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"Sociedade do Cansaço". Os perigos da tal da "era de positividade exacerbada". Palavras de ordem como "eu posso", "eu sou"

"(...) ao invés de trabalhar menos e ganhar mais, nos encontramos trabalhando mais por menos, uma situação que catalisa o aumento de patologias como depressão e síndrome de burnout (...)".

21/04/2024 às 12h19
Por: Mhario Lincoln Fonte: Redação do Facetubes
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Art: MHL
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Redação do Facetubes

No livro Sociedade do Cansaço , Byung-Chul Han descreve uma transição insidiosa da sociedade disciplinar especificamente de Michel Foucault para uma nova forma de coerção que ele denomina "violência neuronal". Han sugere que a contemporaneidade se caracteriza por uma pressão autoimposta que transforma indivíduos em vigilantes de suas próprias ações, uma era onde o mantra "eu consigo" mascara uma realidade de sobretrabalho e desgaste psicológico. Esta transformação, segundo Han, revela uma inversão da promessa de eficiência: ao invés de trabalhar menos e ganhar mais, nos encontramos trabalhando mais por menos, uma situação que catalisa o aumento de patologias como depressão e síndrome de burnout.

 

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Capa.

Do ponto de vista filosófico, essa narrativa ressoa com a análise foucaultiana sobre as tecnologias de poder, onde Han estende uma discussão para a autovigilância motivada não apenas por normas sociais externas, mas por um imperativo interno de sucesso e eficiência. Como apontado por críticos como Wendy Brown, essa modalidade de poder se entrelaça profundamente com uma forma de neoliberalismo que transforma todos os aspectos da vida em questões de gestão pessoal e desempenho otimizado.

 

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A perspectiva psicológica também é crucial, uma vez que Han não apenas descreve um aspecto sociológico, mas aborda as consequências mentais e emocionais dessas mudanças. Segundo Jessica Benjamin, uma conhecida psicanalista, a auto-observação constante pode levar a um estado de submissão perpétua ao ideal de si mesmo, onde o fracasso em atingir este ideal pode resultar em uma espiral de auto-recriminação e esgotamento.

 

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Han, portanto, provoca uma reflexão essencial sobre como as novas dinâmicas de poder modificam a estrutura da subjetividade contemporânea e como isso se reflete nos crescentes índices de enfermidades mentais. Seu trabalho é um alerta e um chamado para compensar como, em uma era de positividade exacerbada, podemos reencontrar um equilíbrio mais saudável entre trabalho, expectativa pessoal e bem-estar.

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