O Egoísmo e a Vaidade:
pecados mortais impedidores de sucesso em quaisquer carreiras
*Mhario Lincoln
Foi Sigmund Freud que descobriu uma das identidades mais perversas do ser humano: o ego narcisista. Outros estudiosos, inclusive alguns médicos, chegaram a afirmar que esse ego narcisista funciona como um foco letal pandêmico, pois afeta quem mais se relaciona com esse tipo de pessoa, fazendo-as sofrer de forma contínua e irreparável.
Na verdade, o ego, em si, não é o vilão. Porém há indivíduos que sofrem mutações psíquicas, transformando-os em uma perigosa arma do querer ser e mostrar ser, o que, na verdade, não o é.
E a frustração, o ódio e o escárnio diante de outras pessoas (às vezes as que ele mais ama(??), vai se acumulando nesses pobres seres humanos porque jamais conseguirão silenciar esse 'algo' subjetivo, cujo grito pavoroso lhe torna cego, diante da realidade.
O pior de tudo isso é que pessoas assim, não vêm saídas imediatas. Isso em razão de todos nós vivermos num mundo fantasioso de vaidade e ganância explícitas, através das redes sociais - o mundo do faz de conta - ou, simplesmente, a síndrome do Peter Pan, ser eternamente menino mimado, de forma ainda mais distorcida, pela 'necessidade' de aplausos e loas, mesmo que seja numa terra do faz-de-conta, em que o egoísta doentio criou.
Pois bem: independente de ter a fada Sininho e o pó mágico (??) juntos, os egoístas estão diretamente dentro das considerações práticas da vaidade; um dos pecados capitais. A partir daí, posso refletir: o ego narcisista e o pecado da vaidade estão intrinsecamente ligados, porque ambos envolvem uma visão exagerada de si mesmo.
Mesmo porque, o ego doentio é caracterizado por um senso inflado de importância e uma necessidade constante de validação externa. A vaidade, por sua vez, é a manifestação dessa autossuficiência levada ao extremo, cujo desejo excessivo de ser admirado e elogiado pelos outros, é a doença mental. Ambos os estados são defensivos e surgem como mecanismos de proteção para encobrir inseguranças profundas dos narcisistas.
Uma dessas inseguranças é o fato de nunca ser reconhecido coletivamente, por sua atuação “brilhante”, (como imagina), colocando a culpa desse fracasso, em terceiros, em quartos e em mil. E porque seus trabalhos não evoluem? Porque tudo que escrevem, que pintam, que solfejam etc, são sempre exageradamente autoelogiados, indo na direção contrária do que geralmente acontece.
Regra Única: os elogios positivos ou negativos e o reconhecimento (quando realmente é ‘fora de série’), têm que vir de fora pra dentro e não de dentro pra fora. A busca incessante por reconhecimento e a necessidade de se sentir superior, repito, podem ser formas de compensação para uma autoestima fragilizada, que só tende a piorar diante das máximas de autoajuda, tipo, “nunca desista de seus sonhos…”. Balela!
Uma pessoa que não sofre desse egoísmo doentio, nem da soberba, nem desse pecado, vai desistir, sim, de continuar num caminho sem volta, recebendo elogios somente dele próprio. Basta entender que algo está errado, seja na produção, seja na maneira como encara os concorrentes: pare de se comparar. Desta forma, vai descobrir outros caminhos, novos sonhos com outras possibilidades. Destarte, se o ego doentio e a vaidade, intimamente relacionados, continuar alimentando um sonho que nunca se tornará real, essa imagem inflada de si mesmo, permanecerá indubitavelmente e levará à graves consequências, inclusive, alcoólicas e adictas.
Existem aqueles que largam um bom emprego e uma família equilibrada para viverem na solidão de seus sonhos – que, na verdade, não o levam a nada, numa alusão ao velho Diógenes, o Cínico, que morava num barril e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina durante o dia, dizendo estar à procura de um homem honesto. Isso é um bom exemplo. Mas de antanho. De muito, muito tempo atrás. Hoje a vida é dinâmica e quem perde o ônibus...
Enquanto isso, as redes sociais se inundam cada vez mais de sugestões, conselhos e cursos com 'gurus' meio perdidos no infinito das regulamentações físico-químicas, que agitam o egoísmo doentio nas pessoas; esses gurus, vistos por mim, apenas no ‘conjunto da obra’, pois não seria de bom alvitre, pré-julgamentos precipitados.
Contudo, me arvorei, ontem por exemplo, a ler partes do livro de Osho, "O Livro do Ego", a fim de que pudesse escrever este texto. Não o estou ‘apartando’ das definições acima, só não tenho a mínima capacidade de julgar individualmente, quem quer que seja. Entretanto, anotei algumas coisas interessantes. Em determinada altura da obra, Osho escreve: "É o ego que dá-lhe feridas e te machuca. É o ego que faz você violento, com raiva e ciúmes. É o ego que é, continuamente, o sentido miserável da vida".
Uma paulada na moleira. Mais na frente:
“Se você é muito apegado ao ego, odiar é fácil e amar é muito difícil. Fique alerta, atento: o ódio é a sombra do ego. Para amar é preciso grande coragem. É preciso grande coragem porque requer o sacrifício do ego. Só aqueles que estão prontos para se descorporificar são capazes de amar. Só aqueles que estão prontos para transformar-se em nada, para esvaziar-se completamente de si mesmos, são capazes de receber, do além, o dom de amar”.
Vale dizer que o ego - esse tal de 'eu mascado' - está presente em todas as percepções humanas possíveis, inclusive, foi fato de discussão acalorada e, depois, motivo da separação de dois grandes pensadores e amigos: Carl Jung e Freud, ambos, sem dúvida, pais da psicologia analítica. E por que romperam? Exatamente por se oporem à definição prática de alguns dos arquétipos do 'eu' e das ramificações do ego.
Existem milhares de pessoas nas mais diversas atividades, que nunca fizeram um teste para saber se carregam esse ‘pecado’, diante de tantas coisas que não dão certo em sua vida. Por isso, também pesquisei um teste interessante, para avaliar esse grau de soberba. Quem tiver coragem, pode responder em silêncio. Não precisa falar nada. Só deixe que sua própria consciência (caso não seja doentia) responda por si mesma.
Eis as perguntas:
1 - Como você se identifica com sua própria identidade?
a) De forma excessiva. Você se acha brilhante, mesmo tendo estudado pouco? Você se apoia apenas no seu talento para mostrar suas qualidades?
b) Você já buscou incessantemente uma validação externa para dar garantia de qualidade a um trabalho seu?
c) Tem necessidade de ser constantemente admirado e tem explícita raiva ou ódio, quando é criticado ou rejeitado?
c ) OSHO frequentemente enfatiza a importância de "transcender a identificação com a imagem e encontrar uma base mais autêntica para o nosso senso de identidade". Você consegue por quanto tempo se equilibrar nesse estágio de compensação?
2 - Como você costuma comparar sua mente com a do outro?
a) O ego doentio muitas vezes está enraizado na comparação constante com os outros. Isso pode levar a uma busca implacável por superioridade e a uma sensação constante de inveja ou inferioridade.
b) OSHO frequentemente aborda a importância de "abandonar a mente comparativa e encontrar a aceitação e o contentamento com quem somos, independentemente das comparações externas". Você conseguiria atingir esse "nirvana"?
c) O ego doentio muitas vezes busca exercer controle excessivo sobre as circunstâncias e sobre as pessoas ao redor. Já aconteceu com você, pelo menos uma vez?
d) E se já aconteceu, teve como resultado um estado constante de tensão, estresse e dificuldade em lidar com a incerteza?
e) Você pode deixar de lado o inexplicável desejo de receber todas as palmas do mundo por trabalhos seus, mesmo que você tenha dúvidas de sua validade?
f) Quantas vezes você se rendeu e aceitou sua real identidade pessoal?
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Eu fiz!
Grande abraço,
Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira.
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