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Especiais HISTÓRIA NÃO-LINEAR

Escritor maranhense Josué Montello, com "Os Tambores de São Luís", integra importante lista mundial do gênero "Narrativa Não-Linear"

Narrativa Não-Linear é história que não segue uma progressão cronológica direta, mas sim uma estrutura complexa que entrelaça eventos de diferentes períodos históricos.

26/11/2023 10h23 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
Art: MHL
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Em uma cidade onde o tempo é fluido e a realidade é apenas uma questão de perspectiva, os cinco sentidos e um sexto, ambíguo, se encontram em uma encruzilhada. 

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*Mhario Lincoln

O que é, então, uma ‘narrativa não linear’? É uma história com vários finais, em um mesmo livro. Isso não é fácil de fazer. Somente grandes escritores conseguem, realmente, essa façanha de escrever em uma narrativa não-linear. (Ou como alguns chamam de livro interativo). Muitos críticos ferrenhos consideram esse trabalho, uma forma intrigante de narrativa que desafia a estrutura tradicional da literatura. Essa abordagem permite que os leitores explorem uma história de maneira não linear, tomando decisões que afetam o curso dos eventos e conduzindo diferentes estágios.
 
Você já teve o prazer de ler uma obra literária dessas, com múltiplos caminhos para sua leitura, idas e vindas no tempo, relembranças absurdas que se encaixam numa linha do tempo inferior a um dia, contada na história? Imagina a possibilidade de que a ordem em que você escolhe ler os capítulos transforma cada experiência em uma jornada única. É, sem dúvida, desafiador ler uma narrativa não linear. Será que isso é real mesmo e pode ser encontrada em diversas obras literárias ao redor do mundo, ressaltando sua relevância universal. Então, quais obras podem ser citadas dentro desse gênero, isto é, da narrativa não linear?

Vale lembrar, antes, que existem algumas obras também dentro desse gênero, um pouco diferentes das que eu escolhi para exemplificar a 'história não-linear', propriamente dita. Ou seja, tem obras, também, que o próprio leitor escolhe o final das histórias ou que 'manipula' os capítulos para que o livro tenha um final feliz ou infeliz, com múltiplos caminhos para sua leitura, ou enxerga a possibilidade de que a ordem em que você escolher ler os capítulos pode transformar cada experiência pessoal em uma jornada única, resultando em uma obra literária que se reinventa a cada leitura.
Contudo, dentro do gênero da 'narrativa não linear', há duas obras notáveis que podem ser mencionadas como exemplos significativos em razão de inúmeros personagens, idas e vindas, acontecimentos insólitos e...
1 - "Cem Anos de Solidão" (Cien años de soledad), de Gabriel García Márquez: este romance icônico incorpora elementos de realismo mágico e segue várias gerações da família Buendía, saltando no tempo e apresentando eventos de maneira não linear. “Cem Anos de Solidão” deve ser considerada uma 'narrativa não linear'. Isso ocorre porque a história não segue uma progressão direta e cronológica de eventos. Em vez disso, emprega uma concepção cíclica do tempo e uma estrutura narrativa complexa que entrelaça múltiplas gerações da família Buendía. Desta forma, esse estilo narrativo 'não linear' contribui para a exploração do romance de temas como a subjetividade da realidade vivida e a natureza cíclica da história. Além disso, a estrutura narrativa do romance é caracterizada pelo uso do 'realismo mágico', um estilo literário que combina narrativa realista com elementos surreais. Isto realça ainda mais a natureza 'não linear' da história, uma vez que confunde as fronteiras entre realidade e fantasia, passado e presente, e vida e morte.
Agora, a grande surpre4sa para muitos e eu tenho certeza disso porque para mim, também foi quando comecei a estudar o tema para escrever este texto:
"Tambores de São Luís", do mágico Josué Montello. Sim! Tanto Márquez quanto Montello foram muito felizes em criar uma obra com essa performance que é, na verdade dificílima de fazer. Por essa razão, Montello deveria ser muito mais cultuado internacionalmente. Ter seu nome mais difundido no gênero do 'romance linear', especialmente por essa obra citada porque é uma história que não segue uma progressão cronológica direta, mas sim uma estrutura complexa que entrelaça eventos de diferentes períodos históricos, com dezenas de personagens indo e vindo, como formigas num (apenas) grão de açúcar. (Em um pequeno espaço de tempo se desenrola todo o romance: uma madrugada e o começo da manhã).
A narrativa se passa durante uma noite e algumas horas da manhã seguinte, mas retrocede aos vários ciclos da história maranhense, misturando presente e passado. A obra conta a saga do negro, desde a sua origem africana, sua viagem nos navios negreiros, até a chegada em nossa terra, e mostra também o seu martírio sob a escravidão no Brasil. Além disso, o romance apresenta mais de 400 personagens, entre bispos, padres, governadores, boêmios, raparigas, estudantes, professores, oradores populares, negros de ganho, artistas, tipos de rua. Só essa já incluiria a obra desse grande maranhense na complexidade da 'narração não linear'.
Portanto, essas obras exemplificam diferentes abordagens à 'narrativa não linear', desde obras que brincam com a ordem cronológica até aquelas que dão aos leitores o poder de influenciar o desenvolvimento da história. Cada uma delas oferece uma experiência de leitura única e desafiadora. Se você já leu alguma obra que se encaixe nessas referências, por favor, deixe seu comentário abaixo. Nos ajude. Compartilhe o link e apoie nossa percepção hercúlea para ampliar os horizontes da literatura universal para uma quantidade maior de pessoas. Estou fazendo a minha parte. Caso queira, faça a sua. Obrigado.

 

Em tempo: há aqueles que acreditam que "Em Busca do Tempo Perdido" (À la recherche du temps perdu), de Marcel Proust, também esteja dentro desse contexto porque, embora não seja uma 'narrativa não linear', propriamente dita, a obra de Proust explora as profundezas da memória e do tempo, com muitas histórias e eventos sendo contados fora de ordem cronológica. (Se você concorda, deixa seu comentário abaixo).

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Mhario Lincoln

Presidente da Academia Poética Brasileira.

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Joizacawpy Há 3 anos atrásSão Luís De fato desde os primeiros encontros com Motello percebi esse recurso, esse ir e vir, e chegar um momento em que o próprio leitor se pergunta onde estou? Isso exige uma atenção redobrada para não se perder no enredo. Realmente Montello é mágico nesse tipo de composição narrativa.
Linda BarrosHá 3 anos atrásSão Luís -MaranhãoGostaria de lembrar que Gonçalves Dias está sendo tão mencionado neste ano por conta de seu bicentenário, nada mais justo e sim, por aqui se estuda e se escreve sobre Gullar, sobre Nauro, sobre Ewerton Neto, sobre Montello, sobre Celso Borges e sobre tantos outros autores não só do passado, mas contemporâneos. Sobre Montello, tivemos uma vasta programação em agosto por conta de seu aniversário. Enfim, ótima matéria.
Inovaldo TellesHá 3 anos atrásSão Luís MaVários poetas românticos maranhenses passaram a representar figuras de gênios brasileiros com inspiração, sentimentos e cores. Colocavam-se como essência própria do eu individualizado, como um cosmo independente do universo. Tornaram-se vates. Foi essa colenividade que transformou São Luís em "Athenas Brasileira", hoje, "Apenas Brasileira"....
Inovaldo TellesHá 3 anos atrásSão Luís MaLembram desses versos? Vate, o que és tu? És tu mortal ou nume? Por onde cantas ó vate? Por onde cantas? Qual é a tua missão? O que é tu mesmo? [...] Tudo te escuta; e para responder-te, do passado o cadáver se remove, o presente te atende; e no futuro eternos vão soar os teus acentos. Sabem de quem são? Gonçalves, o outro Gonçalves. O Gonçalves de Magalhães. Também pertencente ao romantismo brasileiro. Mas virou fantasma acorrentado à carruagem de N'ha Jansen.
Professora Dirce de Freiras (UEMT)Há 3 anos atrásTeresina PIQuem acabou com o codnome de “Atenas Brasileira” foram os atuais críticos literários do Maranhão, os que se acham poderosos no que fazem, mas não são. Nem se lembram mais que uma "Athenas" se faz com muiutos intelectuais pois é uma construção discursiva que objetivava consolidar e legitimar os grande nomes de São Luís e todo seu campo de produção cultural, enquanto elementos hegemônicos e indispensáveis à reflexão do ambiente de reprodução social dos maranhenses. Mas, acabaram com o coletivo!
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