Quinta, 19 de Maio de 2022

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Mundo Swing & Jazz

"AS CORES DO SWING". Livro de Augusto Pellegrini .

Capítulo 8 – O Lindy Hop – Parte 2

15/01/2022 às 13h40 Atualizada em 15/01/2022 às 14h02
Por: Mhario Lincoln Fonte: Augusto Pellegrini
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Mont. ML
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Charles Lindbergh

A dança que encarnava o swing já estava tomando conta da cidade, mas não havia sido ainda batizada, até que, numa noite de março de 1927, o aviador Charles Lindbergh, que se faria mundialmente famoso dois meses depois ao atravessar o Atlântico voando numa casca de noz, estava presente no Savoy. Um tal de Arnold Buster, frequentador assíduo da casa, fez uma brincadeira maldosa ao declarar que, em homenagem ao aviador, ele iria demonstrar um passo de dança denominado “Lindbergh Hop” (o “pulinho” do Lindbergh) – “hop” em inglês, entre outras coisas significa “o saltitar dos pássaros quando se movimentam no solo” – como se o avião do piloto não fosse levantar voo, mas simplesmente pular de um lado para outro na pista – do aeroporto, não do salão.

Lindy Hop.

A piada, um tanto desrespeitosa e de mau gosto, pode não ter pegado, pois o avião de Lindbergh decolou de fato, mas a dança, que adquiriu o nome de “Lindy Hop“, acabou se imortalizando e se tornou tão popular que ajudou a concretizar o novo panorama dançante que tomaria conta do país nos próximos vinte anos, prosseguiria através do tempo e ditaria as tendências da moderna dança de salão em todo o mundo.

Lindy Hoppers

Em 1930, um empresário de nome Herbert White contratou um grupo de dançarinos para abrilhantar as noites no Savoy Ballroom, tanto durante os intervalos entre a apresentação das orquestras, quanto como um background coreográfico para as próprias orquestras. Ele batizou o grupo como Whitey’s Lindy Hoppers, e deu início à “swingmania” que tomou conta do país em termos de dança.

O Whitey’s Lindy Hoppers era composto por homens e mulheres que pareciam ter o diabo no corpo, pois pulavam e se agitavam numa coreografia eletrizante, onde as donzelas eram postas de pernas para o ar, fazendo lembrar um ousado French Cancan.

O grupo de White se profissionalizaria no futuro e adquiriria status com exibições na América e no exterior, aparecendo em alguns filmes de Hollywood, como “A Day At The Races”, em 1937, “Hellzapoppin’ ”, em 1941, “Sugar Hill Masquerade”, em 1942 e “Killer Diller”, em 1948. Seu grande legado, no entanto, foi ter participado do impacto que o swing causou em toda a sociedade americana, associando uma música quente a uma dança de salão arrasadora, e transformando o binômio “dança e música” em uma mania nacional.

Herbert White.

Logo, outros grupos dançantes seriam criados, e praticamente cada casa noturna do Harlem e do Times Square possuía o seu. A febre se espalhou pelo país, e os jovens começaram – alguns desajeitadamente, outros com muito talento – a imitar os dançarinos profissionais nos seus passos de dança.

No início dos anos 1930, Cab Calloway havia inventado outra dança para o swing, chamada “jitterbug” (literalmente “o bichinho inquieto”), uma coreografia também saltitante, semelhante ao lindy hop, que fazia os dançarinos se mexerem dentro de uma variação de seis compassos.

Assim como o lindy hop, o jitterbug logo caiu no gosto do público, embora fosse um pouco mais complicado de ser executado e talvez menos espontâneo. De qualquer forma, o lindy hop e o jitterbug podem ser considerados uma manifestação única, responsável por todo o swing dançante e do que viria na sequência, incluindo a dança do rock and roll dos anos 1950, e do twist e dos seus derivados anos depois.

Vinte anos mais tarde – precisamente em 1958 – o lindy hop e o jitterbug, atendendo a uma exigência de marketing, foram fundidos em um só passo e passaram a ser chamados de jitterbug jive. Nessa ocasião, a dança não mais privilegiava apenas o swing, mas já se fazia presente em outros ritmos emergentes e modernos.

Cabcalloway

Assim como aconteceu com o blues primitivo, que ao se espalhar por todo território americano foi adquirindo nomenclaturas regionais sem perder a estrutura e a essência, o lindy hop, depois de sedimentado, logo receberia os mais variados nomes possíveis, dependendo do local onde os grupos eram formados.

Durante os anos 1930 e boa parte dos anos 1940, a dança, que havia sido batizada como “lindy hop” no Savoy Ballroom, foi denominada pelos seus praticantes como “savoy swing”. Outros nomes pelos quais a dança era conhecida incluem “west coast swing” (na Califórnia), “whip” ou “push” (no Texas), “supreme swing” (no Oklahoma), “cajun swing” (na Louisiana), “carolina shag” (nas Carolinas do Norte e do Sul), “imperial swing” (no Missouri) e “DC hand dancing” (em Washingon D.C.), acabando por se internacionalizar como “jive”.

É lícito dizer que o lindy hop foi o vetor inicial para todo movimento popular de dança que se desenvolveu nos Estados Unidos, derivando durante os noventa anos seguintes (estamos falando de 2020) para o rock and roll, o twist, o hully-gully, o break, o rap, o funk, o hip-hop e todas as danças pop de salão, de palco ou de rua.

Video Bonus- Great Lindy Hop & Shag 1940

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