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Dicurso de Posse de Rossini Corrêa. (Última Parte)

Ele foi eleito em 6 de outubro para a Cadeira 2 da AML e foi recebido pelo acadêmico Lino Moreira.

23/11/2022 15h28 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: ROSSINI CORRÊA/DISCURSO DE POSSE NA AML
Posse de Rossini Corrêa
Posse de Rossini Corrêa

(CONTINUA/Última Parte)

Embaixador da causa boa, o acadêmico Daniel Blume apresentou a proposta à Diretoria da Academia Maranhense de Letras – AML, que a recepcionou, declarando o poeta e prosador Fernando Braga empossado na Cadeira número 2, patroneada por Aluízio Azevedo, com a entrega das insígnias acadêmicas à sua amada família. O bom Roberto Franklin, primo devotado do menino da Rua do Passeio, festejou o feito, no artigo “Fernando Braga, o imortal.” De minha parte, remeti aplausos à diligência sempre inteligente de Daniel Blume, cuja sábia mãe Sônia Almeida o colocou no mundo com nome de profeta: 

Quando fui honrado com a distinção para escrever o prefácio do seu livro de poemas Campo Memória, consignei nos autos que Fernando era poesia em Pessoa. Buscava eu a intertextualidade existencial dos dois Fernando à causa dos valores mais elevados do espírito, por meio, sobretudo, da poesia. Comigo os poetas te saúdam, Fernando Braga. Aqui estão José Sarney, Joaquim Itapary, Mário Luna Filho, Roberto Franklin, Bioque Mesito, Francisco Tribuzi, Couto Corrêa Filho, Américo Azevedo Neto e Daniel Blume. As alas estão abertas. Podes passar do tempo para a Eternidade e do espaço para o Infinito. Nando: mahatma, grande alma de Gandhi, alma harmônica de Aristóteles, somente luz, na amizade, no compadrio e na irmandade. Um beijo na alma e até sempre.” 43 

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Posse prestigiada por amigos.

A obra inédita de Fernando Braga tem como curadores Patrícia de Nazareth Medeiros Braga dos Santos, Andreza Maria Braga dos Santos, Fernando Braga dos Santos Júnior e a Academia Maranhense de Letras. O melhor dos Braga foi dos talentos mais puros que conheci, poeta com natural acento lusitano, à maneira de Bandeira Tribuzi e, como esse, Ferreira Gullar, José Chagas, Odylo Costa, filho e outros, outras e outros mais, um apaixonado por São Luís, a merecer do monumental poeta Nauro Machado, um juízo consagrador: “Poema Insulano é, sem dúvida, um dos mais belos poemas escritos por um poeta sobre a cidade de São Luís.” 44 Que mais escreverei, sobre Fernando Braga? Direi que foi um transgressor. 

Ensina-nos o filósofo Edgar Morin que a poesia existe em contraposição ou em dialogia com a prosa. O melhor dos Braga, mergulhado na dimensão simbólica, mística e mágica, submeteu a prosa à poesia. E a todos que, fulgurantes, estiveram nessa Cadeira n0 2, festejo, recordando o magistério de Josué Montello: “A imortalidade , nesse caso, nada mais é do que o nome repetido”. 45 Repito-lhes, eloquente, os nomes: Aluísio Azevedo, Domingos Barbosa, Fernando Viana, Waldemiro Viana e Fernando Braga: presentes! De Raimundo Corrêa, procedo à declamação do soneto 

Fotos do original.

“ SAUDADE 

Aqui outrora retumbaram hinos; muito coche real nestas calçadas 

E nestas praças, hoje abandonadas, Rodou por entre os ouropéis mais finos... 

Arcos de flores, fachos purpurinos, 

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Trons festivais, bandeiras desfraldadas, Girândolas, clarins, atropeladas 

Legiões de povos, bimbalhar de sinos... 

Tudo passou! Mas dessas arcarias Negras, e desses torreões medonhos, Alguém se assenta sobre as lájeas frias; 

Em torno os olhos úmidos, tristonhos, espraia e chora, como Jeremias, 

Sobre a Jerusalém de tantos sonhos!...” 46 

Fotos do original.

Nada passou! O estado poético celebrado por Edgar Morin a todos nos restitui,47 nesta noite solar da minha Vida. O Azevedo e o Barbosa, os Viana e o melhor dos Braga estão aqui, para gáudio meu, para honra minha. Existo entre nuvem e pedra. Este momento, de pura e azulada nuvem, é de cristalina alegria, de quem chega no tempo de Deus, como um humanista cristão, conservador do processo civilizatório em ressignificação, descrente de qualquer salvação histórica, porém, esperançoso quanto ao advento de um mundo de superior razoabilidade, se a razão for irrigada pela senbilidade, como queria Jean-Jacques Rousseau, para que a Desumanidade ora vivênciada, desconstruida pala evolução espíritual, seja a fonte da construção de novas consciências e de distintas atitudes, em favor de Humanidades plurais,48 diversas e fraternalmente concertadas, em sua vontade de diálogo e de cooperação . 

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Com Arlete Machado.

Se Aiton Krenak combate o bom combate desautorizando etnocídios, ecocídios e geocídios, tem o meu concurso de amante de pessoas, seres e coisas. Completo a carreira e guardo a fé, a favor da superação de teocídios, eticídios e constituicídios. Sim, na corrida de quem chega no tempo de Deus, sem nenhum ânimo ou espírito de cruzado, contudo, receptivo à necessidade de mudança processual, evolutiva e mais democrática, fraterna e solidária, de uma sociedade nacional e internacional desafiada à edificação de um mundo compartilhado, quanto às suas conquistas materiais e espírituais, para que, enfim, comece a tratar gente como gente. Deste barro eu sou oleiro. Amém. 

Degusto com satisfação a realidade de ser confrade de Fran Paxeco, Catulo da Paixão Cearense, Maranhão Sobrinho, Antônio Lobo, Viriato Corrêa, Antônio Lopes, Jerônimo Viveiros, Raimundo Lopes, Nunes Pereira, Franklin de Oliveira, Josué Montello, Odylo Costa, filho, Antônio de Oliveira, Manoel Caetano Bandeira de Mello, Fernando Perdigão, Neiva Moreira, Reis Perdigão, Ignácio Rangel, Clóvis Sena, Bernardo de Almeida, Nascimento Morais Filho, Mário Meireles, José Sarney e outros, e mais e mais outras e outros. Se me perguntam, nas nuvens, o que é, do que se trata, o que está se passando, socorro-me de Zeca Baleiro, na voz de Alcione Nazareth e respondo: 

- “É pedra é pedra é pedra É pedra de responsa”. 

Muito obrigado. Viva a Casa de Antônio Lobo. Salve a Cultura Maranhense. Um beijo na alma e até sempre. 

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REFERÊNCIAS 

1. PESSOA, Fernando. Obra poética de Fernando Pessoa. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 2016, v.1, p.274. 

2. Sugere-se, para uma aproximação preliminar com a obra poética de Vladimir Maiacóvski, a consulta a CAMPOS, Augusto de; CAMPOS, Haroldo de et SCHNAIDERMAN, Boris. Poesia russa moderna, São Paulo, Perspectiva, 2012, ps. 227 a 296. 

3. HOLANDA, Sérgio Buarque de. O espírito e a letra: estudos de crítica literária-1948- 1959. São Paulo, Companhia das Letras, 1996, v. II, p.70. 

4. Consultar a respeito CÍCERO. Diálogo sobre a amizade. São Paulo, Saraiva, 2013, 49 p. 

5. SHAKESPEARE, William. “Hamlet”. In: Obras completes. Rio de Janiero, Editora Nova Aguilar, v. I, p 550. 

6. AZEVEDO, Aluísio. Ficção completa em dois volumes. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, 2005, v. I, p. 129. 

7. MENEZES, Raimundo. Aluísio Azevedo: uma vida de romance. São Paulo, Livraria Martins Editora, 1958, p.51 

8. Consultar a respeito FRIAS, J.M.C. de. Memória sobre a tipografia maranhense. São Paulo, Editora Siciliano, 2001, 66 p. 

9. AZEVEDO, Aluísio. Ficção completa em dois volumes. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 2005, v. I, p.8. 

10. Id. Ibid., p 138. 

11. Id. Ibid., p 138. 

12. MÉRIAN, Jean-Yves. Aluísio Azevedo. Vida e obra (1857-1913): o verdadeiro Brasil do século XIX. Rio de Janeiro, Editora Espaço e Tempo: minC PRÓ-LEITURA: INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO: Banco Sudameris Brasil, 1988, p. 41. 

13. Id. Ibid., p. 41. 

14. Id. Ibid., p. 41. 

15. Id. Ibid., p. 43. 

16. MENEZES, Raimundo. Aluísio Azevedo: uma vida de romance. São Paulo, Livraria Martins Editora, 1958, p.61. 

17. Id. Ibid., p. 61. 

18. MONTELLO, Josué. Escritores maranhenses: 1955-1965. São Luís, Edições SECMA, 2017, v. I, p. 132 

19. PESSOA, Fernando. Obra poética de Fernando Pessoa. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 2016, v.1, p.274. 

20. MÉRIAN, Jean-Yves. Aluísio Azevedo. Vida e obra (1857-1913): o verdadeiro Brasil do século XIX. Rio de Janeiro, Editora Espaço e Tempo: minC PRÓ-LEITURA: INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO: Banco Sudameris Brasil, 1988, p.47 

21. MENEZES, Raimundo. Aluísio Azevedo: uma vida de romance. São Paulo, Livraria Martins Editora, 1958, p.81 e ss. 

22. Consultar a respeito SERRA, Joaquim (Ignotos). Sessenta anos de jornalismo. A imprensa no Maranhão: 1820-1880. São Paulo, Siciliano, 2001, 117 p. 

23. LINS, Ivan. História do positivismo no Brasil. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1964, p. 103. 

24. AZEVEDO, Aluísio. Ficção completa em dois volumes. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, 2005, v. I, p. 141. 

25. CIDADES HUSTÓRICAS INVENTÁRIO E PESQUISA: São Luís. Brasília, Editora do Senado Federal, 2007, p. 56. 

26. Consultar a respeito MONTELLO, Josué. Aluísio Azevedo e a polêmica d´O mulato. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora: Brasília, instituto Nacional do Livro: Ministério de Educação e Cultura, 1975, 335p. 

27. Consultar a respeito os AUTOS DO PROCESSO-CRIME DA BARONESA DE GRAJAÚ 1876- 1877. São Luís, Procuradoria Geral da Justiça, 2009, 694 p.: il. 

28. Apud MENEZES, Raimundo. Aluísio Azevedo: uma vida de romance. São Paulo, Livraria Martins Editora, 1958, p. 29. 

29. GUILHERMINO CÉZAR. “Atualidade de Aluísio Azevedo”. In: AZEVEDO, Aluísio. O mulato. São Paulo, Editora Ática, 1998, p.3. 

30. OLIVEIRA LIMA.” Escritores brasileiros contemporâneos: Aluísio Azevedo”. In: AZEVEDO, Aluísio. Ficção completa em dois volumes. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, 2005, v. I, p.107. 

31. Apud MONTELLO, Josué. Escritores maranhenses: 1966-1993. São Luís, Edições SECMA, 2018, v II, p. 243. 

32. Consultar a respeito OLIVEIRA LIMA. Memórias (Estas minhas reminiscências...). Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1937, 325 p. 

33. Consultar a respeito SILVA, M. Nogueira da. Bibliografia de Gonçalves Dias. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1942, 240 p. 

34. Consultar a respeito PEREIRA, Lúcia Miguel. A vida de Gonçalves Dias. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1937, 425 p. 

35. FREIRE, Laudelino (Organizador). Sonetos brasileiros: século XVII-XX. Rio de janeiro, Briguiet & Cia, 1913, p. 121. 

36. MEIRELES, Mário Martins, FERREIRA, Arnaldo de Jesus et VIEIRA FILHO, Domingos (Organizadores). Antologia da Academia Maranhense de Letras: (1908-1958). São Luís, Academia Maranhense de Letras, 1958, p. 164. 

37. Id. Ibid., ps. 231 e 232. 

38. VIANA, Fernando (Feliciano Ventura). Passarela & outros perfis. São Luís, Edições AML/SIOGE, 1991, p. 80. 

39. Consultar a respeito A BIBLÍA SAGRADA TRADUZIDA EM PORTUGUÊS SEGUNDO A VULGATA LATINA. Rio de Janeiro, B-L. Garnier, Livreiro-Editor, 1864, 2 v., 1565 p. 

40. VIANA, Fernando (Feliciano Ventura). Passarela & outros perfis. São Luís, Edições AML/SIOGE, 1991, 10 orelha. 

41. Consultar a respeito CORRÊA, Rossini. Saber direito: tratado de filosofia jurídica. Belo Horizonte, Editora Dialética, 3 v., 1508 p. 

42. Consultar a respeito ALMEIDA, Bernardo de. Éramos felizes & não sabíamos. São Luís, Revista Legenda Editora, 1996, 283 p. 

43. COSTA, Roberto Franklin Falcão (Organizador). O discurso não pronunciado: homenagem a Fernando Braga. São Luís, Edição do Organizador, 2022, p. 25 e ss. 

44. MACHADO, Nauro. In: BRAGA, Fernando. Poema do tempo comum. São Luís, Edições SECMA, 2009, 116 p., especialmente a quarta capa. 

45. MONTELLO, Josué. Escritores maranhenses: (1966-1993). São Luís, Edições SECMA, 2018, v. II, p. 237. 

46. CORRÊA, Raimundo. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, Editora José Aguilar Ltda , 1961, p.197. 

47. MORIN, Edgar. Amor, poesia,sabedoria. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1998, p.33 e ss. 

48. Consultar a respeito KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo, Compainha das Letras, 2020, 104 p. 

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