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 Livro: “-A PAZ NA LINHA DA VIDA"  Edomir Martins de Oliveira: " O Maestro- Um 'Conserto' em cada esquina"

Vice-Presidente Nacional executivo da  ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA – APB

26/05/2024 às 07h59 Atualizada em 27/05/2024 às 07h29
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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Edomir Matins de Oliveira
Edomir Matins de Oliveira

O MAESTRO – UM 'CONSERTO' A CADA ESQUINA

Edomir Martins de Oliveira

 

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Hoje, quem o vê em carro “Mercedes”, último modelo, começa a admirá-lo por mais essa vitória em sua vida de médico.

 

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Apesar dessa conquista, vem-lhe à mente com muita frequência os dois fuscas que possuíra. E então começa a recordar desde o seu casamento.

 

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Viajara para sua lua de mel, em um fusca que adquirira de segunda mão, e que apesar do revendedor lhe dizer que ele era o segundo comprador daquele veículo, deu-lhe muito trabalho durante a viagem. 

 

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Como estava o casal em lua de mel, tudo foi diversão e eles achavam muita graça pelos incidentes acontecidos. Tudo era encarado como diversão chegando mesmo a afirmarem que os fatos seriam lembrados durante toda a vida e sempre seriam esses fatos encarados como divertidas lembranças. 

 

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Mas chegara a hora de encarar o diuturno da vida. Voltaram para São Luiz, ao final da lua de mel e então começaram a pensar em fazer a vida a dois. Ele cansara de viver de emprego de favor político que seu pai sempre arranjara. Decidira que iria ser médico e seria bem-sucedido. Na infância sempre sonhara em ver-se em sala de cirurgia, a dizer a uma equipe que o assistia: bisturi, gaze, esparadrapo, tampão e tudo que precisava para o trabalho cirúrgico.

 

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Começou então a frequentar um cursinho para fazer o vestibular para medicina. Já chegava de emprego de favor. Prestado os exames foi aprovado. Por enquanto ficaria desfrutando do emprego político que vinha exercendo.  Vendeu o fusca pois seria uma despesa a menos. Compraria um carro que lhe desse menos despesa e fosse um pouco menos velho.      

 

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Ganhando pouco, agindo com toda a prudência para não faltar o básico para sustentação do lar, compraria novo fusca   usado, que com todos os defeitos, que apresentasse, ainda lhe daria condições de acompanhá-lo até o final do curso. 

 

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Logo apareceram os primeiros defeitos. Sempre que abastecia o veículo com combustível, tinha que completar o óleo do motor, pois havia um vazamento que não pudera arrumar porque era caro, e ele não podia fugir do seu orçamento com a manutenção regular do carro.

 

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O fusca era ainda daqueles antigos que os vidros baixavam ou subiam manualmente. Ainda guardava na mente um incidente ocorrido quando um motociclista, que vinha prazerosamente em seu passeio matinal e ele saia de um plantão médico, aproximou-se do seu carro e lhe falara alguma coisa gesticulando muito, que ele teve que abaixar o vidro do carro para ouvir o cidadão. Ele procurava onde fora parar a maçaneta da porta que não encontrara, pois caíra e quando finalmente achou e conseguiu abaixar o vidro, foi para escutar um palavrão, onde o condutor dizia que o carro estava freado em cima do seu pé. Felizmente fora na ponta da bota do cidadão, sem maiores consequências. 

 

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A dificuldade foi o motor do carro pegar novamente, pois fora freado bruscamente, amedrontado que o proprietário estava vendo alguém com gestos de zangado, descido da moto que estava parado no sinal, ao seu lado.

 

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Embreagem, também precisava ser controlada no tempo da marcha, pois no pedal, não atendia.  Precisava de reparo urgente que ele não pudera fazer. Ao suspender o tapete do carro foi surpreendido com um defeito que ainda não tivera visto.

 

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O chão do carro estava com um buraco e só assim descobriu  porque, quando passava em uma poça de água, sentia respingar alguma coisa nos seus pés.

             

 

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Quando o motor era desligado noite, para pegar novamente pela manhã, era na base da manivela, pois a bateria precisava ser mudada e ainda não tivera dinheiro para fazer a troca. Mas, era um carro que com todos esses problemas, vinha atendendo suas necessidades de estudante de medicina. Por esses problemas todos era chamado de “maestro” pois a cada momento havia um defeito novo. Só que esse maestro era um que regia “conserto” com “a letra s”. Em cada esquina apresentava um defeito.

Fuscas inesquecíveis.

 

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Mas algo ruim mesmo ainda estava a caminho. O veículo, de há muito vinha dando sinais de que os freios não estavam bons. Até que um belo dia eles faltaram em cima de um sinal e ele embora apelasse para o freio de mão, ainda assim não freou a tempo. Resultados furou um sinal vermelho e veio a desagradável multa como resultado.

 

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E um belo dia em que recebeu a visita de um irmão consanguíneo veio o episódio do fim do fusca. Quando estacionava o carro tinha sempre o cuidado de deixar estacionado com a marcha primeira engatada. Nesse dia com a euforia da chegada do irmão, estacionara esquecendo de deixar a marcha engatada e o resultado foi triste. Ele e o irmão ainda foram para a frente do carro tentando segurá-lo a força dos seus músculos. Não houve como detê-lo. Foi de encontro a um muro derrubando-o integralmente, e o carro ficou em tal estado que teve que ser vendido como sucata. 

 

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Eram esses dois fuscas que lhe voltavam à mente sem- pre. O primeiro que acompanhou a lua de mel, 

que ainda pode ser vendido apesar dos transtornos, e este segundo, seguindo o mesmo destino, até ao final do curso de medicina. Deles não se esqueceria jamais.

 

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Terminada a residência médica, passara a ser estudioso, não mais estudante. Era um profissional no exercício de atividades médicas que logo aproveitou a oportunidade que lhe apareceu para contratação dos seus serviços profissionais. Fora contratado para prestar serviços médicos, por um prefeito e se deslocara para o interior do Estado. Passado o primeiro ano, resolveu vir para capital. Estabeleceu-se e teve muito sucesso. 

 

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Agora teve condições de comprar um Mercedes, carro de luxo, mas, constantemente estava a lembrar dos dois fuscas que possuíra. Saudosas lembranças!!!!

 

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ClaudiaHá 2 anos Porto Alegre O fusca faz parte de nossas memórias, de saudosas histórias de infância que nos dá prazer lembrar. Por isso, essa é uma crônica que fala da história de cada leitor que tem sempre uma lembrança pitoresca associada ao famoso fusca. Lê-la é praticamente revisitar o passado. Obrigada por nos embarcar nessa viagem de impagáveis recordações!
Junior Há 2 anos Vitória ESProf Edomir, naqueles bons anos 70/80, nosso primeiro carro quase sempre era um fusca. Eu também tive o meu q me deixou saudosas lembranças. Sua excelente crônica me fez relembrar bons momentos q passei com meu fusca branco de cognome Branca de Neve. É muito prazeroso ler um texto seu logo pela manhã. Parabéns pela história relatada, agradabilíssima de ler.
Martha KeilaHá 2 anos são luisUma história hilária, professor.
Adriana BritoHá 2 anos São Luís/MAO famoso “perrengue” que, naquele momento, causou inúmeros transtornos e aborrecimentos e que, hoje, faz parte de uma hilária memória afetiva. Hahaha
Fernanda Há 2 anos Sao luis Crônica sobre fusca é sempre muito bom. Quem não teve fusca, conheceu algum, nós todos temos lembranças de um fusquinha. Tem até filme Se meu fusca falasse... Parabéns, Edomir! E o médico quem será?
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Edomir Martins de Oliveira
Sobre o blog/coluna
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