ESMERALDA COSTA, poeta, cordelista e escritora, membro da Academia Poética Brasileira
Crescemos ouvindo a afirmação que o ano no Brasil só começa depois do Carnaval. Isso, porque a grande festa é sem dúvidas muito esperada por todos os brasileiros, tanto os que curtem a folia quanto os que aproveitam o feriado para descansar aguardam ansiosamente a data e de certa forma adiam para depois do Carnaval seus projetos, negócios e outras atividades relacionadas a trabalhos.
Essa grande festa mundial, tem sua origem na antiguidade, povos como hebreus, egípcios, romanos e gregos já realizavam festas semelhantes a festa carnavalesca. Naquela época os Festejos pagãos serviam para celebrar grandes colheitas e adorar certos deuses. Na Roma antiga, por exemplo, as saturnais eram festas que enalteciam Saturno, considerado pelos romanos o deus da agricultura, no dia da festa, as escolas não funcionavam, os escravos eram dispensados de suas tarefas, os homens e mulheres saiam dançando pelas ruas. Havia também na época um projeto de trio elétrico que era chamado de "Carrum Navalis" (pode ser traduzido por carro naval), onde homens e mulheres desfilavam nus. Há quem diga que daí surgiu o termo Carnaval, mas há também quem discorde. Alguns estudiosos afirmam que o termo originou-se da expressão Latina "Carne levare" (pode ser traduzido por ficar livre da carne). Na idade média a Igreja Católica adotou a festividade pagã numa espécie de sincretismo religioso, permitindo aos fiéis a participação na festividade, mas distorcendo os seus verdadeiros significados, como festa cristã o Carnaval era visto como uma despedida da carne para os fiéis que na Quaresma deveriam passar 40 dias sem fazer consumo dela, mas esse modelo de festa não perdurou por muito tempo e a festa de hoje não está mais relacionada a igreja cristã.
O Carnaval chegou ao Brasil por meio dos colonizadores, mas ao longo da história passou por grandes transformações, de fato, o Carnaval como conhecemos hoje é oriundo de um conjunto de várias festividades que ocorriam pelo mundo. A partir delas o brasileiro foi agregando sua criatividade o primeiro bloco surgiu no Rio de Janeiro e começou com um homem chamado José Nogueira de Azevedo Pratis que saiu pelas ruas tocando um enorme bombo. A bagunça, agitação e alegria, contagiou a comunidade local que se juntou a ele formando a grande folia. Tempos depois surgiram as fantasias inspiradas no Carnaval de Veneza, os trios elétricos que surgiram em Salvador, vieram as cores, os brilhos e toda essa mistura histórica e contagiante que forma o Carnaval Brasileiro. Essa grande festa não poderia passar despercebida pela nossa coluna Cordel Brasileiro e aqui trazemos um pouco da literatura de cordel em ritmo de Carnaval.
Escolas de Samba e o Cordel: Cordel Branco e Encarnado
Foi esse o tema da Escola de Samba Salgueiro para o Carnaval 2012, promovendo um encontro interessante entre o samba e o cordel, confira nas seguintes estrofes:
"Já chegou o carnaval!",
Canta o povo brasileiro.
E o Cordel vai ser assunto
lá no Rio de Janeiro.
Porque, neste carnaval,
Cordel é o tema central
Do desfile da Salgueiro!
Vai ter ala "Padim Ciço"
E Ala dos Violeiros,
Homenagem a Patativa
Ala dos bois mandingueiros.
Mostrando samba no pé
Passistas virão até
Vestidos de cangaceiros
Esse encontro cultural
Vai chamar muita atenção,
Juntando Samba e Cordel
No meio da multidão.
Vai ser festa garantida
Se espalhando na avenida
Na maior animação.
Pois, se o Samba é popular,
O Cordel não fica atrás.
O Samba traz alegria,
Isso o Cordel também faz.
No carnaval, o Cordel
Cumprirá bem o papel
De falar de amor e paz.
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Fonte: http://mundocordel.blogspot.com/p/cronologia-da-obra-de-marcos-mairton.html?m=1
CARNAVAL 2022: literatura de cordel foi enredo de escola de samba paulista
Teve representatividade nordestina nos desfiles paulistas do Carnaval 2022, inspirado no livro 'O Pequeno Príncipe em Cordel', dos pernambucanos Josué Limeira e Vladimir Barros, a escola de samba Tom Maior definiu o enredo como 'O Pequeno Príncipe do Sertão'.
Foto: Josué Limeira, autor da adaptação do livro 'O Pequeno Príncipe', observa o carro alegórico 'O reencontro com o aviador' da Tom Maior.
O desfile contou a história de uma adaptação da famosa obra de Antoine Saint-Exupéry, 'O Pequeno Príncipe'.
Os responsáveis pela adaptação da obra para a avenida foram os que comandam a escola: Judson Sales e Flávio Campello.
A Grande Família prepara cordel para retratar história do município
O município de Eirunepé-AM, terá sua história contada pelo Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba A Grande Família no carnaval 2023, o fio condutor do samba-enredo será a literatura de cordel, este gênero literário feito em versos com métrica, rima e caracterizado pela oralidade e/ ou também por uma linguagem informal.
Foto: Leon Medeiros e Jorge Granjeiro da comissão de carnaval da GRCES A Grande Família (Foto: Erica Melo)
Cordelistas que versaram o Carnaval
Antonia Rodrigues (Assaré-CE)
Carnaval Maior Festa do Brasil é o título do cordel da escritora, poetisa, cordelista, pesquisadora, professora e admiradora da cultura popular nordestina, Antônia Rodrigues. Em sua obra, a autora apresenta em septilhas a majestosa grandiosidade da festa carnavalesca brasileira e algumas das suas características. Confira mais sobre Antonia Rodrigues no link: http://cordelversosvida.blogspot.com/2013/02/cordel-carnaval_2459.html?m=1
Joabnascimento (Granja-CE)
João Batista do Nascimento, militar aposentado da Marinha do Brasil, poeta Cordelista. Proprietário do Espaço Cultural Casa do Cordel. É membro da Academia Camocinense de Artes e Letras e da Academia Cearense de Literatura de Cordel. Atualmente reside em Camocim, onde é cidadão honorário. Dentre os muitos cordéis por ele publicados, destaco a obra Carnaval, na qual, o autor fala da festa carnavalesca com um certo saudosismo das brincadeiras saudáveis existentes nas festas de outrora, os ritmos, as canções e marchinhas, ao tempo que faz também uma crítica ao vandalismo presente hoje entre pessoas que não sabem brincar o Carnaval de forma correta e fazem uso de drogas, cometem furtos e até mesmo causam mortes. (Joabnascimento - Granja-CE / https://cantinhopo.blogspot.com/2023/02/carnaval.html)
Gustavo Dourado (Ibititá-BA)
Gustavo Dourado é escritor, poeta, pesquisador e educador.. Bahiano de Recife dos Cardosos-Ibititá-Chapada Diamantina, reside atualmente no DF, onde atua em movimentos poéticos, ecológicos, populares, estudantis(UnB), socioculturais e alternativos. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, publicou centenas de cordéis na Internet e em várias antologias poéticas. Seu trabalho de poeta e cordelista foi objeto de estudo na UnB e na Secretaria de Educação do DF. Foi tese de mestrado na Universidade Federal de Ouro Preto e tese de doutorado na Universidade Federal da Paraíba. Dentre os seus destacamos nesta coluna Cordel de Carnaval onde o autor ressalta nomes de vários artistas que se dedicam ao Carnaval Brasileiro, bem como algumas das mais atuantes escolas de samba do nosso país.
Cordel do Carnaval
Serpentinas e confetes
Pierrô e Colombina
Samba, choro e marchinhas
Frevo, transmistura fina
Escolas de Samba, blocos
Multifesta flui divina
Abre Alas com Chiquinha
No entrudo, teve origem
Cordões pelas avenidas
Balanço que dá vertigem
A multidão se sacode
Manda embora a fuligem
Noel, Ary, Pixinguinha
Jacob com seu bandolim
Trio elétrico na folia
Armandinho, um serafim
Dodô e Osmar no ritmo
Salve o Senhor do Bonfim
(Gustavo Dourado).
Bodão Ferreira (Campina Grande-PB)
Bodão Ferreira, militante do Movimento dos Pequenos Agricultores no estado da Paraíba (PB), publicou em 2020 o cordel " Verdades que o Carnaval Vem Mostrar", refletindo sobre o sentido do Carnaval, o que nos mostra e o que ainda pode mostrar. Vamos conferir um trecho:
Uma coisa que se sabe
É que o povo brasileiro
Mesmo nas dificuldades
Sempre mostrou ser festeiro
E essa alegria resiste
De janeiro a janeiro
É festa de padroeiro
São João, são Pedro e natal
Casamento, batizado
Fim de seca, temporal
Sem esquecer a maior delas
O famoso carnaval
Festa multicultural
Que anima uma nação
Que veio para o Brasil
Com a colonização
E já foi até proibida
No tempo da escravidão
Além destes, muitos outros poetas cordelistas também versaram de forma genial o Carnaval Brasileiro, mas infelizmente não é possível elencar a todos numa única coluna.
Imperatriz traz linguagem da literatura de Cordel para samba
O grande artista Leandro Vieira volta à Rainha de Ramos, escola pela qual passou em 2020 no Grupo de Acesso. Desta vez, ele desenvolveu uma sinopse toda trabalhada na literatura de Cordel, a Verde e Branca de Ramos vai contar na Sapucaí uma história lúdica sobre o líder dos cangaceiros, Lampião. O samba escolhido para o desfile de 2023, tem a autoria dos compositores Antonio Crescente, Gabriel Coelho, Lucas Macedo, Luiz Brinquinho, Me Leva, Miguel da Imperatriz, Renne Barbosa e Rodrigo Rolla.
Imperatriz 2023 | Samba Campeão [COM LETRA SIMULTANEA]
Conciência Negra A NEGRITUDE NA LITERATURA DE CORDEL
Esmeralda Costa “Ressuscitou Jesus”, de Esmeralda Costa
Colunistas FT Versos Que Rompem Barreiras e Criam Laços
Homenagens Antonio Marcos Bandeira: Poeta de Sorrisos, Amor e Cultura Popular
Colunistas FT Musicalidades do Cariri e a Literatura de Cordel, por Esmeralda Costa
Colunistas FT Cordel Brasileiro e o Fechamento da Geração de Ouro na Literatura de Cordel
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Academias Brasil/Exterior Coirmãs De Carlos Nina, especial para a Plataforma Nacional do Facetubes: “A erosão do discernimento”.
DINO DE ALCÂNTARA ANTONIO LOBO O DESCOBRIMENTO DO BRASIL
ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA Escritor maranhense inovador do século XIX ganha força entre amantes da literatura fantástica.