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QUEM É FÁTIMA SAMPAIO:
Filósofa, professora, educadora ambiental, natural de Belo Horizonte/MG. Acadêmica da Academia Internacional da União Cultural – Taubaté/SP; Acadêmica Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG e da Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura – Taubaté/SP; Sócia Honorária da Anelca e da ALB/MG/ RMBH. Embaixadora da Paz pelo Cercle Universel des Ambassadeurs de La Paix – Suisse/France. (Instagram: fatimasampaio3@). Facebook: (fatima.sampaio.961)
Mhario Lincoln: perguntas para Fatima Sampaio
1 - MHARIO LINCOLN-Em seu recente livro, “A menina que Sonha Verde”, você consegue somar forças entre a linguagem poética com a conscientização ambiental. O que levou você a pensar nesse tipo de educação de massa, através de publicações do gênero?
FÁTIMA SAMPAIO-A questão ambiental, além de ser um tema importante e de grande relevância para mim, é muito envolvente. Estamos assistindo a graves e grandes problemas que afetam drasticamente a ecologia ambiental, social e pessoal. Mais do que nunca precisamos rever e repensar nossas atitudes, costumes e hábitos. Redefinir nossa relação com a Terra; não enxergar o Planeta somente como espaço de exploração, mas como nossa Casa Comum. Pensar a Terra como nossa Mãe. Aquela que nos provê, nos abriga e nos acolhe em seu seio. Este é o convite que “A menina que sonha verde” faz a todos. Sonho não como quimera, mas como um projeto, conquista, busca, objetivos. Acredito na importância da educação ambiental em todos os segmentos formais e não formais. A Literatura é uma ferramenta importante para o desenvolvimento desta ação. O acesso ao Mundo das Letras complementa e reforça a necessidade de uma conscientização ambiental tão indispensável e imprescindível nos dias atuais.
2-MHL- A partir desse trabalho de 2018, você já escreveu outros? Nesse mesmo gênero ou em outra linguagem?
FÁTIMA SAMPAIO-Sim. Em 2020, lancei “O Menino que Subiu a Serra” no mesmo gênero e dando sequência ao primeiro livro de literatura infantil. Ambos são indicados para crianças em fase inicial do processo de alfabetização, despertando e estimulando a criatividade e o imaginário infantil. São pequenas histórias que trazem à tona a questão ambiental (reforçando), um tema muito envolvente. O desenrolar da história acontece na Serra do Rola-Moça, que faz parte do Complexo da Serra do Espinhaço; está situada em Belo Horizonte e em algumas cidades da Região Metropolitana. Um local com paisagens belíssimas e rica biodiversidade. Fica aqui o convite para conhecer o local e o livro.
3-MHL- Santo Agostinho costumava afirmar que a natureza é um bem Supremo porque é um bem idealizado por Deus. Talvez se o ser humano tivesse essa premissa como verdadeira poderia cuidar mais um pouco do Planeta ou não?
FÁTIMA SAMPAIO-Sim, poderia. Para Agostinho, o único bem Supremo é Deus e a natureza, por ter sido idealizada por Ele, era boa. Ele defende que há no homem uma vontade que é livre e que do ponto de vista moral, deve ser utilizada para fazer o bem. Se isso não acontecer, ele será o total responsável. Dessa maneira, a responsabilidade pela prática do mal moral (pecado) é exclusiva do homem, logo Deus continua sendo o Supremo Bem, que não é responsável pelo mal. Então, todo mal é responsabilidade exclusiva do homem que por opção não quis usar sua vontade livre para fazer o bem. Assim, se o homem tivesse como princípio a vontade de fazer o bem (e não pecar) ele cuidaria melhor do Planeta, levando em conta que é de sua exclusiva responsabilidade cuidar de algo que Deus idealizou de forma perfeita.
4-MHL- Você ultrapassou as fronteiras brasileiras com suas obras. Tanto que várias antologias e coletâneas possuem trabalhos seus e foram lançadas na Alemanha, Portugal e Uruguai. Como você se sente diante dessa repercussão?
FÁTIMA SAMPAIO- Para quem escreve, mesmo que sejam poucas linhas, é sempre muito bom ter alguém que leia, pense e reflita sobre suas ideias e emoções. Sinto-me lisonjeada com a possibilidade de ter meus escritos voando em várias direções.
5-MHL-Em um de seus poemas, você escreve: “Aceitei os meus erros, /Agarrei os meus sonhos, /Para construir novo caminho (...)” . Sei que poesia não se explica. Mas se aplica? Então essa lírica é um reflexo de uma mudança radical em seu pensamento, sua vida e suas ações?
FÁTIMA SAMPAIO-Nesse caso, se aplica. Todos somos chamados a rever e repensar nossos hábitos, costumes e atitudes. Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio (Heráclito de Éfeso). Tudo é movimento, tudo flui, tudo muda. Penso que estamos sempre aprendendo com nossos erros e acertos e esta aprendizagem nos leva a um equilíbrio e uma maneira de como “ser e estar” no mundo. Cada dia é uma nova e valiosa oportunidade de se percorrer um novo caminho.
6-MHL- O que noto em seu trabalho de fôlego é um lado solidário muito bonito. Notei isso nesses versos: “Eu canto a dor/ De um povo sem cor/ Sem vez,/ Sem voz,/ Sem amor”. Verdade? Fale-me um pouco sobre essa sua doação que eu acho realmente lindo.
FÁTIMA SAMPAIO-Verdade. Sempre que posso, eu canto a dor e a esperança do caminhar de um povo em busca da fraternidade, solidariedade e amor universal. Neste mundo globalizado muitas vezes caímos na globalização da indiferença, nos tornamos insensíveis a presença do outro. Perdemos de vista o ser humano. E isso me incomoda. A justiça social e a paz interior caminham juntas. A literatura faz da justiça social uma realidade mais palpável revigorando a consciência de que somos uma única família humana em busca do pão da Verdade e da Fraternidade. E, assim, sigamos juntos saciando a todos com a beleza das Letras e das Palavras.
Fatima Sampaio: perguntas para Mhario Lincoln
1- FÁTIMA SAMPAIO- Criativo, competente, gentil e acolhedor. Quem é Mhario Lincoln?
Mhario Lincoln: Para realmente entender quem eu sou, precisei refletir muito sobre uma série de acontecimentos pessoais que por mim passaram. Uma das coisas que tive que me livrar, por exemplo, foi da obsessão de tentar esconder meu lado negativo, a fim de não perder uma “quantidade enorme de amigos” que eu tinha. Desta forma, me mostrava sempre positivo. Porém, um dia, descobri o quanto seria útil não só tentar corrigir erros (alguns incorrigíveis), mas, ampliar e fortificar os meus pontos fortes, sem deixar de ser gentil e acolhedor, aliás, requisitos obrigatórios numa relação inteligente. Pensar mais em melhorar aquilo que achava ser bom. A primeira coisa que eu aprendi: os verdadeiros amigos vão continuar com você, de qualquer forma; outros, desaparecerão rapidamente. Resultado: ao longo dos últimos 20 anos, comecei a conquistar amigos muito bons e verdadeiros. Sem eu precisar aparentar ser um homem “sem defeitos, culto ou sábio”, ou, ainda, sem demonstrar poder e força. Ao corrigir tais argumentos frágeis, esses amigos que gostavam de me ver rotulado de algo, gradativamente foram desaparecendo. No fim, respirei aliviado!
2- FÁTIMA SAMPAIO- Como se dá seu processo criativo?
MHL – Com certas dificuldades minha amiga. Ao longo dos anos venho aperfeiçoando essa maneira lógica (e às vezes ilógica) de entender o meu plano cósmico e suas ramificações do pensamento humano, a fim de tentar discutir e aprender mensagens subliminares, mesmo que errando e voltando a errar. Acho que essas são as verdadeiras dores do crescimento, da evolução. Confesso um esforço hercúleo para seguir esse caminho evolutivo. Daí concluir que a minha intuição de outrora, nunca foi sabedoria. Aliás, tive muitas dificuldades em aprender a pensar. Foram momentos de angústia, decepções e retornos. Senti emoções incríveis, boas, péssimas e cheguei à conclusão de que é a vivência (da vida) e seus altos e baixos, a melhor forma de ensinar o nosso cérebro. Alguns egoístas, se tornam notórios narcisos superficiais, exatamente por aprenderem para si, através de cultura de almanaque ou de leituras de manchetes, sem aprofundamento. Esquecem que a cultura, a sapiência, a sabedoria, não diz respeito ao Homem físico. Mas ao Pensamento do Homem. O que ele repassa ao seu cérebro. Assim, a profusão do que o cérebro absorve, acaba fazendo o monge, da mesma forma que o axiomático "...cachimbo faz a boca torta". Cheguei à conclusão lógica de que ensinar o cérebro é necessário para se atingir alguns pontos mais à frente da melhor informação. Afinal, vivemos numa era virtual binária. Rápida e sem indulgência. Um tsunami galáctico. Um buraco negro, prestes a engolir quem não estiver pronto para viver neste futuro.
3- FÁTIMA SAMPAIO- “E se a cor emprenhasse a Luz?/ Nasceriam libélulas/ imaginárias com disfarces azuis”. Amei este poema. Existe um trabalho que resume sua obra?
MHL: Provavelmente o romance escrito há 20 anos: “O MARIA CELESTE”. Meu primeiro (e único) romance. Nunca o quis publicar, até o momento. Parece uma obra inacabável. Acredito que minha vida também está ali grudada em muitas daquelas páginas. Sou partícipe. Sou personagem nele. Essa é a obra que resume a minha vida. Um detalhe: a data de meu nascimento, em 1954, estava marcada para maio. Porém com esse acidente do navio Maria Celeste, com fortes explosões, bem próximo ao lugar onde minha mãe (grávida) trabalhava, a fizeram entrar em trabalho de parto e eu nasci no dia 27 de março.
4- FÁTIMA SAMPAIO- Admiravelmente, você tem a habilidade de aprofundar e associar conhecimentos em áreas diferentes, de ver a arte e a filosofia como companheiras, acredita que esse seja o “segredo” da sua versatilidade no mundo artístico?
MHL: De repente me vi diante de algumas situações que exigiam mudanças radicais em minha carreira. Precisei, a partir daí, ler mais e entender mais até onde a minha possível versatilidade me levaria. Possivelmente a coragem de mudar ou de encerrar um projeto difícil seja o segredo. É o que diz a Oração da Serenidade: “(…) serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras”. Vale acrescentar a experiência obtida ao longo desses anos, passando por inúmeras atividades dispersas: fui de fotógrafo de polícia a auditor-fiscal, passando por advogado, colunista social, apresentador de TV e rádio, vendedor de anúncios de jornal, diretor de empresa de “bips”, radioamador… enfim, de tudo isso agreguei conhecimentos que me são válidos até hoje. Os mais difíceis, no entanto, foram aqueles que me obrigaram a evoluir enquanto pessoa. A cultuar uma possível simplicidade diante de tantos aplausos, sempre seguindo (com demasiado esforço), a velha máxima de Kalil Gibran: “A simplicidade é o último degrau da sabedoria”.
5 - FÁTIMA SAMPAIO- Para Nietzsche, “nós temos a arte para não sucumbirmos junto à verdade”. O artista busca uma explicação da realidade e deve realizar seu trabalho inspirado pela pulsão de vida, segundo o filósofo. O que inspira suas criações artísticas?
MHL- Duas coisas básicas podem traduzir o universo que transito. Uma, nunca impor vantagens com minhas verdades absolutas. Essas, às vezes ambíguas, outras vezes; únicas. E mais, a segunda: minhas verdades absolutas nunca me levaram realmente a plenitude da razão. Portanto, explicitam falhas. Daí, a necessidade iminente de encontrar um meio termo que pudesse se entranhar – sem se estranhar - nessa produção lítero-artística. Acho que tal reflexão tem dado certo. Em algum momento desse processo todo, no entretanto, acabo concordando com o velho Nietzsche: tenho, sim, medo da arte sucumbir diante das minhas verdades absolutas!
6- FÁTIMA SAMPAIO- Você é um ser espiritualista. Deus existe, amigo? E, se sim, Ele é bom?
MHL – Eis um axioma – e ao mesmo tempo – um dos desafios mais incômodos para quem tem realmente Fé, ou seja, “(…) se Deus é realmente bom, por que o mal existe?”. Tal pergunta tem feito grandes pensadores da história duvidar da existência de Deus. Atentei-me, no entretanto, a uma das justificativas inteligíveis, quando li Juan Antonio Estrada, em “A Impossível Teodiceia: a crise da fé em Deus e o problema do mal”. Ele escreve: “Desde o primeiro momento da sociedade e da cultura, o mal aparece como um absurdo, como algo que se opõe à racionalização do mundo e do homem. Nós o experimentamos como problema especulativo e existencial que tem um substrato comum, o de ser um enigma que provoca mal-estar. O mal se apresenta à consciência como aquilo que não deve ser. Como elemento constitutivo da experiência humana, ele sempre foi um problema da filosofia e da religião. Não há religião que não tenha assumido sua problematicidade, assim como também é difícil encontrar alguma corrente filosófica que, de uma forma ou de outra, não tenha pretendido elucidar seu significado e propor meios de dar-lhe um sentido, ainda que tal sentido seja apenas teórico e não afete em nada sua realidade fática.” No meu caso específico, continuo acreditando nesse Deus bondoso, independentemente da forma teórica ou da realidade fatídica da existência do Mal. Na verdade, nem o ódio, nem a dor fazem de mim um incrédulo. Mas, um humano!
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Obs: Muito obrigado Fátima Sampaio por me dar oportunidade ímpar de expor meu pensamento.
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