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Imortal APB, Edomir Martins de Oliveira escreve sobre "Os atrasos da Noiva e Suas Consequências"

Professor Edomir de Oliveira, 84 anos, é vice-presidente nacional da Academia Poética Brasileira

12/11/2021 às 09h17 Atualizada em 14/11/2021 às 10h49
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou" II
Edomir Martins de Oliveira
Vice-Presidente Nacional da APB
 

OS ATRASOS DA NOIVA E SUAS CONSEQUÊNCIAS

 

Mateus 25:11/12 – Mais tarde chegaram também as virgens néscias clamando: Senhor, Senhor, abre-nos a porta! E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço.

Ela estava uma noiva linda!! Seu vestido foi comprado em uma famosa loja de São Paulo. Estava se preparando em um salão especializado em tratamentos adequados para uma noiva no dia do seu casamento. Quando chegasse em casa, era só colocar o vestido e ir para a Igreja. Seu casamento estava marcado para 18 horas. Estaria presente na hora certa. Não haveria de se atrasar. Seu noivo já havia lhe pedido que não se atrasasse, para a cerimônia, pois, queria tê-la como esposa o mais breve possível.

Suas amigas do CSFD- – Clube Social dos Felinos Domésticos - , haviam sido convidadas e confirmaram presenças.

O mundo nos reserva sempre muitas surpresas. Ela deveria mesmo estar casando com o irmão do seu noivo, cujo namoro se iniciara no CSFD, mas não se consolidara porque um desentendimento deles, os levou a romper o noivado. Ela conheceu os dois irmãos, na festa anual dos bichanos, animais tão queridos por seus donos que vêm neles um companheiro inigualável.

Não são poucas as ONG’s criadas para proteção dos animais da espécie, considerados de estimação. Não se pode negar a enorme contribuição que inegavelmente dão aos seus donos, distribuindo muito amor.

Anualmente, é feita uma reunião social, onde os animais se encontram para melhor se conhecerem, não sendo poucas as gatinhas que vão de fitas no pescoço, brinquinho na orelha e outros adornos que são postos no animal, para torná-las mais atraentes.

Existem comemorações de aniversário dos bichanos, onde eles bem banhados e perfumados, são artisticamente trajados para o evento. A eles são servidas rações bem apetitosas. Aos donos, frios e doces. Alguns donos dos animais dão-se ao luxo de contratarem banda de música para darem sensação de que eles sabem apreciar boas músicas.

Cenas de ciúmes são normais nessas festas. Não são poucos os donos dos animais que empreendem o melhor dos seus esforços para evitar desentendimentos, ou mesmo brigas dos animais. Fato muito interessante foi o caso da briga de dois gatos, que acabou envolvendo seus donos, que tomaram as dores dos animais como se fossem seus filhos brigando.

Essas reuniões são importantíssimas! É a afirmativa geral, pois propiciam aos felinos a oportunidade de melhor se conhecerem e poderem escolher certo seus parceiros.

Os animais, chegando ao salão, recebem uma coleira de identificação e ficam recolhidos em uma ampla jaula que lhes permite iniciar seus romances sentimentais, enquanto cada dono fica torcendo pelo seu animal para que ele encontre o parceiro certo. Quando isso ocorre e chegam ao acasalamento, a animação aumenta e há uma festinha de casamento dos animais com direito a bolos e muitos aplausos dos seus donos. E aí, como que em uma casa de apostas, são feitos negócios com os filhotes que haverão de nascer. Há até quem antecipe algum valor para garantir a reserva de um filhote.

Foi assim que um casal de jovens que levou seus gatos para uma festinha da espécie, acabou se enamorando.

Ela, dona de uma bela gatinha da raça Persa com seu temperamento tranquilo e amável, e ele dono de um gato da mesma raça, elegante e independente. Os dois animais logo se identificaram e deram mostras de que estavam resolvidos a constituir uma família.

Os seus donos também começaram uma conversa muito agradável, mostrando-se satisfeitos com a identificação dos animais e ficaram então pensando que, semelhante aos seus felinos, eles também estavam se identificando tão bem, que poderiam marcar um novo encontro para se conhecerem melhor.

Combinaram ir a um cinema assistir a um filme romântico de muito sucesso, que estava sendo exibido nas telas dos cinemas locais. No filme “Como Eu Era Antes de Você”, a cuidadora acaba se envolvendo com o paciente tetraplégico. A jovem, muito emotiva, foi às lágrimas, quando viu o zelo profissional da cuidadora. Nesse momento, eles se deram as mãos, ela como que lhe tentando passar as emoções que estava sentindo e pedindo conforto.

 

O autor: selo Expertise de acessos.

Ao final da sessão cinematográfica, foram jantar em um restaurante, ele dizendo que estava pedindo a Deus para que não terminasse a noite, e ela demonstrando muita felicidade pelas horas que estavam passando juntos.

Outros encontros se sucederam. Eles estavam com um namoro de comprometimento recíproco e muito felizes. Eram profissionais liberais. Deram prosseguimento ao romance, e assim prosseguiam com o namoro.

No ano seguinte, fizeram mais uma comemoração de festa para os gatinhos. Era 8 de agosto, dia mundial reservado para comemoração deles. Ficaram pensando que aquela seria uma boa data para noivarem, estavam namorando há um ano e se dando muito bem, cada dia se conhecendo melhor.

Já começavam a pensar na data provável do casamento. Eles se amavam muito, gostavam de estar juntos e podiam, então, casar. Ele só ficava pensando no feio hábito dela de se atrasar, em tudo o que exigia horário combinado. Para ele era muito irritante, pois era pontualíssimo. De certa feita, tinham comprado ingressos para assistir a um show de Andrea Bocelli em São Paulo, e não foram porque ela se atrasara e perderam o voo.

Ele não toleraria se ela atrasasse a chegada para o casamento, como é hábito das noivas. Várias sucessões de atraso foram se juntando e pensou, então, que era melhor romper esse noivado. Foi bem franco com ela do motivo que o levara ao rompimento. Ela, diante das questões levantadas, aceitou desfazerem o noivado, embora reagindo e prometendo não se atrasar mais em nada. A jovem tinha feito já outras promessas e nenhuma cumprira.

Noivado rompido, o irmão do seu ex se fez presente, alguns meses depois. Fez-lhe várias declarações de amor; disse-lhe que sempre a amara, e que ela o perdoasse ao afirmar que dava graças a Deus pelo rompimento do noivado com seu irmão. Desejava mesmo tê-la como esposa. Ela até ficou a pensar que como ele sempre se mostrara cortês, não seria difícil amá-lo. Seria só uma questão de tempo. Assim, iniciaram o namoro que prosseguiu bem, em seguida noivaram e chegaram à data do casamento. O entusiasmo de ambos era grande. Ela até mesmo ficava pensando, se aquilo seria mesmo amor. O passo era muito grande. Chegou, afinal, o dia do casamento.

Parece que algo a perseguia para que atrasasse compromissos. No dia do seu casamento que ela fizera de tudo para não atrasar, houve um incidente com sua gatinha “Fifi”, que estava apresentando vômitos. Tinha o nome do remédio indicado para esse caso, e mandou o motorista da família comprar. Mas o remédio não tinha na farmácia onde habitualmente comprava e o portador teve que ir a outras farmácias; o tempo foi passando e ela foi muito interrompida com telefonemas que procuravam saber se podia comprar o genérico. Que tristeza! A Fifi ia levar as alianças em um bonito laço no pescoço. Infelizmente não ia poder ir.

Seus pais, já cansados pela espera, lembraram que nada justificava chegar atrasada para o seu casamento. Quando o motorista finalmente chegou com o remédio, ela ainda foi dar uma dose para a gatinha e o resultado foi que se atrasou para mais ainda para chegar à Igreja.

Este atraso foi até providencial para ela, pois na hora do casamento uma jovem em avançado estado de gestação, foi até a frente e disse que aquele homem com quem a noiva ia casar era o pai da criança que ela trazia no ventre, e deixava à noiva decidir se queria casar com o pai do seu filho, que lhe prometera casamento, depois que a criança nascesse.

O noivo, não tendo como negar, retirou-se da Igreja envergonhado pelo vexame sofrido. A noiva deu graças a Deus por ter sabido antes do casamento, pois naquela hora ela sentiu que ainda amava mesmo era o ex-noivo. Era um erro que ela iria cometer, pois pensaria sempre no irmão dele que fora o seu primeiro e único amor.

Alguns meses depois, a noiva estava novamente aprontando-se para o seu casamento. Desta vez muito feliz porque o primeiro noivo aceitara reatar o noivado, pois a amava muito. Chegou à Igreja sem atrasos. Aprendera a dura lição e prometera a si mesma que jamais faria seu amado esperar. Suas amigas do CSFD fizeram-lhe uma grata surpresa, levando seus gatinhos de estimação à cerimônia. Voltara ao primeiro amor.

Casou cheia de alegria e felicidade com o homem que realmente amava, e que demonstrava também que a amava muito. Desta vez a Fifi levou as alianças. O Celebrante fez uma bela homilia baseando sua mensagem no livro dos Salmos 23:6: – “Bondade e misericórdia certamente me seguirão por todos os dias da minha vida...”

Parece que a mensagem tinha sido a ela dirigida, pensou. Seguiu-se uma belíssima festa preparada por com competente Cerimonial e nada faltou. Foi um sucesso.

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