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"O que Audálio Dantas fez com Carolina Maria de Jesus?", reprodução do original Eliane Brum

ELPAÍS/BR

30/11/2021 às 21h51 Atualizada em 30/11/2021 às 21h58
Por: Mhario Lincoln Fonte: ELPAÍS/ELIANE BRUM
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Original do texto/COLEÇÃO RUTH DE SOUZA/ARQUIVO IMS
Original do texto/COLEÇÃO RUTH DE SOUZA/ARQUIVO IMS

Foto: Carolina Maria de Jesus, Audálio Dantas e Ruth de Souza na Favela do Canindé. São Paulo, 1961./ Coleção Ruth de Souza/Arquivo IMSO

Uma opinião sobre o mais recente capítulo da história de uma das mais icônicas escritoras do Brasil e do jornalista que ela descobriu para ajudá-la a ser publicada num dos países mais racistas do mundo.

Para ler a íntegra, siga o link:

https://brasil.elpais.com/cultura/2021-11-30/o-que-audalio-dantas-fez-com-carolina-maria-de-jesus.html?ssm=IG_BR_CM&utm_campaign=later-linkinbio-elpaisbrasil&utm_content=later-22701192&utm_medium=social&utm_source=linkin.bio

ELPAÍS/ELIANE BRUM

Resumo: “Li Carolina Maria de Jesus (1914-1977) antes de ler Audálio Dantas (1929-2018). E li sem saber que Audálio tivera um papel tão importante na publicação da obra dela. De diversas maneiras, eu era ignorante por chegar tão tarde tanto ao livro de Carolina quanto ao entendimento do papel de Audálio na obra de Carolina. A branquitude não é apenas violenta, mas também emburrecedora. Isso descubro e redescubro a cada vez que leio um livro de autoras como Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves, assim como de todos os escritores negros das muitas Áfricas, que só agora estão chegando às livrarias do Brasil. Ler Carolina me deixou uma marca no corpo, a marca de quem entra em contato com outro ser/estar no mundo, com outro habitar-se, com outra experiência de existir. Carolina não retratou apenas o mundo que costumamos chamar de “real”, mas criou outra realidade pela sua escrita, pariu uma outra literatura, como fazem os escritores que são grandes. ⁠

Audálio detestava que dissessem que tinha “descoberto” Carolina. Como ele costumava dizer, Carolina é que o achou. O que Audálio descobriu quando Carolina lhe mostrou seus cadernos é que não fazia sentido ele escrever uma reportagem sobre a favela do Canindé se ela já tinha escrito um diário com muito mais propriedade. E, assim, publicou trechos de seu diário na ‘Folha da Noite’, em 1958, e depois na revista ‘Cruzeiro’, para onde se transferiu no ano seguinte. Dedicou-se por um ano à publicação do primeiro livro de Carolina. Lembro também que, quando falamos de sua trajetória no jornalismo, Audálio brincou, a sério, que sua melhor reportagem era aquela que não escreveu, aquela que foi escrita por Carolina Maria de Jesus”.

Imagem: COLEÇÃO RUTH DE SOUZA/ARQUIVO IMS 

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