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Seria a Ocitocina algo mais perto do Éden da felicidade? Ou não?

Jennifer Bartz, da Universidade McGill. Em uma entrevista para a revista "Scientific American", ela destacou que a ocitocina não é um "hormônio mágico" e que seus efeitos podem ser altamente contextuais.

02/07/2024 às 14h01
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
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Arte: MHAai
Arte: MHAai


*Mhario Lincoln


A ocitocina, muitas vezes chamada de "hormônio do amor", tem ganhado destaque nos últimos anos como um dos principais responsáveis por promover sentimentos de felicidade e conexão entre as pessoas. Mas será que a ocitocina é realmente o Éden da felicidade? Para entender essa questão, precisamos explorar suas descobertas, seus efeitos e até mesmo se há paralelos com antigos filósofos.

 

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A ocitocina foi descoberta em 1906 pelo farmacologista britânico Sir Henry Hallett Dale. Originalmente, ela foi identificada como um hormônio que induz contrações uterinas e facilita o parto. No entanto, ao longo das décadas, pesquisas começaram a revelar que a ocitocina desempenha um papel muito mais abrangente no comportamento humano e na formação de laços sociais.

 

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Os gregos antigos, especialmente os filósofos estóicos, discutiam a importância das relações sociais e do amor. Embora não conhecessem a ocitocina, suas reflexões sobre a importância das conexões humanas e do apoio mútuo se alinham surpreendentemente com o que hoje entendemos sobre os efeitos desse hormônio. Sêneca, por exemplo, falava sobre a importância da amizade e do amor como pilares de uma vida feliz e equilibrada, conceitos que ecoam nos estudos modernos sobre a ocitocina.

 

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Um estudo recente publicado na revista "Nature Reviews Neuroscience" destaca os benefícios da ocitocina: "A administração de ocitocina em humanos aumenta a confiança e reduz os níveis de ansiedade, promovendo comportamentos pró-sociais como empatia e altruísmo" (Meyer-Lindenberg et al., 2011). Esses efeitos são fundamentais para fortalecer laços sociais e melhorar a qualidade das interações humanas.

 

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A Ocitocina e a Poesia
Mas será que uma pessoa sob o efeito desse hormônio poderia escrever poemas de amor mais consistentes e tocantes? Ou é a dor que traz profundidade à poesia? A ocitocina, ao promover sentimentos de amor e conexão, pode certamente inspirar versos apaixonados e otimistas. No entanto, muitos argumentam que a dor e a melancolia trazem uma autenticidade crua e uma profundidade emocional que muitas vezes ressoam mais profundamente com os leitores. O que você acha?

Na minha modesta opinião, enquanto a ocitocina pode ser vista como um componente do "Éden da felicidade", a verdadeira felicidade e a arte poética mais profundas talvez venham a exigir uma mistura de amor e dor. Ambas as emoções, intensificadas ou suavizadas por hormônios e experiências de vida, contribuem para a riqueza da expressão humana.

 

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O Outro Lado
Vale ressaltar, no entanto, que alguns cientistas e pesquisadores expressam ceticismo em relação aos efeitos da ocitocina, especialmente quanto à sua capacidade de influenciar de forma consistente os comportamentos sociais e emocionais.

Uma dessas vozes é a da neurocientista Jennifer Bartz, da Universidade McGill. Em uma entrevista para a revista "Scientific American", ela destacou que a ocitocina não é um "hormônio mágico" e que seus efeitos podem ser altamente contextuais. Ela disse: "Embora a ocitocina tenha sido amplamente promovida como uma molécula do amor e da confiança, a realidade é que seus efeitos são muito mais complexos e contextuais do que inicialmente se pensava."

Bartz argumenta que os efeitos da ocitocina podem variar dependendo de fatores individuais e ambientais, e que, em alguns casos, pode até amplificar sentimentos negativos ou comportamentos antissociais. Esta perspectiva sugere que, embora a ocitocina tenha o potencial de promover comportamentos positivos em algumas situações, ela não é uma solução universal para melhorar as relações sociais ou a felicidade.

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Soraya Fialho FelixHá 2 anos São Luís - MAAdorei esse tema,delicioso falar de Ocitocina. Complexo,curioso e delicioso. Como podemos viver sem esse hormônio que mexe nossas emoções profundamente? As sensações entram em ebulição quando nosso cérebro libera Ocitocina,queremos tudo que nos proporcione prazer.Queremos o que é impossível,ficamos otimistas,audaciosos e extremamente sonhadores. E o que seria dos poetas sem as oscilações da Ocitocina? Poetas vêm coisas inexplicáveis.Sentem dores dilacerante, alegrias incontroláveis.
MARIA NAUZA LUZA MARTINSHá 2 anos BrasíliaA reportagem abre um debate interessante sobre a relação entre emoções, química cerebral e criação poética. No entanto, é importante considerar que a escrita de poemas de amor envolve um processo complexo e multifacetado que vai além da influência de um único hormônio ou emoção. Autenticidade, técnica e sensibilidade do poeta são elementos essenciais para a criação de obras que tocam e inspiram os leitores. Parabéns Mestre Mhario Lincoln pelo toque instigante próprio de sua lavra literária.
Carmen Regina DiasHá 2 anos Cascavel3. Em última instância, cabe uma licença poética aos versos, uma vez que se sabe que tudo que está descrito neles é fruto de pesquisa e que Dr. Marcio Couto gostou, aplaudiu e abraçou o poeta. Muito agradecida por sua matéria e referência, mestre. Forte abraço a você e a todas as Confreiras e Confrades de nossa gloriosa APB. Gratidão, sempre.
Carmen Regina DiasHá 2 anos Cascavel2. Ocitocina, no poema, não é um medicamento, é um hormônio produzido pelo próprio corpo e, como cada hormônio tem uma função no organismo humano, acredito que a Ocitocina tenha essa função, harmonizar o humor, promovendo o bem estar da pessoa. diminui as respostas de ansiedade e estresse nas interações sociais, possui efeitos benéficos nas interações sociais em pessoas com esquizofrenia e autismo. Assim como os hormônios da Tireóide, a Ocitocina tb se relaciona com o prazer de viver.
Carmen Regina DiasHá 2 anos Cascavel1.Matéria importante, mestre. Escrevi o poema da Ocitocina para apresentar em um encontro literário promovido pelo CEEBJA em parceria com o presidente da Associação médica de Cascavel, Dr. Marcio Couto, cardiologista, também escritor e poeta. Fui convidada para encerrar o evento, no Teatro Municipal da cidade com um poema de minha autoria, em cima do tema do evento: O amor faz bem ao coração. Pesquisei o assunto na Internet e o poema me veio, completo. Declamar é algo que aprecio fazer.(segue)
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