Acredito firmemente na conexão entre traumas passados e ansiedade, onde experiências traumáticas podem ser armazenadas no hipocampo e posteriormente acionadas por gatilhos não presentes. Essa compreensão ressalta a importância de reconhecer a interligação entre a mente e o corpo, acreditando que as emoções negativas podem afetar significativamente nossa saúde física e mental.
Hoje eu trago um assunto polêmico para muitos; e muito importante, para outros. É sobre Ansiedade. O sr. João Batista do Lago escreveu aqui nesta plataforma e mostrou, citando especialmente o pensador e sociólogo Zygmunt Bauman, que existem algumas doenças que surgiram como uma espécie de 'efeito colateral da modernidade'. Foi a partir desse texto que decidi, hoje, abordar esse tema que aqui, em Londres, é também conhecido como 'everyone's disease".
Começo afirmando a importância de destacar, antes de qualquer análise filosófica ou sociológica, que a reprogramação e ressignificação de traumas passados não é uma tarefa simples, e muitas vezes requer a assistência de um profissional de saúde mental capacitado e que viva nos dias atuais e não em séculos passados. Porque muita coisa mudou, mesmo que essa comparação seja com sociólogo esse filósofo polonês, falecido 9 de janeiro de 2017. Ora, a pandemia mudou tudo ou praticamente tudo que se conhecia até então. Portanto, de 2017 pra cá, essa mudança está dinâmica e imparável, como costumo falar por aqui, "dynamic and unstoppable change".
Portanto, antes de termos um olhar filosófico, foquemos a ansiedade como uma doença com prognósticos médico-psiquiátrico, além do que ela já se manifestava muito tempo antes da chamada idade moderna (ou modernismo dos tempos). Vale lembrar que a desilusão amorosa, fracasso profissional, orfandade, desprezo familiar, melancolia incompreendida, ansiedade social são componentes confundidos com a própria história de nós mesmo, desde os primórdios da humanidade e fazem parte da vida da maioria das pessoas. Muitas delas, ainda, sofrem para acessar aquilo de mais elementar à vida humana. Impossibilidades nos cercam e mesmo quando sobram os recursos, ainda temos que lidar com os vazios emocionais e existenciais.
Aqui na Inglaterra, por exemplo, ainda no século XVIII, William Cowper, nascido em 1731, tornou-se conhecido exatamente por desenvolver 'ansiedade e depressão'. Isso o levou a escrever poemas melancólicos e introspectivos. Cowper teve uma vida marcada por episódios recorrentes de 'ansiedade e depressão', chegando a ser internado em instituições psiquiátricas por períodos de tempo. Na Alemanha, por sua vez, o escritor Johann Wolfgang von Goethe, nascido no final do século XVIII, em 1749, autor de "Fausto" e "Os Sofrimentos do Jovem Werther", ao longo de sua vida, enfrentou episódios de 'ansiedade e depressão', o que pode ser visto em alguns de seus escritos e cartas pessoais. Ele era conhecido por ser uma pessoa altamente sensível e introspectiva, e sua luta com a 'ansiedade' foi documentada por seus contemporâneos.
Acho que vincular a 'ansiedade e depressão' à vida moderna não pode ser, exageradamente, correto. Esta é a razão de ter pesquisado no fundo do baú, ou "inside the trunk" - para fornecer algumas informações embasadas em evidências científicas, a fim de tentar dirimir dúvidas dividindo o que é filosófico-social e o que a medicina especializada diz. Essas, abaixo, são as mais recentes descobertas e abordagens na área da psicologia, a fim de oferecer o melhor suporte possível. Nesse contexto, uma frase inspiradora de um renomado psicólogo, Carl Rogers, psicólogo estadunidense atuante na terceira força da psicologia e desenvolvedor da Abordagem Centrada na Pessoa, falecido em 4 de fevereiro de 1987 que destaca a importância, antes de qualquer coisa, de uma conexão terapêutica: 'Quando alguém realmente nos escuta, sem julgamento, lentamente nossa dor começa a se desfazer'. Essa citação reflete a essência do trabalho do psicólogo/psiquiatra (não tão modernos assim) oferecendo um espaço seguro e acolhedor para a expressão e a cura emocional."
Lá atrás, ainda nos bons tempos da Grécia Antiga, existiam filósofos que se misturavam com teorias médicas importantes, como Hipócrates (460 a.C. - 370 a.C.); e pasmem, ele é considerado "o pai da medicina moderna", embora não existissem disciplinas formais como a psiquiatria e a psicologia como as conhecemos hoje. Além disso, Hipócrates descreveu detalhadamente a melancolia, que é considerada uma precursora da 'depressão', há mais de 2.000 anos, ou seja, ele já acreditava que as doenças mentais eram causadas por desequilíbrios no corpo e na mente, e propôs uma abordagem holística para o tratamento, considerando tanto os aspectos físicos quanto os mentais dos pacientes. Desenvolveu a teoria dos humores, que atribuía a saúde mental a um equilíbrio adequado desses humores (sangue, fleuma, bile amarela e bile negra). Ilustro minha opinião com vários relatos de depressão em textos antigos, como a Bíblia e as obras de Shakespeare. Então, senhor Baumann?
Agora, mudando de wísque para cana de açucar - ou switching from scott to sugar cane - alguns tópicos modernos ajudam o portador 'leve' dessa enfermidade a tentar se adaptar a essa situação conforme as necessidades de cada indivíduo, garantindo que se alinhem ao contexto. Pesquisei em algumas enciclopédias médicas e me deparei com os seguintes 'conselhos' que podem levar a compreensão do momento por que passa o envolvido pela 'ansiedade ou depressão'. Não é um guia de cura, mas, talvez, um filete de água benta:
Autoconhecimento e autocompaixão: Explorar a importância de conhecer a si mesmo, reconhecer as próprias necessidades e 'ser gentil consigo mesmo' diante dos desafios emocionais.
Resiliência: Discutir a capacidade de se adaptar e se recuperar diante de adversidades, ressaltando estratégias e técnicas para 'fortalecer a resiliência emocional'.
Estresse e burnout: Abordar os efeitos negativos do estresse crônico e do esgotamento emocional, destacando a importância do 'autocuidado e do estabelecimento de limites saudáveis'.
Mindfulness e meditação: Explorar as práticas de 'atenção plena e meditação' como ferramentas eficazes no gerenciamento do estresse, no aumento da consciência emocional e no cultivo da tranquilidade interior.
Relacionamentos saudáveis: 'Discutir a importância de relacionamentos' interpessoais positivos e oferecer dicas práticas para estabelecer e manter conexões significativas.
Bom, por hoje é isso. Nada contra as opiniões de qualquer pessoa. E como diz meu ídolo, Sherlock Holmes, na frase completa: "Elementar, meu caro Watson. Quando você eliminou o impossível, o que resta, por mais improvável que pareça, deve ser a verdade."
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