A MENTIRA
José Neres
ELA SAIU DA BOCA BEM ABERTA,
ENTROU EM TANTOS OUVIDOS ALHEIOS
COMO SE FOSSEM SÓ VERDADES CERTAS
CULTUADAS NOS JARDINS DE TEUS SEIOS.
PENETROU TODOS OS POROS DO CORPO:
NARINAS E BOCA, ÂNUS E VAGINA,
FAZENDO CRER QUE ERA DIREITO O TORTO
E QUE TREVA A TODA VIDA ILUMINA.
SEM PENSAR, BRINCANDO COM PRÓPRIA SORTE
ESPALHOU QUE FACA NÃO LEVA À MORTE
E QUE DO CORAÇÃO NINGUÉM A TIRA.
ELA SE ESPALHOU POR TODA A CIDADE,
TENTOU VESTIR A CAPA DA VERDADE...
FOI SUFOCADA POR OUTRA MENTIRA.
30.11.2010.
A MENTIRA II
José Neres
Assim como em esgoto ou lixo imundo
Nunca se deve tocar, o passado
Também deve ficar preso no fundo
Da memória sem nunca ser tocado.
Ao tocar-se nele sobe um vapor
De podridão que pode sufocar
Até mesmo o mais puro e nobre amor
E fazê-lo deixar de respirar.
Quem se constrói sobre mentira tanta
E que faz da mentira sua santa
Não diz verdade nem quando o amor pede.
Há quem viva o tempo todo em um nicho
De mentiras. Tal passado é como lixo.
Quanto mais se mexe mais ele fede.
@José Neres em 27/12/2010
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*José Neres. Professor. Membro da AML, ALL,
Sobrames-MA, Medalha Comendador “Gonçalves Dias”,
concedida pela Academia Poética Brasileira.
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