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Mais um texto interessante do cronista Edomir Martins de Oliveira

"Casamento Ficha Limpa"

09/10/2020 23h38 Atualizada há 2 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
Edomir Martins de Oliveira, vice-presidente nacional da APB.
Edomir Martins de Oliveira, vice-presidente nacional da APB.

Capítulo 30

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira

Vice-Presidente Nacional da APB

 CASAMENTO FICHA LIMPA

 

Olha as Notas Fiscais nas costas do delator.

Casamento sempre envolve muitas despesas que os pais da noiva fazem prazerosamente. Quando se trata de casamento de filha de autoridade de interior, até mesmo por questões políticas, eles são muitos concorridos.

Desta feita o Prefeito Municipal, o pai da noiva, era um político ficha limpa, contra quem não pairava qualquer mácula. Era a primeira das suas três filhas a casar e, ele, com vistas à sua reeleição, queria um casamento para ninguém botar defeito.

Contratou buffet de primeira linha, belíssimo salão de festa, e exigiu do contratado que queria vinhos e uísque, importados. Não queria que fosse servido cerveja, pois considerava bebida imprópria para casamento de alto padrão. Este casamento marcaria a década na cidade. O pai da noiva ainda acrescentou aos decoradores que dessem uma boa caprichada para que estivesse bem adornado a Igreja e o salão de festas. - O casamento de sua bela filha merecia essas especiais atenções. O noivo, engenheiro, ficou feliz ao saber dos cuidados do futuro sogro para que tudo saísse muito bem.

O casal foi ao sacerdote e combinou com ele a data do matrimônio e a hora, dizendo que queriam casar no mesmo dia que se conheceram e, coincidentemente,  era o aniversário do Município.

O sacerdote, ao agendar a data desejada, fez-lhes apenas o pedido de que a noiva não chegasse atrasada, o que eles afirmaram que não aconteceria.

 Tudo organizado, o pai ainda perguntou para a filha onde ela gostaria de passar a lua de mel, e ela lhe disse que gostaria de passar em Paris, a Cidade Luz, cheia de encantos, própria para acolher recém-casados.

Com cerimonial pago, escolhidas as bebidas, vestido de noiva pronto, convites elaborados e distribuídos, agência de turismo igualmente paga para a lua de mel do casal, era só aguardar a data e comemorar com alegria. O Prefeito só pensava que os oposicionistas não teriam nada a reclamar.

Foi aí que começou uma reviravolta.  Um auxiliar administrativo da Prefeitura, que foi esquecido de ser convidado enquanto os demais foram, ficou muito decepcionado e magoado, e sentindo-se muito desprestigiado jurou vingança.

Quando se referia às despesas com a festa, o prefeito dizia que aquilo era porque ele estava organizando uma grande comemoração pelo aniversário do município junto com o povo, que seria no mesmo dia do casamento da sua primogênita. Mas os seus auxiliares diretos não acreditavam nessa história, porque nunca houve comemoração no aniversário do município, durante os três anos anteriores do seu mandato. O funcionário, não convidado, começou a ir a fundo em sua investigação.

E assim, encontrou muito além do que esperava, pois, o casamento havia se tornado uma verdadeira malversação de dinheiro público. Ele tirou cópia de todos os cheques que pagaram as despesas e guardou consigo.  As notas fiscais mostravam que todas as despesas estavam sendo pagas pela Prefeitura, com emissão de cheques nominativos aos emitentes das notas. Tais fatos pioravam a situação do seu chefe, que teria muito que explicar. Como justificar uma nota fiscal para uma loja de vestidos de noivas? E uma festa para o povo com um bolo de casamento enfeitado com um casalzinho de noivos em cima?

O Prefeito fora de uma irresponsabilidade a toda prova! Onde já se viu pagar as despesas do casamento da filha com cheques nominativos da prefeitura??? Na verdade, estava tão entusiasmado com a festa que ia oferecer, que acreditava ser lícito o que estava fazendo.

O funcionário traiu o seu chefe, e levou as provas dos pagamentos das notas pela Prefeitura ao candidato opositor, concorrente do Prefeito às eleições, pedindo-lhe apenas que não falasse que tinha sido ele quem lhe fornecera essas provas. O casamento transcorreu com sucesso.

O candidato da oposição, dias depois, nos carros de som de sua propaganda política que já começara, anunciou que não perdessem o primeiro comício, pois ele tinha uma notícia bomba para levar ao conhecimento do povo. No dia desse comício, muito concorrido, “botou a boca no trombone”, e denunciou o fato. Esclareceu ainda que estava indo à Câmara mostrar as provas e pedir a cassação do Prefeito. Uns vereadores oposicionistas declaravam que o prefeito municipal nada tinha feito pelo município e nesse aspecto era uma verdadeiro “ficha limpa”. Ele tinha suas contas aprovadas na Câmara Municipal, porque tinha a maioria dos vereadores em suas mãos. Foi uma festa para os blogueiros, que revelaram tudo para a imprensa falada e escrita, que fazia entrevistas com o denunciante, o qual exibia as provas de todas as suas afirmações.

No outro dia, os munícipes todos comentavam o fato. Em seguida o Ministério Público, zelador da defesa da sociedade e agindo em defesa dos interesses desta, estava   analisando o que fora denunciado. Se entendesse que os argumentos expostos eram dignos de serem acolhidos daria prosseguimento às denúncias nos termos legais.

 O prefeito considerava muito graves as denúncias e dizia de viva voz para quantos quisessem escutar que provaria sua inocência na justiça e denunciaria criminalmente seu rival político, por injuria, calúnia e difamação, pois o estava insultando publicamente, inventando deslavadas mentiras. Os cheques que foram apresentados, teriam sido clonados e a assinatura falsificada, dizia ele.

O jovem casal, viajou para a cidade dos sonhos, Paris, sem nada saber.  A filha tomou conhecimento dos acontecimentos envolvendo o nome honrado do seu pai, através das redes sociais. Daí em diante, ao invés de alegrias, vieram muitas preocupações. Mas ela confiava que seu pai provaria sua inocência. Onde já se viu falar mal do seu pai que durante a sua vida pública, nunca tivera mancha alguma?

A campanha eleitoral prosseguia, e as acusações contra o Prefeito foram aparecendo com outras denúncias. Ele continuava concorrendo, investindo na campanha, até que fosse julgado pela Câmara Municipal cassando o seu mandato, ou, então pela Justiça.

Foi aí que Judas, o funcionário delator, lembrou do texto da Bíblia contido no Evangelho de Lucas:12-02 – “Porque não há encoberto que não venha a ser revelado, nem escondido que não venha a ser conhecido”.  O Prefeito perdeu a eleição mediante as acusações irrefutáveis, que contra ele foram apresentadas.

Mas a sorte do traidor também estava selada, pois o candidato da oposição, vitorioso nas eleições, que lhe prometera antes o bom cargo de Secretário, depois de eleito, disse-lhe claramente que ele não era confiável, haja vista o que fizera com seu chefe anterior. Não o nomearia, pois ele não merecia confiança.

E o Judas saiu cabisbaixo e indagando em solilóquio se teria valido a pena trair o seu chefe. Estava desempregado e mal visto por seus amigos como delator.

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Edomir Martins de Oliveira
Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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