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Brasil Livros imortais

Uma obra que virou ícone para a juventude dos anos 80, fez 42 anos, em dezembro de 2024

Um jovem de 23 anos, paraplégico, foi o mais lido do país. Lembra?

22/03/2025 14h36 Atualizada há 1 ano atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln c/pesquisas
Feliz Ano Velho, 1ª Edição (Divulgação)
Feliz Ano Velho, 1ª Edição (Divulgação)

FELIZ ANO VELHO, nem tão velho assim…

*Mhario Lincoln

 

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Felizmente alguém teve a ideia de reeditar um dos maiores romances "vivos" da história moderna da literatura nacional: "FELIZ ANO VELHO", de Marcelo Rubens Paiva, numa edição comemorativa de 40 anos.

 

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Agora dá pra imaginar como andava a juventude brasileira naquela época, dos truncados anos 80, pós-geração70, a dos hippies, das drogas injetáveis em abundância, do pensamento “Woodstock”, da fatídica revolta dos filhos contra os pais, do ‘vou morar só’ e do aumento considerável do uso da pílula anticoncepcional, liberada desde 1962, provocando inúmeras ideias e argumentos científicos relacionados ao tema hormonal, diretamente ligado ao "tal" contexto sócio-histórico e religioso.

 

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Tudo isso, mais uma juventude brasileira borbulhante, sobre o fogo da brasa psicológica e da influência inconteste do "Peace and Love", cantada e decantada por grandes grupos de rock progressivo (ou não), tocado a cada segundo, nas rádios do país.

 

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Ou, ainda, o rock da turma do protesto, nascido pós-64, que também tocava nas emissoras de rádio insistentemente. Exemplos:Faz Parte do Meu Show”, (Cazuza), “Dona”(Roupa Nova), “Como Eu Quero”(Kid Abelha), “Que País É Esse?”(Legião Urbana), “Inútil” (Ultraje a Rigor), “Banho de Espuma”(Rita Lee), “Rádio Pirata”(RPM), dentre tantas.

 

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E foi nesse clímax que, em dezembro de 1982, Marcelo Rubens Paiva lançou seu primeiro livro, com 23 anos e ainda cursando a Escola de Comunicações e Artes. Não tinha nenhuma fama como escritor. Pelo contrário.

 

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O livro parecia desconhecido. Entretanto, o insight era fundamental para o enredo que escrevera. Tudo começou em 1979, quando banhava no açude do sítio de um amigo, em Campinas/SP.

 

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Paiva, num salto despretensioso na água, quebrou a quinta vértebra cervical e comprimiu a medula. Ficou tetraplégico. Esse foi o mote para o enredo e o livro ganhou o nome de "Feliz Ano Velho".

 

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Numa das reportagem acerca desse lançamento histórico, o autor mesmo escreveu:

"Subi numa pedra e gritei: -- Aí, Gregor, vou descobrir o tesouro que você escondeu aqui embaixo, seu milionário disfarçado. Pulei com a pose do Tio Patinhas, bati a cabeça no chão e foi aí que ouvi a melodia: biiiiiiin. Estava debaixo d'água, não mexia os braços nem as pernas, somente via a água barrenta e ouvia: biiiiiiin." E agora??? Ficaria eternamente numa cama? Numa bolha indissociável do mundo e da sociedade que lhe cercava?

 

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Não! Marcelo foi mais além e "Feliz Ano Velho" passou para a história como o reverso da moeda, onde o personagem principal, ao contrário do que se poderia esperar, se envolveu numa explosão de sexo, drogas e rock'n'roll.

 

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Uma das matérias mais interessantes que li sobre esse importante evento, está assinada Ivan Finotti, jornalista e crítico, com uma vasta experiência profissional em grandes jornais e revistas do Brasil. E é dele o seguinte parágrafo:

 

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Ao descrever sua vida, Paiva falava das relações com suas namoradas, da maconha que formava os anéis esfumaçados de sua mente e das noites alucinantes nos clubes de São Paulo. E, assim, Feliz Ano Velho se tornou, além de um fenômeno de vendas, o romance que representava uma geração. Um ícone”.

 

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No prefácio desta edição comemorativa, sendo lançada efusivamente, Marcelo Paiva escreveu: "A missão era retratar uma geração chamada de alienada, a 'geração AI-5', que cresceu durante a reforma educacional da ditadura militar, geração que Renato Russo imortalizou como geração Coca-Cola, considerada consumista, fútil e apolítica, numa época em que os pais proibiam os filhos de ler gibis".

 

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Claro e evidente que na obra, também, excertos das consequências graves do acidente que o autor sofreu. Diz, ainda, o jornalista Ivan Finotti: "Paiva mostrava o universo de deficientes físicos, e do preconceito que sofriam, sempre associados a tristeza e doenças, 'quando na verdade era um grupo muito bagunceiro, maluco, sarcástico, que conheci em encontros, viagens, congressos e centros de reabilitação'. (…). Quis falar abertamente de drogas. Quis falar de dilemas da virgindade. Quis falar do primeiro amor", completa Ivan Finotti.

 

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Foi um impacto tão maluco na história das famigeradas listas dos mais vendidos, da revista Veja, a ponto de tirar o primeiríssimo lugar de "Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada, Prostituída...".

Na mesma reportagem de Finotti, li: “(…) ‘Porque absolutamente todo mundo te leu! Era você e Christiane F., anos 1980 na veia’, escreveu a amiga e atriz Maria Ribeiro na apresentação dessa nova edição (...)”. Finalmente, o jornalista Finotti traduziu numa frase, o que representava aquela obra de Paiva: "(...) um coquetel molotov criado por Paiva que acertou no alvo (...)".

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Ficha técnica (1ª edição): ISBN: 19891260/ Código de Barras: 26011989/ Origem: Nacional/ Idioma: Português/ Categoria: Livros/Autor: Marcelo Rubens Paiva/ Título: Feliz Ano Velho/ Editora: Circulo do Livro/ Edição: 1ª Edição. (Estas referências são pertinentes à capa do livro ilustrativo nesta página).

 

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Joema CarvalhoHá 1 ano atrásCuritibaLi Feliz Ano Velho na década de 80. Gostei muito na época. E até meio nostálgico rever este livro, realmente, faz parte de uma época. O seu trabalho e textos são maravilhosos Mhario!! Parabéns e sucesso!!
Alcina Maria Silva AzevedoHá 4 anos atrásCAMPINAS SPEsse livro deve ser maravilhoso,pois resgata tempos idos e históricos, onde a nossa juventude vagava em sua intolerância e provocações.Parabéns Mhario Lincoln, por sempre nos trazer conhecimentos.
Fátima Lima (LICEU. São Luís)Há 4 anos atrásHoje moro em Bogotá, com marido e filhos, meu irmão e amigo.Mario, Marinho. Que beleza. Parabéns por resgatar um dos livros que mais nos emcionou nossa juventube. É isso mesmo! Grandioso és tu, Mhario querido. Lembra que nós lemos o livro juntos em uma noite inteira, sentados na calçada da praia do Olho D'água, comendo caranguejo e com a luz do teu Opala acesa (para ajudar a enxergar as letras) e que depois que terminamos o livro tivemos que empurrar o carro para pegar??? Então me diga, não foi emoção pura, Mhario. Cê ainda está bem pelas fotos, viu?
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