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15 de Outubro: "Ser ou não ser... PROFESSOR?". Texto de Alessandra Leles Rocha

Comemorar ou não comemorar o Dia dos Professores?

14/10/2020 19h17 Atualizada há 1 semana
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Alessandra Leles Rocha
Original do texto
Original do texto

Ser ou não ser... PROFESSOR?

 Por Alessandra Leles Rocha

Alessandra LR.

Muitos vão dizer que não há razões para comemorar; mas, acredito que há, pelo menos, milhões de razões para pensar. Como quaisquer outras profissões a docência exige, cobra, sacrifica. Não é tarefa fácil, como alguns querem afirmar; aliás, está longe disso. A missão de um professor compreende uma complexidade tão profunda que é bobagem pensar que alguém começa e termina seu ofício da mesma maneira.

Não, não é só ensinar. Não é só transmitir. Não é só compartilhar. Não é só orientar. Não é só explicar. Não é só debater. ... Ser professor é tudo isso e muito mais diante de uma plateia altamente plural, repleta de expectativas, de frustrações, de sonhos, os quais irão temperar essa convivência ao longo do tempo.

Por isso a aula preparada nem sempre resultará na aula dada. Tudo vai depender da humanidade que transcende e existe nessa relação de comunhão e fraternidade baseada em uma sala de aula. Como se um espaço físico pudesse conservar a maravilha e o esplendor da dinâmica das linguagens verbais e não verbais, que buscam se fazer perpetuar no cognitivo e na alma de cada um dos presentes.

Entendo que o tempo vem desbotando esse registro, impingindo um lento e doloroso processo de deterioração, precarização e invisibilização docente. Construindo no inconsciente coletivo da sociedade, um discurso desqualificador a respeito, o qual se reafirma nas posições pessoais que os próprios docentes se permitem, tantas vezes, manifestar. Porque, de algum modo, os insultos e as ofensas só alcançam a sua materialidade quando os sujeitos permitem.

Dizem por aí que os bons são maioria; mas, os maus fazem mais barulho. É nessa linha de raciocínio que os docentes precisam parar para uma reflexão mais profunda e contundente sobre si mesmos. A rudeza das dificuldades do ofício acrescida aos desafios burocráticos e institucionais do país teima em retirar-lhes o foco e colocá-los armados para a luta de seus direitos diariamente.

Mas isso não é um privilegio só da docência. Qualquer profissão vista de perto revela suas agruras. O problema é que há muita idealização, muita glamourização em torno dessa ou daquela área; porém, pouco se fala a respeito dos obstáculos, dos desgastes físicos, mentais e emocionais a serem enfrentados para se aproximar daquele padrão de vida ou daquele salário. Seria preciso estar no olho de cada um desses furacões que circulam ao redor para dimensionar a disposição de enfrentamento.

O ponto chave, então, está em dialogar consigo mesmo, antes de dialogar com a sociedade; no sentido de reconhecer em que grau de relevância a docência ocupa na vida do professor. Afinal de contas, ninguém bate a porta de uma pessoa e a obriga a se engajar na docência. É ela quem decide quem escolhe seguir esse caminho por alguma razão, a qual será determinante para que ela permaneça ou não na jornada. Daí a importância dessa reflexão íntima e pessoal.

A verdade é que nenhuma profissão, no fundo, é para amadores. Cada vez mais o mundo é voraz na sua fome competitiva, desleal e difícil, obrigando as pessoas a provarem a sua resiliência e a sua convicção a todo instante.  É fundamental estar disposto a ir além de si mesmo, inovar, ousar, surpreender com a plena consciência da disposição em se lançar na empreitada.

E a sala de aula é um universo em franca expansão. O que significa que a carreira docente há tempos rompeu a rotina formalizada e formalizadora para alçar voos inimaginados. De modo que a compreensão em relação ao significado da satisfação profissional não fica restrita ao reconhecimento institucional, governamental ou social. O docente precisa entender que essa satisfação precisa nascer e crescer nele, no desabrochar de cada ato do seu ofício. Há tantas maneiras de ensinar. Tantas maneiras de planejar e conduzir uma aula. Tantas maneiras de construir o conhecimento. ...

Coisas simples se transformam no fantástico. Música vira teatro. Planeta Terra ensinado através de modelagem em massinha colorida. Novos poetas emergem da aula de inglês. Gêneros textuais ensinam lições de gramática da língua materna. Sessão pipoca contextualiza a história a partir do cinema. Hortas que fazem a Biologia mais perto da vida escolar. Enfim... Mudam-se as formas, os conteúdos, as avaliações, há uma desconstrução para que o conhecimento possa ser ressignificado e alcançado pela individualidade de cada um.  

Esperar do mundo uma resposta, uma boa nova, um alento pode ser cansativo e doloroso. Pode chegar fora de hora. Pode ser insuficiente. Pode não vir. Mas, quando o professor decide regar a semente da docência, que dorme silenciosa dentro dele, com as águas da genuína motivação e felicidade que correm em suas veias; aí ninguém segura à grandeza do imprevisível na expressão máxima do seu talento.

É nesse instante que, mesmo sem se dar conta, o professor escreve a linha da sua imortalidade na vida do outro. Deixa a sua marca. Estabelece o seu legado. Conquista o registro na história. Pode ser que ele não venha jamais a ter os melhores salários, os melhores planos de carreira, as melhores infraestruturas, os melhores..., as melhores... No entanto, “Todo mundo gostaria de se mudar para um lugar mágico. Mas são poucos os que têm coragem de tentar” (Rubem Alves). Então, neste e em todos os dias da sua existência, parabéns professor (a)!!! 

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