões de pessoas no Mundo sem cometer um ato de violência? Jesus, claro! Então esse é o grande exemplo, sem ter que ser - meu livro - obrigatoriamente de cunho religioso. 

 

5 - MHL - Você se sente um verdadeiro líder?

 JH: ainda não estou aonde quero estar. Mas eu sou melhor do que eu era. Estou crescendo. Dou-me bem como líder. Minha esposa diria que sou um bom marido, tento ser um bom pai, nos negócios trabalho duro, mas tenho dia ruins. Continuo melhorando. Essa é a chave da boa liderança: continuar melhorando sempre…

 

6 - MHL - Você consegue fazer a diferença entre autoridade e poder, dentro da própria família?

JH: Sim! As vezes tenho que usar o poder, quando minha autoridade se quebra. E quando isso acontece é um dia ruim para mim. As vezes eu também falho, quando tenho que gerar autoridade. E isso me traz um sentimento de falha, o que me leva imediatamente a tentar corrigi-la. Quando tenho que mandar embora algum funcionário meu, esse sentimento de falha se aflora. Isso porque, como líder eu precisaria ajudá-lo a vencer. Então se eles falham, eu tenho um pedaço disso. 

 

1ª edição brasileira. Autografada pelo autor JH.

7 - As empresas americanas que você conhecem usam a pirâmide invertida - um dos fortes ensinamentos do seu livro. Sim?

JH: Algumas usam mais do que as outras. Está longe de serem perfeitas. Algumas inverteram, outras estão na metade do caminho. Mas acredito que muitas empresas americanas estão caminhando no sentido da inversão. O gerenciamento ditador - com o  poder - não funciona mais.

 

8 - MHL: Por que?

JH: Esses jovens que estão crescendo - a nova geração de profissionais - não respondem ao poder. Tivemos um censo nos EEUU e ele mostrou que dois terços dos empregados que saíram das empresas, não saíram da EMPRESA. Foram embora do CHEFE. Grandes companhias já perceberam que um bom gerenciamento não é mais suficiente. O que é preciso, hoje, é de grandes líderes. Não de ‘grandes' controladores. 

 

9 - MHL - E os gerentes com MBA? 

JH: As empresas podem contratar qualquer um que tenha MBA. Esses, são habilidosos em gerenciamento. Mas gerenciamento não é liderança. Só porque sabe fazer o trabalho, não significa que você inspire a fazer. Essa já é outra habilidade. Conheço grandes gerentes que são péssimos líderes e vice-versa. Isso porque o Mundo mudou. A pirâmide antiga está aí desde o início dos tempos. Jovens querem mais. Eles não se impressionam mais com títulos em pequenos escritórios. Nos Estados Unidos, eles procuram um líder. E se você não dá a eles, então, tchau…

 

10 - MHL - A deficiência está no chefe?

JH: A nova geração pensa assim: eu vou achar um chefe que me entenda. Isso está criando uma grande pressão nos EEUU. Minha geração (50 anos) acusa os jovens de não serem leais. Eu - pelo contrário - acho que parece saudável o modo de pensar da juventude atual. Não pela deslealdade. Mas, se tem um chefe que não é líder e que não entende de liderança com autoridade, então o jovem vai embora. Porque passar a vida trabalhando para quem não lhe entende? A minha geração aguentava um chefe ruim por 30 anos. Mas o mundo mudou e os negócios são forçados a mudar. 

 

11 - MHL -Esses seus conceitos funcionam em empresas grandes ou pequenas?

JH: Esses princípios se aplicam em qualquer lugar. Não só em empresas. Mas em famílias, igrejas, casamentos, onde existam uma vou mais pessoas reunidas com um propósito. Liderança é influência. Temos que olhar a liderança de uma outra forma. Todo mundo é líder. A única pergunta é: são eficientes ou não? Não  há característica de tamanho. Esses conceitos funcionam onde todos se responsabilizam pela equipe, mesmo com responsabilidades diferentes. O presidente tem uma, o setor financeiro outra, o vendedor outra e assim sucessivamente. A única pergunta é: a sua organização vai ficar feliz porque você estava ali? Você está ajudando a empresa? A sua família vai ficar feliz porque você estava lá? Então, se cada um exercer sua liderança em seus cargos, o tamanho da companhia não é o mais importante. 

 

12 – MHL - O senhor como Consultor tem tido dificuldades para ensinar esses conceitos em empresas tradicionais?

JH: Respondo com uma palavra: comprometimento. A parte difícil não é concordar com isso. Eu ensino esses princípios há 28 anos. Ninguém nunca levantou a mão para falar o contrário. Como você vai discordar de honestidade e responsabilidade? Os princípios são autoevidentes. Nos EEUU a gente fala, faz o "feijão com arroz". Mas apenas concordar é fácil. Tirar da cabeça e aplicar os princípios é o mais difícil. Você não aprende liderança só em sua mente. Você aprende sobre liderança, mas você não se torna um líder se não for para o coração e para a ação. Conheço pessoas que escrevem livros sobre liderança, mas não sabem como praticar. Nunca serviram outra pessoa. Encontro eles nas Universidades, são professores, mas nunca serviram a ninguém. Ninguém nunca aprendeu a nadar lendo um livro. Deve ser praticada a natação. Ninguém nunca aprendeu a jogar futebol assistindo a grandes partidas de futebol. Você precisa jogar. Você precisa servir! Então. Todo mundo concorda com esses conceitos. Mas poucos conseguem realmente traduzir em ação. 

 

James Hunter.

13 - MHL - Seu livro mostra conceitos religiosos também, não é?

JH: O Monge e o Executivo não é um livro religioso. Mas alguns exemplos religiosos são fundamentais para explicar os conceitos que apresento. Veja: Jesus Cristo ficou muito frustrado com algumas pessoas de sua época. As prostitutas, os drogados, as pessoas que recolhiam os impostos. Mas com esses não tinha tanto problema. O problema maior era com aquelas pessoas que eram falsas espirituais. Sabiam tudo de Deus e não conheciam à Deus. 

 

14 - MHL - E no Brasil, já existem experiências de seus conceitos?

JH: Esta é a minha primeira experiência  no Brasil. Há dois meses eu nem sabia que estava sendo bem vendido no Brasil. Mas, pelo que sei, tem umas empresas brasileiras marcando agenda. Querem que eu venha e ensine os conceitos. Mas isso é apenas o começo.

 

15 - MHL - Como você conseguiu juntar em seu livro conceitos religiosos, executivos, psicanalistas, com Bernard Shaw, Jesus, Freud e temas poéticos?

JH: Eu não queria escrever mais um livro entediante. Livros sobre administração sempre fala à mente. Histórias falam ao coração. Jesus falava em parábolas. Por que as histórias ensinam ao coração. No coração estamos mais perto da ação. Na mente estamos mais longe da ação. Então decidi  contar a minha história e queria incluir cada um desses grandes homens em minha história para ajudar nos meus conceitos. Volto a dizer: o livro não é religioso. O Monastério é apenas um ambiente. Em respeito à Jesus, ele foi o primeiro que disse que liderar é servir. Mas não precisa necessariamente uma pessoa religiosa para ser um líder. 

 

16 - MHL - Quais as recompensas que um bom líder recebe?

JH: Existem muitas recompensas. E eu estou aprendendo muito sobre recompensas. Tenho chefes que estão se aposentando. E sabem o que eles lembram? Não das metas que foram batidas ou alcançadas. Mas se perguntam: será que na minha vida eu ajudei alguém a ter uma carreira melhor? Será que eu ajudei pessoas a jogarem melhor? Essa é uma das principais recompensas. 

 

17 - MHL - E você? É John Daily?

JH: Todos somos John Daily. Os personagens somos todos nós… Obrigado Mhario. Gostei muito de conversar com você. Nos reencontraremos na frente...

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