Daqui a pouco a gente se vê
*Mhario Lincoln
José Carlos Martins sem a menor sombra de dúvidas, em minha incursão inicial no colunismo, na cidade de São Luís, lá pela década de 70, foi um ancoradouro seguro. Uma mão amiga e especialmente, um participante ativo de todas as nossas atividades inerentes ao meu trabalho. Eu e ele vimos alguns desses eventos não darem certo e eu, enfurecido e com raiva dos concorrentes, alardeava que ia abandonar minha carreira de jornalismo.
José Carlos, sempre calmo e falando serenamente me falava que tudo passaria. E repetia a história de sua luta. Veio da cidade de Monção-MA, para a capital, junto com o irmão, conseguiram construir uma plataforma de independência financeira e ainda trazer todos os seis irmãos e irmãs, duas delas, que eu admiro muito: as poetas e escritoras Nauza Luza Martins e Maura Luza Frazão.
Uma alma incrível. Um homem de bem. José Carlos sempre soube dar um rumo certo em suas investidas comerciais e quando, por um motivo ou outro, perdia uma concorrência, não se martirizava (como eu). Ele estudava - onde errou: Assim, dizia ele, “volto mais forte na próxima”. Não há dúvida que essas ações de José Carlos Martins - as quais acompanhei de perto por vários anos - também moldaram as minhas posições, a partir dali.
Então, chegou-me primeiramente a notícia de que ele havia sido diagnosticado com problemas graves de saúde. Porém, nesse período, pelo que soube através de seus familiares, mesmo doente, ele procurava ver a vida de forma corajosa. Tinha uma forte conexão com sua família. Como se vivesse a vida intensamente, a cada minuto.
Com certeza, ao saber de seu falecimento nesta semana – fato que me deixou triste, o que é bastante normal entre as pessoas que se gostam e se admiram - fiquei com a certeza de que José Carlos Martins cumpriu seu papel aqui neste Planeta, distribuindo seu coração imenso, sua fraternidade, seu carinho, seu amor, até onde pode alcançar, de forma honesta e lúcida.
Claro que não posso fingir que não houve sofrimento nesse período. Porém, o apoio recebido dos seus, é indiscutível e deve tê-lo aliviado fisicamente e espiritualmente. E nós, deste lado daqui da grande escada, só poderemos é anunciar nossa eterna gratidão, pois ao nosso lado tinha um ser humano ciente, amado e inesquecível.
Até mais, JC querido amigo.
Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira.
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